Gestão

Medidas certas

17 de outubro de 2012
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Olhe sua volta e quantos colegas no trabalho estão acima do peso. Ou melhor: comece por você. Se a camisa está forçando o botão a sair voando da casa que o acolhe ou o cinto precisa de um furo a mais para deixar de apertar a cintura, cuidado. Situações como essa, de sobrepeso e obesidade, estão intimamente relacionadas a sérios problemas de saúde. Apenas para lembrar: a obesidade tem forte relação com altos níveis de gordura e açúcar no sangue, excesso de colesterol e casos de pré-diabetes. Pessoas obesas também têm mais chance de sofrer com doenças cardiovasculares, principalmente isquêmicas (infarto, trombose, embolia e arteriosclerose), além de problemas ortopédicos, asma, apneia do sono, alguns tipos de câncer, esteatose hepática e distúrbios psicológicos.

Ou seja, somar quilos na balança é uma conta ruim para o profissional e também para a empresa. No primeiro caso, as variáveis tendem a um resultado que pode ir da queda na qualidade de vida ao aumento de risco de algo pior. Para as empresas, o cálculo envolve queda de produtividade e maiores custos com saúde – estes, por si sós, já deixam qualquer gestor com dor de cabeça em função da conta. Que tende a aumentar, diga-se.

Assim, todo cuidado é pouco para combater a obesidade, ainda mais em um país cujo número de pessoas com problemas com a balança tem aumentado, conforme relata  pesquisa divulgada recentemente pelo Ministério da Saúde. Para ter uma ideia do tamanho do problema: de 2006 a 2011, a proporção de pessoas acima do peso aumentou de 42,7% para 48,5% e o percentual de obesos passou de 11,4% para 15,8% no mesmo período (veja mais dados no quadro Homens de peso).

Fome oculta
A melhor alternativa para empresas e trabalhadores evitarem sustos relativos a problemas com a obesidade é a prevenção, na qual estão ações que visem uma qualidade de vida melhor. Para mostrar que o caminho é seguro, vale lembrar uma pesquisa da Universidade de Washington (EUA) que mostra, por exemplo, que para cada dólar empregado no bem-estar de uma equipe há um retorno entre 20% e 80% com redução de gastos com assistência médica, seguro de saúde e absenteísmo. Além disso, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que pelo menos 80% das doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais e diabetes do tipo 2 prematuras e 40% dos cânceres podem ser prevenidos com o não uso de produtos do tabaco, a prática de exercícios físicos e uma alimentação saudável. Mas como se alimentar bem na correria do mundo corporativo?

Para responder a essa questão é preciso analisar não apenas a quantidade calórica ingerida diariamente pela pessoa, mas também a qualidade do que se come. Nesse aspecto, conhecer que vitaminas e minerais estão sendo consumidos é tão importante quanto o peso do prato nos restaurantes por quilo, uma vez que a ausência de alguns nutrientes pode causar a chamada fome oculta.

Trata-se de um problema, de acordo com dados do International Life Science Institute (ILSI), que afeta uma em cada quatro pessoas no mundo, a maioria em países em desenvolvimento. A fome oculta está relacionada com a necessidade do organismo de um ou mais micronutrientes (vitaminas e minerais) – o que a diferencia da desnutrição – e seus sintomas podem passar despercebidos em um exame clínico.

Problema nutricional
“Também conhecida por deficiência marginal, ela é uma carência não aparente de um ou mais micronutrientes, sendo atualmente identificada como o problema nutricional mais prevalente no mundo. É o estágio anterior ao surgimento de sinais e sintomas clínicos de carência detectáveis e não está, necessariamente, associado a patologias claramente definidas, como as observadas na má nutrição proteico-energética”, destaca Hélio Vannucchi, coordenador científico do VI Fórum de Discussões sobre Alimentos Fortificados e Suplementos, evento realizado no fim de agosto, em Brasília, e promovido pelo ILSI Brasil, uma das seções regionais do International Life Sciences Institute. Com o estilo de vida atual, que propicia um aumento do consumo de alimentos ricos em gordura e pobres em micronutrientes e um baixo consumo de frutas, verduras e legumes – alimentos que fornecem nutrientes importantes, como fibras, vitaminas e minerais -, há maior probabilidade de fome oculta. “É um cenário que merece atenção, pois casos graves de deficiência podem levar ao retardo de crescimento, anemia, alteração do desenvolvimento, cegueira e até a morte”, detalha Vannucchi. Por essa razão, para evitar esse e outros problemas, a OMS recomenda um consumo de frutas e hortaliças de quatro porções por dia, de acordo com as características individuais.

Para aqueles que não conseguem seguir essa recomendação e que frequentemente são obrigados a trocar o almoço pela finalização de um relatório para uma reunião que vem tirando o sono, o humor e o apetite há dias, ou para aqueles que não sabem como driblar aquela fome que aparece no meio da tarde, que nos impele a armazenar guloseimas das mais variadas cores e sabores na gaveta, para saciá-la, MELHOR foi buscar algumas orientações para, ao menos, evitar males maiores. A nutricionista Luciana Serra conta que controlar os desejos de comer a toda hora e ter horários para as refeições (sem pular uma delas) no cotidiano do trabalho ou fora dele são atitudes importantes para quem deseja melhorar a alimentação e, a reboque, a qualidade de vida. A seguir, veja essa e outras dicas:

1 Controle o desejo de comer a toda hora. Tente seguir horários preestabelecidos para isso. Nos intervalos, concentre-se no trabalho. Problemas familiares, financeiros e, muitas vezes no próprio ambiente trabalho, podem causar ou aumentar a ansiedade. Trabalhar sobre pressão, com altos níveis de ansiedade, aliado à falta de atividades físicas, pode fazer com que as pessoas busquem na alimentação sensações de prazer. Sem dúvida, é difícil manter horários regulares para comer, mas a organização de tarefas é fundamental. Procure iniciar tarefas em momentos em que não se percam os horários das refeições. Se nos intervalos entre as refeições der fome, busque comer barrinhas de cereais ou uma fruta.
 
2 Mastigue bem os alimentos. E muito. Mastigue aproximadamente 30 vezes. Quanto menos mastigamos, maior a sensação de fome. E já quanto mais mastigamos, o cérebro consegue definir a hora certa de nos avisar que estamos satisfeitos. Além disso, uma boa mastigação ajuda na primeira quebra de amido e contribui para o estômago se preparar para receber a comida.  

3 Sem tempo para almoçar? Faça um lanche leve. Uma boa sugestão é um lanche com grelhado de frango, acompanhado de salada e uma fruta de sobremesa. Nada de refrigerante, opte por sucos naturais.

4 No almoço, escolha saladas, legumes, uma porção modesta de proteína (carne, peixe ou frango), uma de feijão e outra de arroz. Nesse caso, a quantidade deste último tipo de alimento vai depender dos hábitos de vida da pessoa, da quantidade de gasto de energia e das atividades físicas que faz. No que se refere às proteínas, vale a pena alternar carne, peixe e frango (ter variedade). E para quem fica perdido quando o assunto é uma porção, basta usar um exemplo fácil: uma porção de bife é do tamanho de sua mão. 

5 Diminua o seu consumo de sal. No lugar dele, use mais temperos (salsinha, sálvia, hortelã, manjericão, cebola e alho). O ideal do consumo de sal, por dia, é de 1 grama. Por essa razão, é importante verificar os rótulos dos produtos para ver a quantidade de sódio, mas não devemos ser escravos disso. Podemos cuidar de nossa saúde sem exagerar no consumo do sal.

6 Acrescente fibras no cardápio. Faça isso comendo mais frutas, legumes, verduras cruas e farelos integrais. Uma dieta rica em fibras é sinal de intestino saudável. As empresas poderiam oferecer frutas aos funcionários nos intervalos das refeições, por exemplo. Não há nenhuma restrição à quantidade de frutas a serem consumidas, mas vale usar o bom-senso. É sempre bom reforçar que devemos comer pelo menos três frutas no dia.

7 Coma diversos tipos de alimentos. A alimentação variada é importante para a manutenção da saúde. E quanto mais colorida, mais saudável ela é. O ideal é que em nosso prato haja pelo menos cinco cores diferentes; assim é muito mais fácil comer alimentos saudáveis e manter o corpo em harmonia.

8 Almoce ou jante quando estiver calmo. Se estiver nervoso, cansado ou agitado, tente relaxar uns 10 minutos antes de comer. 

9 Evite as frituras e prefira métodos de culinária simples, saudáveis e saborosos, tais como estufados (assados), cozidos e grelhados.

10 Pratique exercícios físicos: recomenda-se, no mínimo, três vezes na semana ou 30 minutos por dia. Antes dos esportes, devem ser consumidos alimentos ricos em carboidratos de baixo a médio índice glicêmico e proteínas. Evite a ingestão de alimentos ricos em gorduras ou em fibras nas duas ou três horas que antecedem a atividade física. Esses alimentos têm uma digestão mais demorada e podem causar mal-estar gástrico durante o exercício.


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Homens de peso
Metade da população masculina entre 25 e 34 anos está com excesso de peso

 O aumento das porcentagens de pessoas obesas e com excesso de peso atinge tanto a população masculina quanto a feminina. De acordo com pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, em 2006, 47,2% dos homens e 38,5% das mulheres estavam acima do peso ideal. Agora, as proporções subiram para 52,6% e 44,7 %, respectivamente.

O problema do excesso de peso entre os homens começa cedo:

>  entre os 18 e 24 anos, 29,4% já estão com o Índice de Massa Corporal (IMC) – razão entre o peso e o quadrado da altura – maior ou superior a 25 kg/m², ou seja, acima do peso ideal; 

>  já a proporção em homens entre 25 e 34 anos quase dobra, atingindo 55% da população masculina;

>  na faixa etária de 35 a 45 anos, a porcentagem alcança 63% dos homens brasileiros.

Considerando somente a população feminina:

>  há um aumento de cerca de 6% a cada diferença etária de 10 anos, até chegar aos 55 anos;

>  entre as brasileiras com idade entre os 18 e 24 anos, 6,9% são obesas;

>  o percentual quase dobra entre as mulheres de 25 a 34 anos (12,4%) e quase triplica (17,1%) entre 35 e 44 anos;

>  a frequência de obesidade se mantém estável após os 45 anos de idade, porém em um patamar elevado, atingindo cerca de um quarto das mulheres.

 

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