Mais caras para as empresas

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Em pouco mais de 1,5 mil quilômetros quadrados está o maior custo de vida para expatriados das Américas. Com 38% das 100 maiores empresas privadas de capital nacional e 63% dos grupos internacionais instalados no país, segundo informações da revista Latin Trade, São Paulo é, no continente americano, a cidade mais cara, de acordo com pesquisa divulgada pela Mercer.


A capital paulista ocupa a 21ª posição no ranking geral elaborado pela consultoria – que avaliou 214 cidades em todo o mundo a partir de custos comparativos de mais de 200 itens em cada local, incluindo moradia, transporte, alimentação, vestuário, utensílios domésticos e diversão.

O fortalecimento da moeda brasileira em relação ao dólar americano é a principal razão apontada pela Mercer para tornar São Paulo a mais cara para expatriados nas Américas, sendo seguida por Rio de Janeiro (29ª no ranking geral). Em terceiro lugar na região vem Havana (45ª) e depois aparecem Bogotá (66ª), na Colômbia, e a capital brasileira, Brasília (70ª).


Tendo como base a cidade de Nova York, o levantamento feito pela Mecer revela, pela primeira vez, a inclusão de três centros urbanos africanos entre as 10 cidades mais caras do mundo – um deles, aliás, lidera o ranking: Luanda, em Angola (veja tabela na pág. 100). Na terceira posição está Ndjamena, no Chade, e a gabanesa Libreville ocupa o 7º lugar. Os dez primeiros também incluem três cidades asiáticas; Tóquio (2ª), Osaka (6ª) e Hong Kong (empatada em 8º lugar com a suíça Zurique). Moscou (em 4º) e Genebra (5º) são as duas cidades europeias mais caras.


De acordo com Nathalie Constantin-Métral, pesquisadora sênior da Mercer e responsável por compilar a classificação, nos dois últimos anos, as transferências corporativas tornaram-se verdadeiramente globais, com expatriados sendo enviados para todas as partes do mundo. “Porém, a mobilidade global ainda é um empreendimento dispendioso para as empresas. Portanto, a seleção dos candidatos certos e a compreensão real dos custos envolvidos no envio de pessoal para outros países são essenciais, especialmente no atual ambiente econômico”, afirma.


As cidades que compõem o ranking são selecionadas com base nas solicitações dos clientes multinacionais da consultoria, explica Nathalie, que destaca a participação das localidades africanas como reflexo da crescente importância econômica da região para empresas globais de todos os setores de negócios. A pesquisadora lembra, ainda, que no cálculo do custo de uma cidade o item moradia – frequentemente a maior despesa para expatriados – desempenha um papel importante na determinação da posição na classificação das cidades.


Europa e Oriente Médio
Depois de Moscou, Genebra, Zurique e Copenhague, as cidades mais caras da Europa são Oslo (11ª), na Noruega, Milão (15ª), na Itália, Londres e Paris (ambas em 17º lugar), e a capital suíça, Berna (22ª). Na outra ponta da lista, ou seja, as cidades com menor custo de vida, encontram-se a albanesa Tirana (200ª), seguida por Skopje (197ª), na Macedônia, Sarajevo (196ª), na Bósnia-Herzegovina, Minsk (192ª), na Bielorússia e Belfast (182ª), no Reino Unido. 


Ocupando o 19º lugar no ranking geral da Mercer, Tel Aviv, em Israel, é a cidade mais cara no Oriente Médio, seguida por Abu Dabi (50ª) e Dubai (55ª). Já Trípoli (186ª), na Líbia, é o local menos caro no Oriente Médio, seguido por Jeddah (181ª), na Arábia Saudita, e Muscat (I76ª), em Omã.


De acordo com Nathalie, os custos residenciais continuam decrescentes em Abu Dabi e Dubai, empurrando para baixo o custo de vida de expatriados. “As classificações também são muito suscetíveis a flutuações das taxas de câmbio. Entretanto, em lugares como Jeddah e Trípoli, a carência de residências adequadas para expatriados, combinada a uma forte demanda, estimularam os custos para cima”, acrescenta a pesquisadora.


́frica
Seguindo Luanda, Ndjamena e Libreville, as cidades mais caras na região são Vitória (13ª), em Seychelles, Niamey (23ª), no Níger, e Dakar (32ª), no Senegal. Na ́frica do Sul, Johanesburgo e a Cidade do Cabo estão nas posições de número 151 e 171, respectivamente. No final da classificação, Adis Abeba (208ª), na Etiópia, é a cidade africana mais barata.


“Temos visto um aumento da demanda por informações sobre cidades africanas em vários segmentos, como mineração, serviços financeiros, linhas aéreas, manufatura, empresas de serviços públicos e de energia”, informa Nathalie. “Muitas pessoas supõem que cidades no mundo em desenvolvimento são baratas, mas isso não é necessariamente verdade para os expatriados que trabalham nelas. Para atrair talentos para essas localidades, as multinacionais precisam proporcionar o mesmo padrão de vida e benefícios que esses empregados e suas famílias teriam no país de origem. Em algumas cidades africanas, o custo disso pode ser extraordinariamente alto, particularmente o custo de residência de boa qualidade e segurança”, explica a pesquisadora.


As Américas
Tendo visto a posição de destaque de algumas das cidades brasileiras no alto do ranking, resta destacar, na América do Sul, as que possuem o menor custo de vida. São elas: Manágua (212ª), na Nicarágua, La Paz (211ª), na Bolívia, e Assunção (204ª), no Paraguai.


Mais para cima no mapa, mais precisamente nos EUA, aparece Nova York (27ª) como a cidade mais cara daquele país, seguida por Los Angeles (55ª). Washington está na 111ª posição. A cidade norte-americana menos cara por lá é Winston Salem (197ª). A Cidade do México (166ª) é a cidade mais cara no México, enquanto a mais barata é Monterrey (193ª). Vancouver (75ª) é a canadense mais cara, seguida por Toronto (76ª) e Montreal (98ª). Ottawa (136ª) é o destaque em termos de ecomonia. “O enfraquecimento do dólar americano em relação a outras moedas, combinado com uma diminuição no custo dos aluguéis residenciais, fez as cidades americanas despencarem na classificação”, conta a pesquisadora sênior da Mercer, lembrando que, no entanto, a partir de março de 2010, o dólar se fortaleceu, de modo que a situação está oscilando.


́sia-Pacífico
Duas cidades japonesas, Tóquio e Osaka, são as mais caras na região. Outras em posições altas são Hong Kong (8ª), Cingapura (11ª), Seul (14ª), Beijing (16ª), Nagoya (19ª), no Japão, Shanghai (25ª) e Taipei (78ª).  Sete cidades chinesas aparecem na classificação de 2010, destacando a crescente importância comercial para multinacionais de outros locais que não são apenas Beijing, Shanghai e Hong Kong.

Nova Délhi (85ª) é a cidade mais cara na ͍ndia, seguida por Mumbai (89ª) e Bangalore (190ª). Já Islamabad (212ª) e Karachi (214ª), no Paquistão, são as menos caras na região. Na Austrália, o expatriado vai encontrar um custo de vida maior em Sydney (24ª). Depois dela, Melbourne (33ª) e Brisbane (55ª) são as mais caras naquele país. Por outro lado, Adelaide (90ª) é a que apresenta custos menores.


Auckland (149ª) é a cidade mais cara na Nova Zelândia, enquanto Wellington (163ª) é a mais barata. O dólar australiano e o dólar neozelandês valorizaram-se fortemente em relação ao dólar americano, o que fez com que as cidades subissem na classificação. “No final de 2009 e começo de 2010, os preços de imóveis residenciais em muitos países asiáticos se elevaram, Í  medida que o ambiente econômico começou a se estabilizar e a demanda por boas residências para expatriados cresceu”, lembra Nathalie. “O fortalecimento tanto do dólar australiano quanto do neozelandês em relação ao dólar americano tornou as cidades australianas e neozelandesas mais caras para expatriados vindos dos EUA”, diz.








São Paulo, a mais cara das Américas


São Paulo que amanhece trabalhando / São Paulo que não pode adormecer / Porque durante a noite / O paulista vai pensando / Nas coisas que de dia vai fazer… A música de Billy Blanco reflete um pouco o que é a cidade que recebeu, somente no ano passado, quase o mesmo número de habitantes: 11 milhões de turistas. Desse continente, aproximadamente a metade (56,1%) vem a negócios; 22,4% para participar de eventos; 10,9% a lazer; 4% para estudos; 2,6% para visitar parentes e amigos e 2,5% para assuntos relacionados Í  saúde.









Prepare o bolso


As cidades mais caras do mundo, para expatriados, segundo pesquisa da Mercer;

1. Luanda (Angola)
2. Tóquio (Japão)
3. Nadjamena (Chade)
4. Moscou (Rússia)
5. Genebra (Suíça)
6. Osaka (Japão)
7. Libreville (Gabão)
8. Hong Kong (China) e Zurique (Suíça) – empatados
10. Copenhague (Dinamarca)









Já ouviu falar de Karachi?


Ela é a cidade mais populosa do Paquistão e a capital da província de Sind, no sul do país. Centro financeiro, comercial e portuário do país, Karachi conta com uma população de cerca de 15,5 milhões de habitantes, sendo uma das maiores cidades do mundo em termos de população urbana. E é a cidade com o menor custo de vida, segundo a pesquisa da Mercer.

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