Inovação sustentável

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“Não pretendemos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque traz progressos. […] É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. […] Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência. […] Sem crise não há desafios; sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. […] Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.”

Parece que o texto acima foi escrito há minutos, certo? Que nada! Esse texto é atribuído a um cientista alemão, nascido no século 19 e que é responsável por muitas das inovações, seja em forma, seja em conteúdo, das coisas e processos que temos hoje: Albert Einstein. Ele foi um afortunado em viver plenamente todas as crises que o destino lhe reservou. E não reclamou! Viveu o âmago do texto acima, ou seja, pensou, criou, errou, inovou, trabalhou duro. E nada do que estabeleceu como processo ou “leis” foi ao acaso. Ele pensava de forma estratégica e integrada, ainda que primeiramente buscasse pela partícula indivisível dos problemas. Ele analisava as crises de forma ampla, porém detalhada e robusta. Mas também não lhe faltava a inspiração. Não é interessante? Um dos maiores cientistas do mundo moderno passeava entre os fatos e os pensamentos de uma forma ímpar. Por quê? Para que o resultado final fosse a conjugação entre a transpiração e a inspiração.

A pergunta que fica é se realmente isso é possível nos dias de hoje. Bem, talvez justamente por estarmos “nos dias de hoje”, com toda a conjuntura de mudança sócio-política-econômica-cultural e organizacional, é que me atrevo a afirmar que não só é possível como fundamental que isso ocorra – e para ontem!

Mesmo sabedores de que fazer algo de forma diferente, nunca antes pensada, está cada vez mais complicado devido à aparente falta de opções, principalmente no mundo corporativo cheio de estigmas, padrões e paradigmas estabelecidos há algum tempo. Bem, se é possível, mas é difícil, como fazer acontecer? Como pensar diferente, conjugando inspiração e inovação com transpiração e fatos e dados? Abra os olhos e os ouvidos. Não só os físicos, mas principalmente os da mente e os do coração. Isso mesmo, abrir as janelas da percepção e do sentimento. Olhar e ver o que não foi escrito, mas que já está manifesto, nas ações, comportamentos e atitudes das pessoas à sua volta. Creio que Einstein conseguiu um pouco disso, não? Não fosse assim, não estaríamos conversando sobre algo dito no princípio do século passado.

Mas, afinal, que lição devemos tirar disso tudo? Simples: na crise – pessoal, financeira, política etc. -, trabalhe duro para ultrapassar o momento de infortúnio, mas busque formas diferentes para melhorar o que está vivendo e, mais importante, que seja uma solução sustentável, em forma, conteúdo e ao longo do tempo. Afinal de contas, como disse nosso cientista, “no meio da dificuldade encontra-se a oportunidade!.” É só estar de mente e coração abertos.

Marcos Nascimento é consultor organizacional da McKinsey e educador

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