Gestão

Mais perto dos filhos

17 de Abril de 2014

Mesmo com a crescente ascensão das mulheres no mercado de trabalho, muitas ainda deixam a carreira de lado quando optam pela maternidade. Para boa parte delas, a volta ao trabalho implica deixar o filho com parentes ou em creches públicas ou privadas – o que causa preocupação e sofrimento para a maioria das mamães, independentemente dos cargos que ocupam. Então, após a licença-maternidade elas têm de retomar a rotina, mas, e agora? Com quem deixar o bebê? Resposta correta: na empresa. Isso mesmo, o que era sonho se tornou realidade para muitas mamães, que encontraram na empresa em que trabalham o benefício da creche corporativa como alternativa para ficar mais perto dos filhos.

Atualmente, grandes empresas brasileiras investem em creches corporativas para trazer mais tranqüilidade a essas mães e, em paralelo, incentivar a carreira de suas colaboradoras após a maternidade. Para isso, elas criam espaços bem elaborados, separados por faixa etária e repletos de atividades para o aprendizado e desenvolvimento das crianças. A CEDUC, prestadora de serviços educacionais, especializada na criação e gestão de creches no ambiente corporativo, ajuda muitas empresas a criarem projetos dessa natureza. Atualmente, ela administra as creches corporativas da Avon, Natura e Unilever e, segundo Danielle Cristina Wolff, sócia fundadora do CEDUC, vários pontos devem ser levados em consideração para a criação desses espaços. “As creches, do ponto de vista da estrutura, são muito semelhantes às creches e escolas privadas que conhecemos. Em geral contam com salas que atendem crianças separadas por faixa etária e também para cada modalidade de atividade, além de salas para acolher as crianças durante todo dia. Para isso, nós do CEDUC desenvolvemos desde projetos arquitetônicos até o auxílio no desenvolvimento de políticas de relacionamento com o colaborador. Isso engloba a gestão do serviço, inclusive na contratação dos profissionais que vão atuar nesses ambientes, e que lidam direta ou indiretamente com a criança.”

Danielle Wolf
Danielle Cristina Wolff, sócia fundadora do CEDUC

Ao explorarem esses métodos em suas creches, essas empresas tornam-se ainda mais admiradas por suas colaboradoras. É unânime entre elas o reconhecimento das práticas desenvolvidas pela organização para atender as principais necessidades do universo feminino. Esse sentimento é vivenciado pela colaboradora da Natura, Sandra Gonçalves, mãe de Guilherme e Miguel. “Trabalhar em uma empresa com berçário materializou o meu desejo e escolha de ser mãe, sem pausa na minha trajetória profissional. A palavra que define meu sentimento é gratidão, por confiar e compartilhar os cuidados e educação de meus filhos, desde tão cedo. E ao longo do período perceber que o bebê se transformou em criança e também a evolução deles como ser humano, compartilhando dos mesmos valores da Natura (cuidado com as pessoas com o meio ambiente, entre outros). Em um país onde a educação é um tema tão relevante contar comum berçário na empresa é excepcional.”

Bons exemplos
A Natura, que desde 1991 possui um berçário para crianças de quatro meses a três anos em suas sedes em São Paulo e em Cajamar, acredita que o seu berçário tem como desejo fortalecer o vínculo entre mãe e filho, possibilitando à mãe a liberdade de amamentar mesmo após a volta ao trabalho, além de acompanhar com mais proximidade a educação do seu filho. Segundo Fátima Rosseto, diretora de desenvolvimento e educação da Natura, “esse benefício permite à mulher conciliar com mais suavidade o papel de mãe e profissional. A Natura, por meio dos berçários, materializa sua escolha em assumir junto com suas colaboradoras o compartilhamento do cuidado com a infância, além de oferecer a oportunidade da colaboradora em exercer os diferentes papéis de ser profissional e mãe ao mesmo tempo”.

O espaço funciona diariamente das 5h20 às 20h e é 100% subsidiado pela empresa. Além dos benefícios físicos e educacionais trazidos às crianças (alimentação, itens de higiene e material pedagógico), a creche traz um alívio financeiro para as mães. De acordo com os cálculos da empresa, o valor que seria gasto com este benefício representaria mais que 130% do salário de uma colaboradora de nível operacional e de 10% a 40% para uma colaboradora em nível de administrativo/gerencial.

Debora Albuquerque
Débora Albuquerque, coordenadora de projetos de IT da Avon

Já a Avon, uma das pioneiras em creches corporativas no Brasil (desde 1981), que tem nas mulheres o seu principal capital humano, investe a carreira de suas colaboradoras sem desvincular a maternidade do processo. No que diz respeito à creche, a empresa incentiva o aleitamento materno e se baseia nesse princípio ao estimular as mães a manterem tal prática, estimulando que as colaboradoras trabalhem sua rotina profissional sem interromper as necessidades da criança no momento da amamentação. “O Aleitamento é uma questão muito importante para nós, não só pela mãe poder fazer isso pelo seu filho, mas também para a saúde da criança. Essa questão é tão importante para nós que liberamos essas mães, não importa o horário ou o cargo, para que ela realize essa função”, comenta Tatiana.

#L# O processo para a adesão do benefício já começa a ser discutido após a colaboradora informar sobre a gravidez. Após essa comunicação, nós repassamos as informações sobre esse benefício para que ela possa escolher a vir a ter direito ou não. “Ela, optando pela creche, passará por um trabalho bem forte com a equipe do berçário que gerencia todo o espaço, para ajudá-la nesse acompanhamento, de forma a educá-la e passar boas práticas. O uso do benefício pode ser usufruído também por novas colaboradoras contratadas que possuam filhos com faixa etária requerida para usufruir do espaço, que é de seis meses até dois anos de idade”, explica Tatiana Sereno, HR Business Partner Sales & Marketing.

   
 Creche Avon                                Crédito: CEDUC  Cheche Avon                             Crédito: CEDUC

#Q#

Elaine Uema, gerente de tesouraria da Avon com o marido os filhos

A executiva explica ainda que mesmo com uma porcentagem muito pequena de colaboradoras que optam pela maternidade e desistem da carreira, o benefício da creche corporativa é fator decisivo no quesito profissional dessa colaboradora. “Basicamente é uma questão de escolha. Acredito que algumas deixam a profissão por questões financeiras, outras valorizam mais a escolha tem a ver com a importância do o papel da maternidade. A escolha depende muito do papel que eu desejo me empenhar e se eu quero ou não manter os dois (trabalho e maternidade). Contudo, o que podemos falar sobre o benefício do berçário é que dificilmente uma mãe que tem um filho no espaço pede para sair, porque faz muita diferença para ela no que diz respeito à tranqüilidade e aos custos financeiros. Então, você vê qualitativamente que é um benefício muito recebido por aqui.”

Esses valores podem ser reforçados com o depoimento de Elaine Uema, gerente de tesouraria da Avon, que conta que a sensação de ter o filho próximo é a melhor possível. “Você consegue se dedicar a todas as demandas profissionais e ao mesmo tempo participar ativamente do crescimento do bebê. Com o acesso livre ao berçário, a mãe consegue prover amamentação para o bebê por muito mais tempo, beneficiando a saúde, imunidade e crescimento do mesmo. Essa tranquilidade afeta diretamente na melhoria do nosso desempenho profissional, pois permite desempenharmos a função sem nos preocuparmos com o bebê.”

O mesmo sentimento também é compartilhado por Débora Albuquerque, coordenadora de projetos de IT, que se diz muito tranquila com o filho no berçário da empresa. “Me senti e me sinto super tranquila com ele aqui e minha preocupação hoje em dia se resume em pensar o que fazer quando ele tiver de sair daqui, o benefício é para bebês até dois anos de idade. Isso interfere de forma direta na minha carreira. Voltei ao trabalho super motivada a retomar as minhas atividades e tendo a certeza de que pretendo continuar na Avon. No dia a dia, consigo executar minhas tarefas com total tranquilidade e sempre que possível, ao menos uma vez ao dia, vou até o berçário ver meu bebê. Isso não atrapalha minhas atividades, pois é muito rápido, me tranquiliza e sei que é bom para o meu filho também manter esse nosso contato.”

Adesão e outras escolhas
Não se sabe ao certo o número de empresas brasileiras que possuem esses espaços, porém, segundo o CEDUC, a adesão a novas creches corporativas têm crescido com o passar dos anos devido às práticas de recursos humanos que reforçam a importância da mulher no mercado de trabalho. “A procura tem crescido muito por se tratar de um aspecto muito importante na vida das mulheres e esses espaços têm se mostrado como um grande diferencial para a empresa na medida em que ela consegue oferecer o serviço”, explica Danielle, do CEDUC. Esse benefício pode ser custeado integralmente ou ser pago pela colaboradora por meio de cooparticipação e faz parte das práticas da empresa estabelecer a sua política de relacionamento com o colaborador e a faixa de contribuição.

Outra opção para as mamães é usufruir do auxílio-creche. Esse benefício, regulamentado pela constituição, prevê que toda empresa que possua mais de 30 empregadas com idade superior a 16 anos é obrigada a manter local onde as mães possam dar assistência aos seus filhos no período de amamentação. O benefício é um valor que a empresa repassa diretamente às empregadas, de forma a não ser obrigada a manter uma creche.

Creche Natura                                 Crédito: CEDUC Creche Natura                                 Crédito: CEDUC

A Avon é uma das empresas que mantém os dois modelos de benefício (creche corporativa e auxílio-creche) e explica que a adesão por um ou outro modelo é uma questão de escolha. “Algumas funcionárias optaram pelo auxílio-creche, mas quando nós criamos o berçário e o oferecemos para as colaboradoras foi para reconhecer a importância do papel da mulher para a empresa e para possibilitar a ela sua emancipação”, explica Tatiana.
#L# Sendo assim, já que o lado profissional e pessoal da mamãe está resolvido, resta a ela repassar toda a segurança e carinho para o bebê, passando para ele a confiança que elas possuem nas creches corporativas. “Você ficará muito bem aqui… e eu estarei do seu lado para acompanhar seu desenvolvimento e claro, te dar um abraço e um beijinho, sempre que sentir vontade. Estou feliz porque completamos mais uma fase nas nossas vidas e garanto que essa nova etapa será tão boa ou melhor que a primeira”, afirma Christiane Braga de Oliveira, colaboradora na Natura e mãe de Leonardo.

* Auxílio-creche
A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), em seu artigo 389, parágrafo 1º, estabelece que toda empresa que possua estabelecimento em que trabalharem pelo menos 30 mulheres com mais de 16 anos de idade deverão ter local apropriado onde seja permitido às empregadas guardar sob vigilância e assistência os seus filhos no período da amamentação. Nos termos da Portaria 3.296/1986, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a empresa poderá, em substituição à exigência contida no parágrafo 1º, do artigo 389, da CLT, adotar o sistema de reembolso-creche.
Fonte:
MTE

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