Mal-estar financeiro

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    A maioria dos americanos obtém cobertura de saúde graças às empresas em que trabalham – e o presidente eleito Barack Obama, durante a campanha, não apresentou propostas para mudar isso. Porém, mais de um terço dos empregadores nos EUA (quase exclusivamente pequenos empresários, com menos de 500 funcionários) não patrocinam qualquer plano de saúde para seus colaboradores. E qual a razão disso?

    De acordo com uma recente pesquisa da Mercer, feita junto a 545 desses empresários, a maioria deles acredita que, em vista de seu preço atual, a cobertura médica a empregados está muito além de suas possibilidades financeiras. Ou seja, 43% dos empregadores responderam que não oferecem planos de assistência médica devido ao custo (veja outras razões no boxe). “Esse resultado demonstra quanto vai ser difícil pedir a empregadores muito pequenos que arquem voluntariamente com a despesa de provimento de cobertura de saúde”, diz Linda Havlin, worldwide partner da Mercer. “Ajuda também a explicar por que planos catastróficos de custo relativamente baixo, tais como os Health Savings Account (HSAs), não obtiveram grandes avanços junto a pequenos empregadores, que vêem o oferecimento de cobertura como um obstáculo financeiro.”

    Quase metade desses empregadores diz ser pouco provável oferecer algum plano dentro dos próximos três anos (49%) e apenas cerca de um quarto diz haver mesmo alguma probabilidade ainda que reduzida. Linda acrescenta que, embora a maioria dos empregadores esteja comprometida em ajudar seus empregados e respectivas famílias a serem saudáveis, produtivos e financeiramente seguros, o levantamento demonstra que o custo constitui uma preocupação simplesmente grande demais para muitos desses pequenos empregadores.                      

    Propostas
    Foi solicitado às empresas patrocinadoras de planos de saúde que dessem sua opinião sobre oito reformas da assistência à saúde propostas pelos candidatos na última campanha presidencial, pelos membros do Congresso ou pelos governos estaduais. Com os empregadores mais propensos a desaprovar do que a aprovar qualquer uma dessas reformas, os resultados demonstram as dificuldades de tentar obter consenso em relação a mudanças no sistema de assistência à saúde.

    Uma das propostas mais intensamente debatida, que emergiu durante a campanha presidencial, foi o plano do senador John McCain de terminar ou limitar a exclusão tributária dos benefícios de saúde patrocinados por empregadores. Cerca de 40% dos empregadores se opõem a tal plano e apenas 30% o apóiam. Quanto maior o empregador, mais provável sua desaprovação (57% dentre os que têm 20 mil ou mais empregados desaprovam).

    A metade dos empregadores se opõe às leis de play or pay, que exigiriam dos empregadores oferecer cobertura de saúde ou pagar a um fundo governamental para dar cobertura aos não segurados (apenas 31% apóiam e 19% nem apóiam, nem desaprovam). Atacadistas e varejistas (68%) e industriais (56%) são os que mais, provavelmente, desaprovariam uma exigência de play or pay.

    Apenas duas das idéias de reforma têm o apoio da maioria, ou da quase maioria dos empregadores: pouco mais da metade apóiam a exigência de que cada indivíduo tenha cobertura de saúde, desde que possa arcar com ela, seja por meio de seu empregador, seja comprada pelo próprio indivíduo.

    Embora a plataforma de governo do presidente eleito Barack Obama não inclua uma proposta para cobertura individual, há pelo menos a idéia de que todas as crianças tenham uma. Outra abordagem, mais radical, para a obtenção de cobertura universal – um sistema de assistência à saúde semelhante ao do Canadá, onde o governo federal é o único responsável pelos serviços de assistência à saúde – foi rejeitada (51% de todos os empregadores e 63% dos maiores empregadores desaprovam).  E quase a metade dos empregadores (46%) apóiam que o governo federal forneça proteção de limitação de prejuízos (stop loss) para cobrir eventuais despesas catastróficas nos planos.

     

    Por que não?

    As razões para o não oferecimento de cobertura de saúde entre os empregadores:

    43% não têm como arcar 20% os empregados já são cobertos por outros planos 9% há uma grande rotatividade da força de trabalho 9% os empregados preferem receber maiores salários que cobertura de saúde

    Quanto?
    A esses empregadores foi perguntado se, no caso de oferecerem um plano de saúde, com quanto estariam dispostos a contribuir…

    …para 59%, tal quantia varia de zero a não mais que 50 dólares
    …apenas 10% disseram que pagariam pelo menos 200 dólares

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