Formar para ter

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Hermine Schreiner / Crédito: Divulgação
Hermine, da Pormade: equipe de alto desempenho / Crédito: Divulgação

Uma pesquisa realizada ano passado pela Fundação Dom Cabral traz um dado que, apesar de conhecido, ainda causa ranger de dentes em muitas empresas: 91% das companhias entrevistadas têm dificuldade na contratação de profissionais qualificados. A maioria das organizações entrevistadas reclamou da escassez de profissionais capacitados para funções específicas, falta de visão global dos candidatos e deficiência na formação básica.

Com o avanço da tecnologia, hoje, não basta ter conhecimento apenas na área de atuação profissional, é necessário também ter o domínio de outras ferramentas, em especial daquelas que são necessárias para a realização das atividades diárias. Nos últimos anos, o mercado de trabalho brasileiro cresceu e se sofisticou. Mesmo em atividades que não exigiam muito estudo, agora é preciso saber usar no mínimo um computador, por exemplo.

Qualificação de alto padrão
Segundo o presidente da Higi Serv, um dos maiores grupos empresariais de terceirização de serviços do asseio e conservação do Paraná, Adonai Arruda, é necessário elevar o padrão de qualificação profissional. “O mercado vem crescendo gradualmente e exigindo profissionais cada vez mais instruídos. Hoje, não basta mais apenas ter conhecimento na atividade que desenvolve, o mercado exige conhecimentos cada vez mais amplos”, afirma.

Para vencer esse problema de apagão de mão de obra, ou driblar essas dificuldades, muitas empresas apostam na capacitação de seus funcionários. Um exemplo é a Pormade Portas, que tem em sua universidade corporativa, a Unicop, uma das bases dessas iniciativas.

Tendo como clientes grandes construtoras, dentre elas MRV, Gafisa e Brookfield, a Pormade entende que a construção civil apresenta-se como um celeiro de inovações. “Há muita coisa bacana para ser desenvolvida e implantada, mas isso só é possível fazer com uma equipe de profissionais disponíveis para o novo. A invocação exige criar coisas novas e, muitas vezes, deixar de lado rotinas de trabalho já aplicadas há tempos. Desenvolver, implantar e fazer tudo isso dar certo só é possível com uma equipe de alto desempenho”, diz Hermine Schreiner, diretora de Recursos Humanos da empresa. Para atingir o objetivo de ser uma empresa voltada para a inovação, a Pormade busca oferecer condições favoráveis para o desenvolvimento contínuo. “E temos nossa universidade corporativa, que prevê o desenvolvimento humano (o aprender a ser), a educação formal (que é o aprender a aprender) e a capacitação técnica operacional (que é o aprender a fazer)”, diz. A Unicop, continua a executiva, tem como inspiração uma das mais importantes universidades corporativas do mundo: Crotonville, que é o centro de estudos e de formação de líderes da General Electric (GE), localizada em Nova York e que foi criada em1950.

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Reconhecida como uma learning organization, a Pormade começou com a educação corporativa ainda em 1994. Atualmente, a Unicop oferece ensinamentos não apenas para os seus profissionais e familiares, como também para pessoas da comunidade ao entorno. “Formamos a liderança internamente. Então, para almejar um novo cargo na companhia, é preciso estudar. Além disso, não focamos as atividades, aulas e curso apenas para o aprendizado corporativo, mas também para que essa pessoa possa relacionar-se melhor com os seus pares fora da empresa, e ainda levamos conhecimento para diversas outras pessoas”, explica Claudio Zini, que já preside a empresa há 28 anos.

Além de formar vários dos seus próprios profissionais, quase 500 pessoas, eles são também aproveitados para dar aulas. “Fazemos um ciclo completo de capacitação dos alunos. Eles entram para aprender e, com o passar do tempo, conhecimento e desenvoltura, já ministram aulas. Essa é uma das lições que aprendemos com a Crotonville. Só quem conhece, vivencia bem a estrutura, fases e etapas, consegue repassar com precisão, tanto da educação, como da cultura”, explica o presidente.

A formação profissional vai além dos executivos da Pormade. Há uma preocupação também com a equipe de instaladores. Esses profissionais acompanham a obra desde o início, permitindo assim a instalação sem erros e prejuízos e trazendo padrão e uniformidade na instalação das portas. Um prédio comercial que necessite de 1.000 portas receberá todas no mesmo padrão e, além disso, com instalação e assistência técnica, caso necessite. Esses detalhes também permitem a economia de recursos por parte das construtoras e os usuários, pois a empresa tem um serviço completo e não apenas faz as portas.

Ainda na área de construção civil, outra empresa que tem investido na qualificação da mão de obra é o Grupo Saint-Gobain. São cerca de 1,5 milhão de reais em cursos de capacitação para profissionais da área e estudantes em 19 cidades da região Nordeste, por meio do Centro de Treinamento Móvel Saint-Gobain (CTM), um caminhão itinerante e personalizado que oferece treinamentos gratuitos em aplicação e soluções de diversas marcas do grupo.

Segundo Paulo Perez, diretor de projetos marketing habitat, o CTM vai auxiliar no atendimento ao atual déficit nacional de mão de obra. “Desenvolver uma unidade de treinamento móvel, de abrangência nacional, possibilita contribuir diretamente para o aumento da oferta de profissionais qualificados no Brasil”, afirma.

Gargalos da contratação
A segunda edição da pesquisa Carência de Profissionais no Brasil, feita pela Fundação Dom Cabral, avaliou os principais desafios das empresas na contratação de mão de obra especializada e comparou a evolução dos gargalos existentes nessa área entre 2010 e 2013.  

A primeira edição da pesquisa, de 2010, apontou que 92% das empresas enfrentavam dificuldades para contratar profissionais. A edição de 2013 revela que esse quadro mantém-se praticamente inalterado: 91% das empresas continuam a ter dificuldades em preencher seus quadros. Em 2010, os profissionais mais difíceis de contratar eram técnicos (45%), engenheiros (34%) e gerentes de projetos (29%); na edição de 2013, compradores (72%), técnicos (66%) e administradores (65%). 

Segundo a pesquisa de 2013, os motivos que mais dificultam a contratação de mão de obra são a escassez de profissionais capacitados (83,23%) – também no topo da edição de 2010 – e a deficiência na formação básica (58,08%). “Os profissionais chegam ao mercado com dificuldades básicas como fazer contas ou interpretar textos; este quadro gera outro problema para as companhias, que precisam investir cada vez mais em treinamento e capacitação dos seus funcionários, elevando seus custos e, consequentemente, reduzindo a sua competitividade”, destaca Paulo Resende, coordenador da pesquisa.

 

 

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