Gestão

Líderes e transformações

Eugenio Mussak
12 de novembro de 2014
Eugenio Mussak
Eugenio Mussak é professor da FIA, consultor e autor

Atualmente, é difícil participar de uma conversa em uma empresa sem que apareça a palavra “mudança”. As grandes transformações percebidas na sociedade, provavelmente puxadas pela evolução da tecnologia, afetam nosso jeito de trabalhar e fazer negócios. É necessário evoluir, o que significa mudar para melhor, constantemente. A empresa – ou o profissional – que se acomoda acaba perdendo espaço para aqueles que estão em movimento.

Quando o tema é liderança, de modo crescente se relaciona esse atributo com a capacidade de promover mudanças. Há lógica nessa relação. Nos livros de História, por exemplo, encontramos uma forte conexão entre os fatos históricos, os movimentos de mudança e as figuras históricas que estiveram à frente desses movimentos. Descobrimentos, conquistas, vitórias, invenções, avanços. Esses são alguns exemplos de mudanças que ajudaram a escrever páginas na história da humanidade. E sempre queremos saber quem esteve à frente delas.

Cada vez mais um líder será reconhecido por sua capacidade de promover mudanças evolutivas, e menos pelo cargo que ocupa. Esses “promotores de mudanças” têm algumas características em comum. Abaixo, algumas delas:

Inconformismo – significa não estar conforme, não concordar com uma situação estabelecida. Os inconformados são os que mais incomodam os outros, mas também são eles que provocam as melhores mudanças.
Coragem – sem esse atributo, ninguém promove mudanças. As pessoas, por princípio, resistem a elas, que ameaçam a situação atual, que – mesmo que não seja a ideal – é a conhecida.
Persistência – sem persistir, não adianta nem ser corajoso, pois as mudanças dificilmente são estabelecidas rapidamente. Demandam tempo. É necessário o tempo do entendimento, da assimilação, da aceitação e da ação.
Criatividade – sair do ponto A é uma coisa, chegar ao ponto B é outra coisa. O A eu já sei qual é, o B precisa ser criado. Sem o poder criativo ninguém vai prestar atenção ao seu inconformismo.
Relevância – a ideia nova tem de ser relevante, ou seja, tem de ser necessária, boa, útil, ética, se não, não tem coragem nem persistência que deem jeito. Ninguém quer sair de uma situação e ir para outra pior.
Método – para ir do ponto A ao ponto B é necessária uma estratégia, que é o nome que se dá ao método que será utilizado para cobrir essa distância.

A mudança pode ser difícil, lenta, traumática, incompreendida, e até equivocada. Mas é necessária. Assim como são necessárias as pessoas que assumem o risco de propor, e também aquelas que são as primeiras a entender, aceitar e iniciar o movimento. Esses first followers são os que puxam os demais, tendo, em si mesmos, comportamento de liderança. Sem pessoas com essas qualidades, provavelmente não teríamos saído do mundo medieval. Aliás, nem teríamos inventado a roda, e ainda estaríamos comendo raízes e carne crua.

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