Gestão

Gestão de gente: eis a questão

Jeferson Melo
15 de dezembro de 2011

RH é a sigla que definiu até há pouco tempo a área de recursos humanos de companhias em todo o mundo. Porém, o que realmente é RH? Tratar a sigla como recursos humanos pode nos levar a pensar como alguns antigos capitalistas que, sempre em busca de resultados, tiveram pouca preocupação com o ser humano, com o trato com as pessoas – uma atitude que fere os princípios atuais da área. É possível observar que, cada vez mais, temos grandes companhias realmente preocupadas com os seus colaboradores, pois perceberam que são realmente os CPFs que formam o CNPJ. Se retomarmos os pressupostos do filósofo e matemático René Descartes, no que se refere ao “homem-máquina”, observaremos que sua visão pressupunha um método que lhe permitia construir uma completa ciência baseada em princípios fundamentais que dispensassem demonstração.

No que dizia respeito ao corpo humano, este era indistinguível de um animal-máquina. Essa concepção de Descartes sobre os organismos vivos, posteriormente, teve uma influência decisiva no desenvolvimento das ciências humanas e nas concepções do desenvolvimento humano.
Essa concepção retrata justamente como muitas empresas concebem e tratam seus colaboradores. Elas ainda os veem como máquina, ou seja, são substituíveis a tal ponto que não são consideradas as questões individual e social, mas sim a questão empresarial. Assim como as máquinas, os homens são substituídos como peças e tudo funciona perfeitamente. O grande problema é o custo e a imagem da empresa.

A ideia homem-máquina teve muitos êxitos, contudo, também limitou as direções das pesquisas científicas, pois inúmeros cientistas, encorajados pelo sucesso, passaram a acreditar que os corpos nada mais eram do que máquinas, prontos a serem consertados.

Assim, ao refletirmos sobre o assunto, observamos que há ainda uma visão estreita em RH se a perspectiva for tomada como no passado: colaboradores possuíam seu “contrato de submissão a longo prazo” e eram considerados verdadeiras “máquinas”.

Ao observarmos as pessoas como cidadãos de direito, que movimentam a economia de suas famílias, de seu bairro, de suas empresas, de seu país e, por fim, de todo o mundo, é visível notar que RH vai além de um conceito cartesiano. RH é a própria relação humana, é o centro de aproximação dos colaboradores com todo o ambiente produtivo, criativo e evolutivo das companhias. Não devemos fazer gestão em “recursos humanos” e sim devemos gerir pessoas para criar um ambiente eficaz e com muita eficiência.

Pode parecer um detalhe nomear de uma maneira ou de outra, porém, o simples fato de dar nome faz toda a diferença. Hoje, a gestão que faz “recursos humanos” só tem sucesso para o departamento e para a companhia quando esta é tratada como “gestão de gente”. E é esse que deve ser o foco, ou seja, nas potencialidades de cada um, não em um agregado coletivo. A gestão deve pensar nos “recursos humanos” como um todo, ao mesmo tempo que observa atentamente a especificidade de cada ser no conjunto da obra.

Jeferson Melo é sócio-diretor da Arquiteta Soluções

 

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