Carreira e Educação

MBA ou Pós?

Vanderlei Abreu
21 de Janeiro de 2014

Muitos profissionais buscam dar uma turbinada em suas carreiras com um curso de MBA, que tem por objetivo justamente promover o desenvolvimento acelerado da carreira. Entretanto, há bastante tempo o mercado tem comprado cursos de pós-graduação acreditando ser MBA, que tem carga horária maior e estrutura curricular bem diferente.

Para o professor Silvio Laban, coordenador dos cursos de MBA do Insper, algumas escolas usam o termo MBA por ele ser mais “vendável” e isso faz com que as pessoas acabem comprando um programa diferente do que imaginam ou que deveriam conhecer. “Ou seja, elas ingressam em um curso de pós-graduação de 360 horas pensando que estão entrando em um MBA”, diz.

Segundo ele, os programas do Insper e de algumas outras escolas de negócios podem utilizar essa nomenclatura, pois são certificados por uma entidade internacional chamada Association of MBA (AMBA). Laban recomenda alguns cuidados que os profissionais e gestores de RH devem tomar ao procurar um curso de MBA para os colaboradores de suas organizações:

> Alinhar objetivos pessoais de carreira e o momento profissional, pois o MBA exige experiência em cargos de gestão;

> Analisar as características do programa, estrutura, corpo docente e recursos oferecidos pela escola para o desenvolvimento de carreira e atividades que possam interessar ao colaborador após a conclusão do curso.

> O coordenador do MBA do Insper acredita que os cursos de pós-graduação, seja MBA, lato sensu, mestrado ou doutorado, são de grande importância para a ascensão profissional. “Alguns autores afirmam que, ao término de uma graduação de quatro anos em uma área técnica, metade do que o aluno aprendeu já está obsoleta. Isso significa que todas as pessoas estão fadadas à obsolescência”, adverte. Para Laban, a diferença em relação ao passado é o fato de os ciclos estarem mais acelerados e a taxa de obsolescência ter crescido. “Essa condição obriga as pessoas a continuarem a buscar o conhecimento e as escolas são um dos agentes que oferecem o acesso a ele”, continua.

Características do MBA
Ao contrário de alguns cursos existentes no mercado que oferecem especializações, o MBA é um curso de formação generalista, cuja origem vem do próprio nome – Master in Business Administration –, bem como tem um conjunto de disciplinas obrigatórias e uma carga horária maior, geralmente de pelo menos 500 horas.
O MBA é um curso voltado para o desenvolvimento acelerado de carreira, ou seja, é um programa mais reflexivo, que foca o desenvolvimento de habilidades de liderança, visão estratégica e tomada de decisão, temas que estão um pouco distantes do indivíduo em início de carreira. “A partir do momento em que a pessoa definir seus objetivos de curto, médio e longo prazos, ela pode escolher o curso que se ajusta melhor ao seu perfil”, orienta Silvio Laban, do Insper.
Paula Simões, gerente coordenadora de programas MBA da Fundação Dom Cabral (FDC), afirma que o MBA executivo oferecido pela instituição é praticamente um rito de passagem essencial para que o profissional continue a ascender na organização. “As empresas que procuram a FDC fazem a pré-seleção dos funcionários para depois passarem por nosso processo seletivo”, relata.

O programa oferecido pela FDC é um dos mais extensos do país, com 1,3 mil horas, divididas em 890 horas de atividades a distância e 410 horas de atividade presencial. Os encontros presenciais têm duração de uma semana e acontecem em um período que pode variar de dois a três meses.
Ela ressalta que uma das atividades do curso é o projeto empresarial, oportunidade que o aluno tem para retornar à empresa o investimento que ela faz, pois ele escolhe uma temática para posteriormente entregar, ao final do programa, um estudo, uma solução ou uma proposta de avanço em alguma questão estratégica para a organização.
James Wright, coordenador do MBA Executivo Internacional da Fundação Instituto de Administração (FIA), ressalta que os profissionais que procuram um curso de nível internacional já fizeram outros cursos e buscam uma formação mais importante para a carreira.

O MBA internacional da FIA é dividido em três programas: MBA Américas; MBA internacional full time; e part time. O primeiro tem 75% de alunos do exterior e aulas ministradas em inglês, com uma fase inicial de encontros presenciais quinzenais, aprofundando os conceitos core de um MBA internacional, mais quatro módulos intensivos no Brasil, Canadá, EUA e México. São imersões em quatro universidades líderes nas quatro mais importantes economias das Américas.
O MBA internacional part time integra gestores com experiência profissional na Europa, EUA, Ásia e América Latina, é ministrado em inglês, propicia uma imersão em ambiente multicultural no Brasil, aprimorando os conhecimentos dos participantes e impulsionando sua carreira internacional. Uma viagem de estudos aos EUA é parte integrante do curso e está incluída no preço.

Full Time
E o MBA internacional full time atende grupos de gestores experientes vindos da Europa, Américas do Norte e Latina e Ásia, é ministrado totalmente em inglês, permite uma imersão de um ano num ambiente multicultural de negócios, aprimorando os conhecimentos de gestão estratégica e impulsionando sua carreira internacional.

A Fundação Dom Cabral tem um programa semelhante, mas oferecido na modalidade pós-MBA, ou seja, para cursá-lo é preciso ter concluído o MBA. São duas opções complementares de curta duração, de modo que o formado no MBA pode cursar ambas após a conclusão do programa. Uma delas é feita em parceria com a Kellogg University e aprofunda conhecimentos em negociação, liderança e marketing, enquanto que a segunda trabalha desenvolvimento de negócios na China, em convênio com uma universidade da segunda maior economia do mundo.

O que eles querem
Pesquisa feita com alunos brasileiros de MBA no exterior mostra que boa parte deles deseja voltar ao Brasil

A GNext Talent Group divulgou recentemente a pesquisa O estudante de MBA em escolas internacionais, com informações sobre estudantes brasileiros que estão cursando MBA nas melhores escolas de negócios dos EUA e da Europa. A pesquisa trouxe dados relacionados aos padrões socioculturais, carreira, qualidade de vida, empresas mais admiradas, escolha e custeio dos cursos etc.. As informações estão estruturadas em análises gerais e regionais sobre cada um dos tópicos:

Filho pródigo
Os estudantes, em sua maioria, desejam voltar ao Brasil, em razão da estabilidade e do potencial de crescimento econômico do país. O índice de alunos que planejam retornar logo após o término do curso de MBA saltou de 77% em 2011/2012 para 93% na pesquisa deste ano. Dentre os motivos, o quesito “oportunidades” é mencionado por 45% dos entrevistados.

Mais admiradas
Google e Apple continuam no topo da lista das empresas mais admiradas, apesar de ambas registrarem queda em seus percentuais: a preferência pelo Google passou de 22% para 13% e pela Apple, de 21% para 11%. Destaque para o desempenho da Ambev/ABInbev, que cresceu de 2% para 10%. O Itaú passou de 5% para 6% e a Natura, de 2% para 6%. Na escolha de uma empresa para trabalhar, a análise geral revela que 64% dos alunos valorizam a orientação para resultados — eram 66% na pesquisa anterior. O segundo aspecto é o empreendedorismo da empresa, que passou de 46% para 53% das citações, seguido pelo planejamento de carreira, que subiu de 44% para 49%.

Setores de atuação pré e pós-MBA
A predominância dos alunos que já atuavam no mercado financeiro e em consultorias antes de ingressarem no MBA se mantém, apesar da retração de 32% para 20% verificada em mercado financeiro e de 24% para 20% em consultoria. A representatividade da indústria de bens de consumo, que no levantamento anterior foi de 4% no quadro geral, avançou para 10% em 2013. É forte a presença de alunos oriundos do setor de energia, com 13% de participação (contra 3% em 2011/2012) e de engenharia, setor no qual atuavam 8% dos alunos no cenário geral (eram 2% na pesquisa anterior). Já no que refere aos segmentos de interesse após a conclusão do MBA, o de consultoria (que passou de 54% para 45%) perdeu espaço para o setor de private equity, que foi apontado como o mais atraente por 67% dos alunos no cenário geral (o índice era de 47% em 2011/12). O interesse pelo mercado financeiro totaliza 44% (o índice era de 42% em 2011/12) e pelo setor de bens de consumo chega a 36% frente aos 29% alcançados em 2011/12. Ainda cresceram em representatividade no interesse dos estudantes os segmentos de energia (de 29% para 36%), venture capital (27% para 35%), negócio próprio (14% para 22%) e farmacêutico (8% para 20%).

Carreira
Em comparação com os resultados da pesquisa de 2011/12, os entrevistados demonstraram ter a expectativa de ocupar cargos mais seniores depois de concluir o MBA, possivelmente em razão da maior participação de alunos em faixas etárias mais altas. No cenário geral, 50% dos alunos esperam ocupar cargos de gerência, gerência sênior ou diretoria (contra 44% em 2011/12).

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