Gestão

Liderança possível

Bárbara Demange
18 de Maio de 2009

Nos últimos anos, a questão de liderança tomou proporções incríveis no mundo corporativo. Por quê? Talvez a resposta se relaciona à luta pelos resultados cada vez mais altos, à necessidade de as empresas terem pessoas que consigam levar “o barco para frente”, mesmo em condições não ideais.

Para mim, liderança virou moda, assim como nos anos 90 o conceito de modelo de competências era o produto que mais se vendeu na área de RH. Se estudarmos a questão, encontraremos quase o mesmo número de definições para liderança quanto o número de pessoas que tentaram descrever o conceito. Bernand M. Bass, professor de management na Universidade de Nova York, criou a teoria de liderança de cinco tipos. Baseado na ideia de que “onde há mistério, há dinheiro”, não é difícil imaginarmos o porquê de a maioria dos modelos de liderança ser tão incompreensível.

Em se tratando de liderança, o mais importante atualmente é proporcionar às empresas um modelo simples e eficiente, que possa ser aplicado no dia a dia para selecionar executivos e líderes. É muito comum, ao lermos algo sobre liderança, nos depararmos com a descrição de um super-homem, um ser capaz de transformar quase que magicamente a realidade de uma empresa. Um nível de superioridade que nós, pobres mortais, nunca vamos poder alcançar em termos de cargo ou responsabilidade. Será que é justo ou possível querer que cada diretor seja um novo Jack Welch ou Bill Gates?
Acho que não. Desejos precisam ser realistas para não se transformarem em frustrações absurdas.

O ponto-chave é que as empresas precisam de líderes que tenham visão de futuro, senso analítico para enfrentar os problemas rapidamente, capacidade de lidar com estresse e boas habilidades interpessoais. Essas características, como conceito, chegam bem mais perto de algo que é possível a alguém atingir. É possível às empresas encontrarem líderes reais, que possam mesmo agregar valor ao negócio e gerar informações úteis a qualquer CEO, em qualquer companhia.

Acadêmicos europeus – Paul Englert, Sue Seymour e Sarina Johnstone – desenvolveram um modelo simples, baseado em pesquisa empírica, porém extremamente eficaz. Melhor ainda: pode ser compreendido por qualquer executivo. Esse modelo se baseia em três  fatores: visão; energia positiva; e foco operacional. Esses fatores podem ser desmembrados em competências corporativas. Para, então, medi-los, fazemos uso de ferramentas que predizem a capacidade cognitiva, o comprometimento com prazos e qualidade, habilidades interpessoais e a tolerância ao estresse de cada indivíduo.

Ou seja, não existe mágica ou milagres. Existem estudos, pesquisas e metodologias desenvolvidas e testadas ao longo do tempo e à custa de dedicação. Bem conduzidas e aplicadas e nas mãos de quem esteja realmente buscando o melhor caminho para soluções reais em um mundo real, é possível, sim, a formação de times diferenciados, com bons líderes e bons profissionais em todas as frentes necessárias, que levem uma empresa ao êxito e à conquista de suas metas.

Bárbara Demange é diretora-geral da DA People Development

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