Gerente-líder ou líder-gerente?

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Eugenio Mussak
Eugenio Mussak é professor da FIA, consultor e autor

Há alguns anos, o mundo corporativo começou a perguntar se era possível ensinar um gerente de perfil técnico a se transformar em um líder. A resposta dos especialistas foi “Sim, é possível”, e surgiram incontáveis escolas dedicadas, dentro e fora das organizações, com a finalidade de formar novos líderes. O espírito da liderança tomou conta da rotina no mundo do trabalho. Perfeito, foi um avanço positivo. Mas, que tal olhar também o outro lado da moeda e lembrar que ainda temos de cuidar para que os líderes não deixem de ser gestores?

Líderes são capazes de mobilizar pessoas em direção a um objetivo por meio de sua capacidade de inspirar corações, influenciar mentes e desencadear atitudes. Esse é um poder de grande utilidade para as organizações modernas, que convivem em um ambiente cheio de concorrentes, assentado sobre a areia movediça das impermanências da economia, da tecnologia, do mercado e da política. Em ambientes inconstantes, líderes são fundamentais, por isso queremos que nossos gerentes sejam líderes. Mas há que se observar uma pequena sutileza: quando um gestor vira líder, ele começa a falar sobre causas; quando um líder vira gestor, ele passa a representar as causas da empresa. Trocando em miúdos, líderes sabem como mobilizar pessoas, gestores sabem para onde.

O curioso é que muitas vezes um ocupante de cargo de liderança entende que as tarefas gerenciais não são mais para eles. Que agora ele mudou de nível, e que, portanto, suas responsabilidades são de outro nível, mais estratégico, voltado para sinalizar caminhos e engajar pessoas nas causas pretendidas. Nada de errado nisso. Aliás, é o que se espera dos bons líderes. Isso não está errado, mas, cuidado, mesmo que você não se ocupe mais das lidas gerenciais, dos processos e fluxos, não quer dizer que eles deixaram de ser importantes. É preciso manter o controle. Visão do todo é um atributo presente nas boas lideranças.

O festejado Jack Welch, cuja primeira ação na cadeira de presidente da GE foi aconselhar-se com Peter Drucker, orgulhava-se de dedicar a maior parte de sua rotina cuidando de gente e desenvolvendo líderes. Apesar disso, ele tinha clara a noção de que liderança e gerência devem andar de mãos dadas. Ele implantou, por exemplo, o Seis Sigma, um programa gerencial de melhoria da qualidade, e estimulou seus líderes a serem os primeiros a usá-lo. Dizia que as ferramentas de gestão facilitam a ação das lideranças. Esse é apenas um entre muitos bons exemplos da dupla cabeças de área liderança/gestão.

#L# Falando em Peter Drucker, foi ele que disse: “A administração será, cada vez mais, a disciplina e a prática pelas quais as lideranças vão readquirir seu reconhecimento, impacto e relevância”. Resumindo, o líder sabe o “porquê” e o gestor sabe o “como”. Juntas, essas qualidades ganham uma força sinérgica e são capazes de produzir grandes resultados. Separadas, têm o poder de se anularem mutuamente. É algo a se pensar.

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É professor da FIA, consultor e autor.
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