Líder paternalista

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Pesquisa revela que o jeito paizão do líder agrada mais no Brasil

Qual é o tipo de líder que mais agrada ao profissional brasileiro? Acertou quem disse ser o modelo de liderança paternalista, que relaciona a ação do gestor com compreensão, protecionismo e amizade. Esse é um dos resultados de um estudo publicado por Alfredo Behrens, professor e pesquisador do Programa de Estudos do Futuro (Profuturo) da Fundação Instituto de Administração.

A pesquisa, feita com alunos de MBA do Brasil e da Europa, revela que o estilo de governança preferido entre os estrangeiros é o do líder com foco intelectual, aquele que consegue conquistar a admiração de seus colaboradores pelo seu conhecimento. Já para a maioria dos trabalhadores brasileiros, na opinião dos respondentes, o estilo preferido é o do líder protetor. Behrens conta que identificar o estilo de liderança preferido em cada região é essencial para garantir a eficácia da gestão. “Com base nesse estudo, é possível perceber que o modelo eficiente de liderança no estrangeiro, por exemplo, não se aplica ao estilo do brasileiro”, acrescenta.

Mas, entre esses dois tipos e estilos de liderança, qual é o ideal: o paternalista ou o intelectual? “Não há um modelo ideal”, adianta o professor. Ele explica que a liderança intelectual funciona melhor na Europa e nos EUA entre pessoas que trabalham em indústrias da inteligência, como escritórios de advocacia, bancos, consultorias, que compõem a maioria dos que estudam MBAs. “No Brasil, a preferência pelo estilo paternalista de liderança é predominante.”

O professor destaca, ainda, que muitos problemas na gestão de multinacionais em nosso país decorrem dessa visão diferente entre os modelos de liderança. “Algumas companhias desse perfil [com o estilo de liderança intelectual] têm sérios problemas no Brasil por recrutarem, para administrar suas filiais, executivos de seu país de origem ou brasileiros sem o perfil característico da maioria dos brasileiros”, diz. “Essa receita tende a falhar porque o profi sua extensão os anseios dos trabalhadores que deve dirigir”, completa Behrens.

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