Gestão: uma jornada heroica

12 de Fevereiro de 2014

Uma das maneiras mais poderosas de engajar nossa equipe durante momentos difíceis é ajudando-os a compreender que seu sofrimento, dúvidas e frustrações são legítimos enquanto permanecem autênticos em apontar para luz no fim do túnel.

Um amigo, David Pearl (http://www.pearlgroup.net), me apresentou o trabalho de Joseph Campbell (1904-1987), um respeitado mitólogo e professor. David desenvolveu uma emocionante metáfora comparando a Jornada Heroica do Campbell com a montanha-russa emocional que se instaura quando uma mudança dramática acontece em nossa vida pessoal e/ou profissional. Simplificando a pesquisa do Campbell sobre os mitos ao redor do mundo, pode-se concluir que todos os humanos, independente do tempo, geografia, nação ou religião concordam sobre o que é um comportamento heróico ou não-heróico na jornada da mudança. Isso é universal (o Mito Universal) e foi chamado pelo Campbell de Jornada do Herói.

Líderes que engajam suas equipes em uma jornada desafiante poderiam sentir-se inspirados a focar nos passos críticos do Mito:

A Chamada para a Aventura: a chamada nunca chega quando esperamos e também não é como gostaríamos que fosse. Heróis não são aventureiros sem cérebro; eles serão relutantes a engajar até que a chamada passe a ser intelectual e emocionalmente convincentes. Lembrem-se de Clint Eastwood em Menina de Ouro. Quatro vezes ele rejeita a chamada (personificada por Hilary Swank) até que ele se rende a determinação dela e se choca ao vê-la jogada no ringue com um treinador antiético. A lição aqui é que as pessoas que hesitam engajar na mudança não necessariamente são negativas, rebeldes ou têm aversão Í  mudança: é preciso provê-las de uma razão intelectualmente convincente e emocionalmente engajadora para que elas a faça.

Atravessando a soleira: aceitar essa chamada é um “otimismo desinformado”. Entretanto, rapidamente chega o estágio de “pessimismo informado”. O herói chega Í  conclusão de que a fórmula de sucesso do passado está se tornando a razão futura do fracasso. Em outras palavras, a habilidade crítica aqui é desfazer-se de algumas crenças, comportamentos e pensamentos estratégicos e ter a coragem de desafiar a atual ortodoxia. No monumental filme, Matrix, esse momento crítico de escolha surge ao Neo quando Morpheus oferece a ele a opção entre a pílula azul (voltar ao business as usual) e a pílula vermelha (corajosamente jogando-se ao desconhecido). Assim que o Neo escolhe a vermelha, suas certezas são questionadas, um novo e apavorante mundo se inicia, com poucos aliados e muitos inimigos. Neo se dá conta de que ele terá que abrir mão de muitas partes de si mesmo. A lição aqui é acompanhar sua equipe por meio do processo de luto. Sim, a mudança será dolorosa. Sim, nossa zona de conforto será desafiada… não, não posso garantir que o pote de ouro está do outro lado mas sim, posso garantir que o status quo não é uma opção.

A recuperação e o Propósito Superior: o que nos impressiona nos mitos heróicos é a capacidade do herói de se recuperar, se levantar, cair de novo e depois voltar de pé. De Ulysses ao Retorno do Batman a lição é a mesma: por que caímos Bruce? Para que possamos aprender a nos levantar! Assistindo Mohamed Ali aceitar ir para uma longa e dolorosa luta contra George Foreman no excelente filme Ali quando ambos campeões receberam o mesmo prêmio, vencedor ou perdedor, sugere que existe algo muito profundo que corre dentro de nós e nos motiva. Nós o chamamos de Propósito Superior. Não é um aumento do valor de pertencer que inspira Maximus no começo de Gladiador. Nós o vemos sonhando acordado com sua casa, esposa e filho. A câmera o mostra perdido em seus pensamentos por um momento e depois, de repente, o chefe está de volta; ele está determinado. Ele re-alinhou seu propósito superior com a tarefa que ele precisava entregar (ex.: derrotar os bárbaros e assim atingir seu propósito superior que é estar junto a sua família). Eu me lembro de trabalhar com um técnico de futebol que dizia: “Eu preciso que cada um dos meus jogadores esteja conectado com seu propósito superior, independente de qual ele seja. Eu não quero saber qual ele é, mas preciso que eles se conectem. E quando estivermos perdendo por dois gols, 15 minutos antes do final, eu quero que eles acessem seu potencial total ao conectarem-se com o propósito superior e ganhem de 3X2 no final”. Essa é a lição para nós lideres: durante mudanças dramáticas, nós precisamos dar espaço e tempo para nossa equipe se re-conectar ou se re-alinhar ao seu Propósito Superior com a nova direção que pretendemos liderá-los.

A Jornada do Herói é muito mais que a soma das ficções coletivas da humanidade. É um caminho emocionante de engajar nossa equipe durante momentos de dificuldade. Olhe em volta da sua linha da vida profissional e pessoal e você rapidamente verá os sinalizadores da Jornada do Herói.

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