Natal das lembrancinhas?

Vanderlei Abreu
17 de outubro de 2011
Thinkstock

A prática cada vez mais comum entre as pessoas de presentear os familiares no Natal com lembrancinhas de modo a agradar a todos começa a chegar também ao ambiente empresarial. De acordo com pesquisa realizada pela Mercer em 2010, menos de 20% dos entrevistados ainda oferecem a cesta de Natal aos funcionários. “As empresas têm eliminado esse benefício de fim de ano e não estão dando nada. Alguns de nossos clientes pararam de dar a cesta de Natal e estão dando um panetone para não deixar a data passar em branco”, constata Alexandre Espinosa, líder da área de benefícios e saúde da consultoria. Ele considera como fatores para a decisão pelo corte do benefício a questão logística, custo e desvirtuamento. “Há casos de organizações que pararam de dar a cesta porque ela agregava mais para o pessoal operacional, especialmente o fabril. A partir de determinado nível hierárquico, as pessoas davam o presente para o porteiro do prédio ou para a empregada. Ou seja, havia um desvio no objetivo principal”, analisa.

O custo total também tornou o presente quase proibitivo para as empresas, especialmente as de pequeno porte. Apesar de alguns fornecedores oferecerem cestas na faixa de 25 reais, caso da Cesta Nobre, o valor médio unitário gasto pelas organizações gira entre 60 e 70 reais para as cestas mais simples, de acordo com a pesquisa da Mercer. A questão logística também começou a se tornar uma dor de cabeça para as empresas localizadas nos grandes centros, especialmente as de serviços e tecnologia da informação, que não dispõem de espaço para receber as cestas e fazer a distribuição aos funcionários. “Uma grande organização dava uma cesta com peru e itens natalinos. Isso representava um grande problema logístico porque a ave vem congelada e demanda sua colocação em uma bolsa térmica”, exemplifica Espinosa.

Por outro lado, as companhias que preservam a doação do presente aos funcionários no fim do ano o fazem em reconhecimento à dedicação ao longo do ano. “É o caso dessa empresa que acabei de citar, porque ela considera que o funcionário vai comer o peru no dia de Natal e lembrar que foi a empresa que deu”, comenta. Para Manoel Sandes da Silva, gerente nacional de vendas da Aurora Alimentos, há um movimento por parte das empresas que entendem como essencial a valorização dos colaboradores, percebendo a importância de poder presentear o funcionário com um presente natalino que proporcione, a ele e à família, uma ceia feliz. “Além disso, o aquecimento da economia com a diminuição do desemprego e o aumento médio da faixa salarial contribuem para o crescimento na oferta deste benefício”, defende.

Mais competição
Com uma redução tão drástica no mercado de cestas de Natal, os fornecedores têm procurado oferecer diferenciais para manter sua participação ou até mesmo avançar sobre a fatia da concorrência. Entretanto, ao contrário do que se imagina, a entrada do setor de benefício-convênio nesse nicho não tomou mercado dos “cesteiros”. “Quem pretendia mudar de modalidade já migrou. Desses, cerca de 20% de empresas que ainda oferecem o benefício de Natal, a maioria ainda opta por dar a cesta por significar a materialização do presente”, atesta Alexandre Espinosa, da Mercer.

Wagner Queiroz de Sá, gerente de vendas da Cesta Nobre, concorda com essa movimentação no mercado, mas acredita que enquanto algumas organizações estão cortando o benefício, outras estão implantando, o que acaba equilibrando as vendas dos cesteiros. Ele também contesta o resultado da pesquisa da Mercer de que algumas organizações têm deixado de dar o presente por conta da falta de espaço. “Nenhum de nossos clientes deixou de comprar o produto por esse motivo”, garante. Ele ainda ressalta diferenciais como serviço logístico incluído no contrato para manter a clientela ou conquistar novos mercados. “Podemos entregar na empresa e um funcionário do cliente faz a distribuição, ou ele pode nos fornecer uma lista com os dados dos funcionários e fazemos a entrega na casa de cada colaborador e também temos postos de distribuição para os beneficiários retirarem suas cestas”, enumera.

Outra novidade da Cesta Nobre é a embalagem dos produtos da cesta natalina em sacolas ecológicas, as chamadas ecobags. “Estamos aproveitando essa onda da eliminação das sacolinhas nos supermercados, resolvemos substituir a embalagem dos produtos da cesta”, comenta Wagner Sá. Para concorrer com as tradicionais cestas de Natal, a Aurora Alimentos vai oferecer este ano 14 kits natalinos compostos de ave congelada, lombo e pernil temperados, sobrepaleta recheada, lombo recheado e complementos, como picanha temperada, costelinha in natura e linguiça toscana. “Esses kits são fechados, mas podem ser montados sobre uma base de dados em que selecionamos os produtos de maior interesse do público de RH”, destaca Manoel Sandes, gerente nacional de vendas.

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