No passo certo

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Crise, crise, crise. Não há empresa que não esteja preocupada com os impactos da crise econômica nos negócios. Muitas, por precaução, partiram para soluções imediatistas, esquecendo que impulsividade não combina com longo prazo. A visão de agir no presente pensando no futuro inspirou a ABRH-Nacional na concepção do Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (CONARH) que, em sua 35ª edição, em agosto, vai abordar o tema Da realidade que temos para o futuro que queremos – oportunidades e tendências.

No desenho dessa travessia para o futuro, a conexão entre seis elementos – Transformação, Liderança Mobilizadora, Relações Produtivas, Soluções de Valor, Educação e Resultados Sustentáveis – conduz os trabalhos do comitê de
criação do congresso. Confira, a seguir, o que está por trás de cada um deles.

TRANSFORMAÇÃO
A gestão de pessoas é o epicentro da transformação, pois só ela consegue articular os ambientes estratégico, negocial, cultural e social em busca de respostas atuais e futuras, afirma Cézar Tegon, que integra a equipe responsável pelo eixo Transformação. “Não basta mudar os negócios ou adaptá-los às ´novas regras do jogo´. É preciso criar, estruturar e colocar em prática soluções diferentes. Estamos diante de novos paradigmas e temos de transformar a maneira de sentir, pensar e agir. Esse é o desafio”, afirma, salientando que alinhar o passado e o futuro no presente é a oportunidade de agir sobre as demandas emergentes e intervir no processo de transformação. Segundo ele, as mudanças podem ser pontuais, mas a transformação é permanente. E há que se saber impulsioná-la.

EDUCAÇÃO
Como educar para desenvolver e construir o futuro desejado pelas pessoas, empresas e sociedade? Essa é a diretriz do comitê de criação para tratar da Educação na gestão de pessoas. “Em essência, nossa proposta é a Educação para Sustentabilidade estudada a partir de cinco ângulos: complexidade, interdependência, empreendedorismo, diversidade e ser humano, que é a expressão do conhecimento com consciência”, diz Cleo Wolff, membro da equipe responsável pelo tema.

Segundo ela, as palestras e os debates propiciarão a capacidade de enxergar as tendências do futuro a partir de sinais do presente, além de dar uma visão holística da realidade, no lugar da visão fragmentada. “Proporemos uma revisão da educação corporativa a partir do pensamento complexo [abordagem sistêmica] e demais princípios da sustentabilidade. Se desejamos um futuro diferente, melhor para a sociedade, e, consequentemente, para as organizações, o movimento educativo precisará, cada vez mais, se pautar por uma educação para valores, no despertar da consciência, no protagonismo e na assunção de responsabilidades.”

LIDERANÇA MOBILIZADORA
Casos como o da Emron e, mais recentemente, da pirâmide de Madoff fizeram o mundo assistir ao despontar do que Luiz Augusto Costa Leite, coordenador do comitê de criação do CONARH, chama de “liderança deletéria”. “Se fosse necessário escolher uma única expressão para definir os desafios de integrar a realidade que temos e o futuro que queremos, essa expressão seria Liderança Responsável”, avalia.

Por isso, um dos seis elementos-chave do congresso será a Liderança Mobilizadora. Por meio dela, o comitê de criação visa a debater o papel dos líderes na construção do futuro e na geração de sustentabilidade, ressaltar a urgência de criação de uma cultura de inovação a partir do exemplo dos líderes, destacar todos os stakeholders como público-alvo das lideranças na busca pelos compromissos comuns e insistir na distribuição da liderança por toda
a cadeia organizacional.

RELAÇÕES PRODUTIVAS
Na era da comunicação, da informação e das conexões, o CONARH 2009 não poderia deixar de avaliar se a realidade das relações produtivas é coerente com o futuro que se quer construir. Eugenio Mussak, que integra a equipe responsável por esse tema, baseia-se no que padre Antonio Vieira disse há quatro séculos: “Toda a vida não é mais que uma união. Uma união de pedras é edifício, uma união de tábuas é navio, uma união de homens é exército. E, sem essa união, tudo perde o nome e o ser. O edifício sem união é ruína, o navio sem união é naufrágio, o exército sem união é despojo. Até o homem (cuja vida consiste na união de alma e corpo) com união é homem, sem união é cadáver”.

A inspiração do padre filósofo estimula a equipe a pensar nas relações em todas as suas dimensões: funcionários, mercado, parceiros, fornecedores, poder público, mídia, associações classistas. “As relações produtivas são as que unem pessoas, interesses e sonhos. O objetivo é provocar reflexão e mostrar caminhos de sucesso já trilhados anteriormente, para facilitar e ampliar as possibilidades empresariais e humanas”, conclui Mussak.

SOLUÇÕES DE VALOR
O eixo Soluções foi concebido com uma proposta inovadora: reunir e levar aos congressistas os aspectos processuais, metodológicos e tecnológicos necessários à execução das ações e ferramentas que reduzam a distância entre o que se tem hoje e o que se deseja para o futuro. Ou seja: soluções não significam somente hardware, mas também métodos e técnicas.

“As soluções devem estar a serviço da visão e da estratégia e sempre contemplar tanto causas quanto consequências, permitindo colocar as ideias em prática e promover inovações na realidade que temos para irmos em direção ao futuro que queremos”, explica Augusto Gaspar, integrante da equipe responsável pelo tema que, na sua proposta de trabalho, inclui questões como métricas e planos de ação; informações estratégicas para ampliar a assertividade das decisões tanto nos momentos difíceis como nos de abundância; e soluções que ajudem as equipes a aprender, a compartilhar conhecimentos e a colaborar, possibilitando o desenvolvimento de pessoas criativas e alinhadas aos objetivos da empresa.

RESULTADOS SUSTENTÁVEIS
Todos os elementos que permeiam o CONARH 2009 só fazem sentido por estarem conectados pelo objetivo comum de gerar resultados sustentáveis e, com isso, garantir um futuro de positividade para as organizações e pessoas. E, mesmo quando a busca é por resultados imediatos, ela deve ocorrer numa perspectiva de longo prazo. “Nosso desafio é apresentar caminhos viáveis para que a gestão de pessoas seja uma ferramenta estratégica na sustentabilidade dos resultados”, diz José Emídio Teixeira, integrante da equipe responsável pelo tema. A criação de um novo contrato social entre os stakeholders, definindo o compromisso de gerar resultados sustentáveis, e os impactos dos modelos de remuneração variável e da gestão do clima organizacional na manutenção desses resultados serão alguns dos temas abordados no congresso.

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