Gestão

Mais segurança para o futuro

Mauro Machado Pereira
17 de Março de 2009

A crise vem assustando muitas empresas seja por meio de quedas nas expectativas de lucro, na diminuição da demanda ou pela necessidade de redução do número de funcionários. Mas a mesma crise também vem tirando o sono de muitos gestores de RH quando o assunto são os planos de previdência complementar.

Neste momento detectamos que, no Brasil, as principais preocupações das empresas patrocinadoras dos planos de contribuição definida, independentemente do veículo financeiro, referem-se à rentabilidade da carteira de investimentos de seus planos e os reflexos em seus participantes.

Na visão dessas empresas, a maior preocupação é a definição de uma estratégia de longo prazo para minimizar as perdas financeiras acumuladas pela população de participantes em seus saldos de conta. A segunda, e mais urgente, está focada naqueles participantes que se aposentarão nos próximos anos, que podem ter os seus benefícios futuros reduzidos significativamente, em função das perdas financeiras recentes.

Assim, neste cenário tão conturbado e incerto, que se reflete também internacionalmente, entendemos aplicável uma estratégia de decisões para o ano que se inicia, baseadas em alguns itens que servirão como um guia para ajudar esse setor a alcançar o porto seguro, em um futuro breve – ao menos é o que esperamos. As decisões para o patrocinador de planos de contribuição definida no Brasil, para 2009, são:
 
Avalie a taxa de gestão cobrada em sua carteira de investimentos
Atualize as pesquisas sobre os gestores de mercado para verificar se a taxa cobrada está adequada com ao porte e complexidade do plano.
 
Confirme os riscos de sua carteira de investimentos
É fundamental que a empresa e os participantes entendam dos riscos assumidos na política de investimentos, assim como a composição da carteira de investimentos.
 
Revise a forma como você gerencia o seu plano de previdência
Essa, talvez, seja a decisão de mais fácil resolução. Lembre-se de que o benefício de previdência é um dos mais “visíveis” para os empregados. Um bom gerenciamento do plano permite prováveis ganhos na gestão financeira e bons serviços prestados aos seus participantes.
 
Determine se a maturidade de sua carteira de investimentos é adequada para a população de participantes
Neste caso, é importante verificar se a sua carteira adere às expectativas de pagamento de benefícios futuros. Se a sua população é jovem, por exemplo, faz muito sentido ter uma carteira com parcelas significativas de renda variável (sempre pense no longo prazo).
 
Revise a estratégia de comunicação
Comunicação ampla e clara é sempre importante. Neste momento, é uma ação fundamental. Trabalhe o conceito de “educação financeira”. Isso fortalecerá o entendimento de longo prazo que os investimentos em previdência devem observar.

Revise a política de investimentos
A política de investimentos pode ser revista, considerando a instabilidade de curto prazo. Contudo, é importante lembrar que os compromissos do plano, em geral, são de longo prazo. Cuidado para não “realizar” prejuízos.
 
Incremente os processos de governança
Se a queda de rentabilidade assustou sua empresa, isso pode significar que os processos de governança que você programou não estão totalmente adequados. Revise-os cuidadosamente. Este é o momento para isso.
 
Revise os procedimentos administrativos
Em momentos de forte estresse, como os dias de hoje, uma fonte adicional de problemas junto aos seus empregados pode ser a qualidade dos serviços prestados pelo provedor de seu plano de previdência (independentemente do veículo financeiro). Faça uma pesquisa de qualidade dos serviços junto aos seus colaboradores, por exemplo. Certifique-se de que o que você paga ao provedor retorna em qualidade, transparência e governança.
 
Multiportfólio
Neste momento, pode ser interessante uma análise de sua companhia sobre essa questão. Se a política de investimentos e a composição da carteira de investimentos de seu plano são totalmente definidas pela empresa, talvez seja adequado “dividir” essas responsabilidades com os participantes. Lembre-se de que cada pessoa possui características individuais e únicas. Dessa forma, nada mais natural que ela pense e defina a forma como o seu futuro será alcançado.
 
Acreditamos que essas decisões ajudem as empresas patrocinadoras e os participantes na gestão de seu plano. Este é um benefício diferenciado de mercado e uma das razões que levam os empregados a valorizar a empresa. Portanto, vale se dedicar para alcançar a segurança necessária, a fim de haver ganhos sempre. 
 
Mauro Machado Pereira é consultor sênior de previdência da Mercer (baseado no estudo realizado por Bárbara Marder, consultora internacional da Mercer)

Compartilhe nas redes sociais!

Enviar por e-mail