Formar o futuro

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A pontada pela consultoria Economática como a maior empresa brasileira de capital aberto da América Latina, a Petrobras tem um árduo desafio pelos próximos três anos: contratar, até 2013, 8 mil empregados. Em meio às descobertas de petróleo na camada do pré-sal, a companhia, que alcançou em 2008 uma receita líquida de 215,1 bilhões de reais, já investe na qualificação de aproximadamente 207 mil trabalhadores para a indústria de petróleo, gás, energia e biocombustíveis. E, agora, concentra esforços na contratação de profissionais com formação em engenharia naval.

Razões para isso existem, ou jorram. “Profissionais ligados à engenharia naval serão importantes para o desenvolvimento e o acompanhamento dos projetos das diversas embarcações que irão transportar petróleo, derivados e outros materiais de apoio para plataformas e sondas de perfuração”, informa a área de recursos humanos da estatal.

Ou seja, a empresa deve ampliar ainda mais a demanda no setor naval. E, em algumas localidades, esse movimento promete ser grande. Um exemplo é o município gaúcho de Rio Grande. Segundo dados da prefeitura da cidade, que ostenta um PIB per capita de 22,87 mil reais e uma população de 196 mil habitantes, no período de 2005 a 2015, cerca de 15 mil empregos diretos e 35 mil indiretos devem ser gerados. O início desse desenvolvimento foi marcado desde que a plataforma P-53 da Petrobras foi construída, entre 2005 e 2008. A obra gerou 4,3 mil empregos.

As expectativas de investimentos no município gaúcho são promissoras: além da plataforma, a cidade conta com as obras do Estaleiro Rio Grande, que inclui o projeto Dique Seco, da construtora WTorre, que arrendou o estaleiro para a Petrobras. A empresa deve usar a estrutura para construir cascos de navios que serão utilizados para explorar petróleo na camada do pré-sal. Parte do estaleiro já está sendo usada para a construção da plataforma P-55. O investimento total da petrolífera no projeto é de 6 bilhões de reais.

Com tanto trabalho, é preciso pensar em quem tocar os projetos. Mas, segundo a companhia, não são muitos os profissionais especializados nesse segmento e que estão disponíveis no mercado. Aliás, poucos, também, são os disponíveis… No Brasil, duas universidades oferecem esse curso: a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Federal do Pará (UFPA). Prevendo as dificuldades em encontrar essa mão de obra, a Petrobras investe em parcerias com outras universidades para incentivar os jovens a entrar no mercado do petróleo.

Formação
Uma das parcerias é com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Nela, a Petrobras participa do Programa de Formação de Recursos Humanos da ANP que, por meio de convênio, repassa recursos para a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e concede mais de 100 bolsas de graduação, mestrado e doutorado nesse segmento. Além desse incentivo, a estatal oferece o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), promovido em 17 estados e com 80 instituições como universidades públicas, escolas técnicas e unidades do Senai. O programa já está treinando 38 mil jovens para ingressarem na indústria do petróleo. “A Petrobras não seria o que é hoje se não tivesse investido no desenvolvimento de recursos humanos”, afirma o superintendente de planejamento e pesquisa da ANP, Florival Rodrigues de Carvalho.

Outra iniciativa criada para fomentar a mão de obra para a indústria foi a implantação do Programa Jovem Universitário, direcionado a jovens com até 24 anos, filhos de empregados da companhia. Além de oferecer aos funcionários reembolso das mensalidades dos cursos universitários, o programa incentiva que os filhos desses empregados ingressem nos cursos relacionados à área de petróleo, gás, energia, biocombustíveis, engenharia, geologia, geofísica, oceanografia e química industrial. No caso de profissionais de nível superior recém-admitidos e sem experiência no segmento, a empresa oferece curso de um ano em sua universidade corporativa, a Universidade Petrobras.

Nos três campi dessa universidade (localizados no Rio de Janeiro, São Paulo e em Salvador), os novos funcionários aprimoram seus conhecimentos técnicos e organizacionais sobre a empresa e a indústria de petróleo. Isso tudo por meio de aulas teóricas e práticas. O geólogo Otávio da Cruz Pessoa, gerente do departamento de novos projetos dos estados do Amapá, Rio Grande do Norte, Pará, Maranhão e Ceará, prestou o concurso há 24 anos e ingressou na estatal para atuar no departamento de poços.

O geólogo abraçou as oportunidades oferecidas e cursou, por cinco meses, em período integral, as técnicas de aperfeiçoamento em geologia. Na sequência, seguiu para Natal (RN), onde trabalhou com análise de possíveis descobertas em poços perfurados e permaneceu na região por 15 anos. Depois dessa jornada no Nordeste, e apoiado pela companhia, Pessoa resolveu ingressar no curso de pós-graduação, já em Porto Alegre (RS), onde fez mestrado em bacias sedimentares.

Com larga experiência no setor, o geólogo foi transferido para Manaus e, depois, Rio de Janeiro. Ministrou, ainda, curso na Argentina e voltou para Natal para um cargo de maior responsabilidade. “A Petrobras oferece oportunidade de crescimento. Se eu tivesse de fazer tudo de novo, não hesitaria, pois a minha expectativa de crescimento foi suprida”, diz o geólogo que hoje comanda uma equipe de 20 pessoas. E a empresa espera repetir essa história nos próximos anos. Pelo menos precisa. (Alessandra Mota)

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