Lista de referência

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    Adriano Vizoni
    Mônica, do Google, empresa vencedora de quatro categorias (foto: Adriano Vizoni)

    O que faz uma empresa ter um ambiente no qual as pessoas se sentem bem e produzem mais? Essa é a principal pergunta que o Great Place to Work (GPTW) faz, todo o ano, a cerca de seis mil empresas em praticamente todo mundo. A partir das respostas recebidas dessas organizações, e, sobretudo, de seus funcionários, percebe-se que existem áreas em que, consistentemente, as melhores empresas colocam um maior foco. “Sabemos, por exemplo, que elas dão extrema atenção aos processos de recrutamento e seleção, o que é perfeitamente compreensível: se queremos manter uma cultura forte e homogênea, devemos nos preocupar com os novos colaboradores que entram na empresa”, explica José Tolovi Jr., CEO global do GPTW e fundador da organização no Brasil.

    Não é à toa que o Google, para garantir que a pessoa que vai fazer parte de sua equipe possua o perfil mais adequado e desejado, tenha um rigoroso processo de recrutamento externo. Eleita pelo segundo ano consecutivo como a melhor empresa para trabalhar no país pelo GPTW, em ranking publicado pela revista Época, a companhia tem como principal ferramenta para contratações externas o Google Jobs, um espaço no site da empresa que recebe os currículos de pessoas interessadas. Quando uma pessoa desperta o interesse da empresa, ela é convocada para uma entrevista, na qual o histórico profissional e o desempenho acadêmico são avaliados para garantir que o candidato tenha um bom aproveitamento acadêmico.

    Esse processo meticuloso na hora de contratar foi o que deu base para o Google marcar, novamente, sua presença na relação das melhores práticas em gestão de pessoas da revista MELHOR feita em parceria com o GPTW. Além de ser destaque em recrutamento e seleção, o Google também figura nas categorias RH de grandes empresas e multinacionais, Hospitalidade e RH da melhor empresa. Mas antes de sair em busca de um profissional no mercado, o Google procura internamente a solução, em sua intranet, por meio de uma ferramenta chamada Compass. Nesse caso, como explica a diretora de RH da empresa na América Latina, Mônica Santos, o processo é bem mais simples que o recrutamento externo, pois o funcionário já foi aprovado anteriormente para fazer parte do time e comprovou que possui as condições para atuar na companhia.

    Dimensões
    Este é o sexto ano consecutivo em que MELHOR e o GPTW fazem um levantamento sobre as práticas mais consistentes e inovadoras em gestão de pessoas a partir do ranking das melhores empresas para trabalhar. Na edição deste ano, uma novidade na lista foi a inclusão das dimensões com as quais o instituto trabalha: credibilidade; respeito; imparcialidade, orgulho; e camaradagem (veja mais sobre cada uma delas no box Confiança gera mais que confiança). “Ao longo de 15 anos pesquisando ambientes corporativos, coletamos milhões de opiniões de funcionários de milhares de empresas instaladas nos quase 50 países nos quais a pesquisa é feita. E o mais surpreendente é que o ambiente de trabalho das melhores é permeado por características muito semelhantes: confiança, orgulho e camaradagem”, diz Tolovi Jr.

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    Outra novidade é o destaque de uma empresa bem jovem na lista de MELHOR: a Radix. Criada no Rio de Janeiro, ela esbanja jovialidade não apenas pelo seu tempo de vida (foi fundada ano passado), mas também pela proximidade com as universidades. É dessas instituições que sai boa parte dos talentos de que necessita para vencer os desafios futuros. E um deles é crescer. “Temos de crescer, aumentar a lucratividade e consolidar as nossas primeiras grandes conquistas. O radixiano [como é chamado o funcionário na empresa] é uma peça-chave nesse processo e ele precisa estar motivado para se sentar no banco do motorista”, diz Luiz Eduardo Rubião, presidente da Radix. “A estruturação do nosso RH pretende justamente organizar as coisas para viabilizar e preservar a existência de um grupo de pessoas que sejam capazes de fazer a diferença e conseguir atingir estes objetivos.”

    Foco nas pessoas
    Pessoas é o cerne da Radix, como explica Rubião. “As boas empresas para trabalhar são aquelas em que os gestores encaram o desafio de lidar com as pessoas. Isso requer uma disposição especial e uma capacidade de abrir seu coração e sua mente para novos relacionamentos complexos e intensos. Não adianta ser superficial quando você faz uma escolha dessas”, conta. E a área de RH, com isso, ganha destaque: “Ela sempre foi importante para qualquer empresa que se propusesse a fazer um trabalho sério e duradouro. Mas a situação mudou e, hoje, RH é uma área estratégica do ponto de vista de negócios. Tão estratégica quanto uma área comercial.” O executivo explica essa importância pelo fato de as duas áreas conseguirem as duas coisas mais importantes que uma companhia precisa. “A comercial consegue os clientes e o RH, as pessoas. Consegue, trata, mantém, motiva, fideliza, cativa, desenvolve e tantos outros verbos bacanas e que podem ser aplicados exatamente às duas áreas.”

    Destaque como RH de pequenas e médias empresas e na dimensão credibilidade, a Radix divide com o Google um posto importante na lista deste ano: a de RH da melhor empresa para trabalhar. Isso porque, na edição de 2011 do ranking do GPTW foi criada uma nova categoria: Médias e Pequenas (que empregam de 100 a 999 funcionários). Segundo Ruy Shiozawa, CEO do instituto no Brasil, isso foi motivado pela análise dos resultados obtidos por aqui e em mais de 40 países nos quais a pesquisa é conduzida. “Avaliando os resultados nacionais e comparando-os com padrões internacionais, concluímos que tínhamos uma excelente oportunidade para inovar. Ou seja, chegamos à conclusão de que era possível premiar mais empresas, dado o elevado nível de desempenho dos ambientes corporativos”, diz. “Além disso, embora as empresas de grande porte sejam avaliadas com os mesmos critérios aplicados na análise das pequenas e médias, cada uma delas apresenta práticas peculiares ao porte. Tanto as grandes quanto as de pequeno porte podem aprender muito com organizações similares”,
    afirma o executivo.

    Retorno do investimento
    Segundo Tolovi Jr., nos últimos 15 anos, as empresas da América Latina – com ênfase, as do Brasil – aprimoraram as práticas de gestão de pessoas, registrando um desenvolvimento, nesse tema, muito mais consistente que as companhias dos EUA e da Europa. “A área de RH passou a fazer parte de um comitê de direção, ou seja, conquistou o status de estratégica. O impacto foi altamente positivo, inclusive nos negócios, quando os gestores perceberam que cuidar das pessoas é um investimento lucrativo”, afirma Tolovi Jr.

    Shiozawa dá um bom exemplo para comprovar essa estreita ligação com os resultados financeiros das empresas. “Podemos dizer que os resultados das empresas cotadas em bolsa –  e que integram o ranking brasileiro das 100 melhores empresas – são três vezes superiores aos resultados do indicador da Bolsa de Valores de São Paulo [Ibovespa], nos últimos 10 anos, para o conjunto de empresas”, diz. “Nos EUA, uma comparação semelhante de 1998 a 2009 mostra uma relação de mais de cinco vezes se compararmos a carteira de ações das melhores com o indicador Russel 3000, da Russel Investment Group”, complementa. Shiozawa conta que as melhores empresas têm como ponto forte na gestão uma atenção especial com o tratamento dedicado ao indivíduo. “As práticas de gestão de pessoas mostram o impacto positivo desse investimento nos resultados financeiros dessas companhias e no alto índice de confiança que os funcionários têm na empresa”, afirma o executivo.

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    Práticas culturais
    Outros aspectos que se destacam na gestão de uma excelente empresa para trabalhar são o reconhecimento, o desenvolvimento das pessoas, da mesma forma que a criação de oportunidades e desafios, e a celebração das conquistas, atribuídas sempre ao esforço das pessoas. “Essas posturas são algumas das práticas culturais que observamos nas melhores organizações, sempre com formatos e ações bastante particulares”, diz Tolovi Jr. “As melhores empresas têm formas muito peculiares de cuidar de seus colaboradores. Não desenvolvem práticas de gestão de pessoas porque imitam o mercado, mas porque acreditam que os resultados vêm das pessoas; quanto melhor as pessoas se sentirem na empresa, melhores serão esses resultados.”

    Para o editor de MELHOR- Gestão de Pessoas, Gumae Carvalho, ter um ambiente em que o colaborador se sente bem acolhido e com o senso de pertencimento bem definido e fortalecido é um passo importante para o encontro do sentido do trabalho de cada um. “Há um alinhamento entre as aspirações pessoais e organizacionais que ajuda na realização dos objetivos”, conta. E são as práticas de gestão de pessoas que azeitam esse processo. Nesse ponto, Carvalho ressalta a lista publicada por MELHOR em parceria com o GPTW. “Por mais que as práticas e ações das melhores tenham sua carga de particularidade, é sempre importante levar aos nossos leitores uma lista de referência, de exemplos. As 18 companhias que estão nesta edição mostram que é possível transformar um discurso corrente no mundo corporativo em algo concreto: de que as pessoas são o principal ativo”, observa. “Esse é um exemplo que não tem preço.”

     

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