Gestão

Gerenciar as emoções

Marcos Nascimento
5 de Fevereiro de 2015
Marcos Nascimento / Crédito: Divulgação
Marcos Nascimento é partner na Manstrategy Consulting / Crédito: Divulgação

A palavra inteligência vem do latim intelligentÄ­a, que, por sua vez, deriva de intelligere. Esta última é composta por dois outros termos: intus (“entre”) e legere (“escolher”). Ou seja, na sua origem, inteligência faz referência a quem sabe escolher! Mas quando conectamos este conceito a algo mais volátil, como as emoções?

Na perspectiva do psicólogo norte-americano Howard Gardner, a inteligência é o potencial de cada ser humano, não podendo este ser quantificado. O que vimos, durante um bom tempo, foi a utilização de mecanismos para medir a inteligência, geralmente por meio do quociente intelectual (o chamado QI). Mas com o desenvolvimento da sociedade, fazendo brotar a intolerância com as formas autoritárias de relacionamento, que tinham forte base na posição onde o “comando e controle” prevaleciam, a necessidade de discutir — e gerenciar — as emoções, emerge de forma contundente.

E o tema inteligência emocional, quando se apresenta nas esferas corporativas, invariavelmente está conectado com a prática da liderança. No fundo a pergunta é: é possível colocar a gestão das emoções, que emanam das pessoas em uma organização, em benefício do atingimento dos objetivos estratégicos? Como atingir o equilíbrio entre o “que” e o “como” precisa ser feito para o alcance dos resultados?

Claro que não existe uma resposta uníssona! Mas em 1990 dois psicólogos sociais, Peter Salovey e John D. Mayer, criaram um modelo interessante! Eles dividiram a inteligência emocional em quatro domínios: a “percepção das emoções” que integra as competências envolvidas na identificação da variação de sentimentos; o “uso das emoções”, que tem a ver com a aptidão para empregar as informações emocionais que facilita o pensamento, o raciocínio e o processo decisório; o “entender emoções”, que é a capacidade de captar alterações emocionais nem sempre evidentes, e por fim, o “controle da emoção”, que é a capacidade para lidar com os próprios sentimentos.

Se analisarmos com cuidado, é quase uma ambiguidade, pois pode parecer uma forma fria de analisar e “utilizar” as emoções, minhas e dos outros. Mas já há algum tempo vivemos uma situação ambígua nas organizações: curto e longo prazos, gente e resultado, qualidade e custo, etc. E se essa é uma tendência que cresce e se fortalece, temos de regressar ao conceito primário de inteligência, que é ter a capacidade de fazer a melhor escolha para a solução de uma questão importante! E escolher um princípio estratégico, seja do que irei ou do que não irei fazer. A questão aqui não é ter a inteligência emocional para escolher entre opções, mas sim a capacidade de conviver com o impacto de suas escolhas.

Perceber, entender, controlar e utilizar suas emoções e das pessoas com as quais você convive pode sim apoiar fortemente o alcance dos seus intentos estratégicos! Gerencie suas emoções, sendo crítico e agressivo com os resultados e processos sob sua responsabilidade, mas sendo – sempre – amável e razoável com as pessoas. Você só colherá bons frutos com isso!

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