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Indústria 4.0 e o Projeto Chamado: “O Futuro da Aprendizagem Não é o Treinamento”?

de Redação em 27 de maio de 2018

Por Leila Duarte

Leila de Oliveira Duarte

Primeiramente vamos entender o que é Indústria 4.0, como está sendo o aprendizado nesse novo contexto de “4.0” e principalmente falar que o futuro da aprendizagem não é o treinamento. Se você pensa que isso é coisa apenas de RH, posso lhe dizer que esse tema é para todas as pessoas que querem ter (ou manter) sua empregabilidade diante de um mercado tão competitivo. Usar também como estratégia de negócio para crescimento frente a concorrência de mercado. Uma reflexão sobre treinamentos, tecnologias, Drone, IoT, IA, impressora 3D. Tudo para pensarmos como desenvolver pessoas, melhorar performance, atingir maiores resultados. Quem sabe contribuir para mudar o mindset de como aprendemos as coisas. Abaixo um infográfico que explica sobre Indústria 4.0:

Fonte: Endeavor

Segundo o site citisystems: “O termo indústria 4.0 se originou a partir de um projeto de estratégias do governo alemão voltado à tecnologia. O termo foi usado pela primeira vez na Feira de Hannover em 2011. Em Outubro de 2012 o grupo responsável pelo projeto, ministrado por Siegfried Dais (Robert Bosch GmbH) e Kagermann (acatech) apresentou um relatório de recomendações para o Governo Federal Alemão, a fim de planejar sua implantação. Então, em abril de 2013 foi publicado na mesma feira um trabalho final sobre o desenvolvimento da indústria 4.0.

Seu fundamento básico implica que conectando máquinas, sistemas e ativos, as empresas poderão criar redes inteligentes ao longo de toda a cadeia de valor que podem controlar os módulos da produção de forma autônoma. Ou seja, as fábricas inteligentes terão a capacidade e autonomia para agendar manutenções, prever falhas nos processos e se adaptar aos requisitos e mudanças não planejadas na produção. ” Ou seja, os pilares da indústria 4.0 são Internet das coisas (Internet of Things – IoT); Big Data Analytics; Segurança. Com essa explicação vamos começar a fazer as conexões.

1. Ganhar dinheiro X Fazer dinheiro

IoT – Internet das Coisas, com certeza já deve ter ouvido falar sobre esse tema. Eletrodomésticos que se conectam via wi-fi, que apontam a vida útil do produto, ou informam quando deve ser feito a manutenção.

O que falar de carros que dirigem sozinhos? (aqui ainda é bem grande a discussão, principalmente ética caso aja um atropelamento).

Biotecnologia (chips), conhecemos o chip que é implantado em animais para localização caso ele se perca (GPS). Mas, existem alguns (para humanos) que são Intracutâneo para monitora sinais vitais e até prevê doenças com anos de antecedência.

Impressora 3D com construção de tijolos, peças de carro, vestuário. Aplicativos com tradução simultânea de línguas, transferência de dinheiro apenas passando o celular frente ao outro, Bitcoins, Blockchain. Drone com reconhecimento facial.

O que falar da IA? (Inteligência Artificial) já convivemos com ela e não percebemos. Chat Bots, você já deve ter ouvido falar do Watson, Siri, Bia, e Alexa não é? O desafio aqui é a questão do acolhimento, que só seres humanos conseguem fazer. Mas, isso já está em estudo.

Onde tudo isso vai repercutir? Teremos reflexos na indústria alimentícia? E os profissionais liberais? Sentirão a perda de quota de mercado? Como ficará o impacto nos laboratórios? Na indústria veterinária, Pet Shops? Escolas de Línguas, Call Centers, Construção Civil, Empresas automotivas, Moda? Casas de Câmbio devem sumir? E o Banco tradicional, repensar esse modelo? Será o fim dos cartórios?

2. Competências mais requisitadas para esse futuro

Você já ouvir falar do termo M.U.V.U.C.A? Calma, isso aqui não é sobre bagunça. Segue o significado: “M (Meaningful): tudo o que fazemos precisa ter sentido, proposito, significado Universal (Universal): sempre precisamos analisar o impacto de nossas decisões. O que se faz aqui pode repercutir muito além Volátil (Volatile): tudo muda rapidamente, precisamos reagir rápido U (uncertainty): a única certeza que temos é que não temos certeza de nada Complexo (Complex): As soluções dos problemas são mais complexas, as realidades são difíceis de interpretar Ambíguo (Ambiguous): O que é bom hoje pode não ser amanhã. ” (Site Nexialistas)

A revolução 4.0 veio para mexer, tirar da zona de conforto. Segundo Gustavo Leme. “Precisamos aprender a aprender e aprender a desaprender”. Precisamos cada vez mais estar antenados nas novidades em nossa área de atuação. Na área de projetos e melhoria então? Não tem como não estar ligado no que ocorre no mundo, principalmente na área de tecnologia.

Podemos pensar nessas competências para agregar valor nessa MUVUCA que estamos vivendo. Negociações Complexas, Gestão de Tarefas, Pensamento Crítico, Design Doing, Market Insight Como serão os profissionais do futuro? Generalista? Especialista? Ou Nexialista? “Vivemos tempos líquidos, nada é para durar” (Zygmunt Bauman).

3. Assuntos mal resolvidos atrapalham o projeto

Vários fatores atrapalham o andamento de um projeto, falha no escopo, comunicação. Mas, em especial vou citar quatro, que se não forem trabalhados e resolvidos “vai dar ruim”.

Liderança, Comunicação interna, T&D, Competências
Que atire o primeiro post-it quem nunca esbarrou mesmo que de “leve” em uma dessas palavras acima?
Como é escolhido o líder? Qual critério é usado? É avaliado corretamente? Ou por ser líder não é avaliado? Se promovemos mal? Não nos “livramos” facilmente deles.

Comunicação interna: Aqui vão começar diversas desculpas. A comunicação não flui corretamente, equipe não sabe esperar orientações, não tem tempo de ler e-mail, mural, memorando, papel de pão, não sabem a estratégia da empresa.

Treinamento e Desenvolvimento: o bicho papão chamado budget, pouca mensuração de resultados, aula tradicional onde todos são tratados na mesma régua sem levar em consideração particularidades de aprendizado. Como dizia Albert Einstein: “Todo mundo é um gênio. Mas, se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore, ele vai gastar toda a sua vida acreditando que ele é estúpido”.

Competências: Como traduzir comportamentos observáveis? O mundo gira, mas as competências são as mesmas.

4. O futuro da aprendizagem não é o treinamento

O que vem à mente quando falamos em T&D? O habitual treinamento presencial? Maçantes e-learnings? Onde o personagem mexe apenas uma mão do começo ao fim do curso? (Rs).

A indústria 4.0 está aí, tecnologia anda a passos largos. As gerações X, Y, Z, millenium e sabe qual mais termos virá pela frente, já nascem com tablet na mão postando nas redes sociais. Eles não passaram pela transição do analógico para o digital como muitos de nós (eu me incluo nisso). Então porque usar o mesmo modelo do século passado e querer resultados diferentes e melhores?

Saímos de APRENDIZAGEM DE MASSA (Gestão da Eficiência) para garantia de um processo de aprendizagem que é individual, mobile, inteligente. Com isso vemos uma evolução dos modelos de aprendizagem:

4.1. Características do aprendizado 4.0

A forma de aprender mudou, agora ela é: individual, mobile, inteligente.

No mundo onde não podemos perder tempo, tudo é muito dinâmico, não podemos ocupar espaço em nosso “HD” com conhecimento desnecessário que não será utilizado agora, já nesse exato momento. Com isso, como privilegiar a individualização da aprendizagem? Podemos pensar da seguinte maneira: Trilha de desenvolvimento, Ecossistemas de conteúdo, projetos de curadoria, Projetos de Mentoria Estruturados.

4.2. Mobile e Inteligente

A aprendizagem mobile já é realidade em nosso cotidiano, certo? A pessoa precisa escolher quando e onde aprender. Com isso temos os exemplos de: Microlearning, soluções em vídeo, Plataformas digitais.

Precisamos ganhar tempo, então modelos preditivos que identifiquem preferências e façam sugestões com base no perfil do aprendiz são fundamentais. Nada de ficar preenchendo fichas enormes somente para protocolo ou atingir a meta de “X cursos feitos no mês”, que no final não trazem resultados tão significativos.

Tempo exclusivo para aprendizagem é luxo. Por isso a aprendizagem inteligente garante que trabalho e aprendizagem andem de mãos dadas no mesmo processo. Exemplos: Chatbots, Machine Learnings, Big Data e Modelos Preditivos, Adaptative Learning.

Por onde começar? Preste atenção não no que te respondem e sim no que buscam. A área de TI, por questões de segurança, tem mapeado cada acesso de internet de cada máquina dentro da empresa. (Se você não sabia disse, leia a página inicial quando abrir seu computador, ou leia o contrato que assinou sobre privacidade e confiabilidade).

Podemos usar isso a favor quando for mapear quadro de cursos. Exemplo: um funcionário diz que tem a competência de negociação. Mas, pelo mapeamento existe vários acessos a curso no YouTube de como ser um bom negociador. Entendeu que a resposta está na busca que a pessoa faz e não que ela te responde?

Outro exemplo é quando buscamos um perfume no Google, depois “aparece” anúncios na nossa timeline do Facebook justamente sobre o perfume que procuramos. Ou seja, isso já é usado. Cabe a empresa repensar sobre esse assunto.

Falando em soluções inteligentes podemos citar alguns exemplos que foram discutidos no evento nexialistas:

– Plataformas de Feedabck Instantâneo e Gestão de Desempenho On Line;
– Gamificação;
– KPIs do Negócio como direcionadores da Aprendizagem;
– Vínculo claro com a Performance.

Então, tudo é uma questão de mindset invertido. Porque não adianta nada fazer um mega fluxo, mudar processos, se não conseguirmos atender o nosso principal cliente que são os funcionários.

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