Carreira e Educação

No pé do mercado

Camila Mendonça
15 de Janeiro de 2014

A área de recursos humanos sofreu uma série de transformações ao longo dos anos. Passou de um departamento burocrático, focado nos custos das contratações e demissões, para um dos setores mais estratégicos. As mudanças de direcionamento do mercado criaram uma demanda por profissionais com entendimentos que vão além da legislação trabalhista. Era preciso entender como gerir pessoas (leia-se: mantê-las motivadas, felizes e produtivas) e, agora, a tarefa não está apenas nas mãos do RH, mas de todas as áreas de uma companhia e, principalmente, daqueles que estão em postos de liderança.

Acompanhando essa demanda, há pouco mais de uma década começaram a surgir os primeiros cursos focados em gestão de pessoas. E junto com o mercado, eles não pararam de mudar. ´O mercado aumentou a expectativa e valorizou o profissional de RH´, justifica Paulo Sardinha, coordenador técnico da CBA RH do Ibmec. E por conta dessa expectativa, os cursos de pós-graduação e MBA em gestão de pessoas têm ganhado espaço. ´As empresas se conscientizaram da importância crescente do ser humano, mesmo em um cenário de automatização e de virtualização dos processos´, afirma Fernando Marques, coordenador dos programas de MBA da Business School de São Paulo (BSP). ´Trabalhar valores, atitudes, comportamentos, gerenciar a diversidade e relacionar-se entre membros de equipe visando os objetivos empresariais não ocorrem naturalmente. Os cursos de gestão de pessoas complementam fortemente os processos de mudanças e de qualidade de gestão´, completa.

A área de recursos humanos sofreu uma série de transformações ao longo dos anos. Passou de um departamento burocrático, focado nos custos das contratações e demissões, para um dos setores mais estratégicos. As mudanças de direcionamento do mercado criaram uma demanda por profissionais com entendimentos que vão além da legislação trabalhista. Era preciso entender como gerir pessoas (leia-se: mantê-las motivadas, felizes e produtivas) e, agora, a tarefa não está apenas nas mãos do RH, mas de todas as áreas de uma companhia e, principalmente, daqueles que estão em postos de liderança.

Acompanhando essa demanda, há pouco mais de uma década começaram a surgir os primeiros cursos focados em gestão de pessoas. E junto com o mercado, eles não pararam de mudar. “O mercado aumentou a expectativa e valorizou o profissional de RH”, justifica Paulo Sardinha, coordenador técnico da CBA RH do Ibmec. E por conta dessa expectativa, os cursos de pós-graduação e MBA em gestão de pessoas têm ganhado espaço. “As empresas se conscientizaram da importância crescente do ser humano, mesmo em um cenário de automatização e de virtualização dos processos”, afirma Fernando Marques, coordenador dos programas de MBA da Business School de São Paulo (BSP). “Trabalhar valores, atitudes, comportamentos, gerenciar a diversidade e relacionar-se entre membros de equipe visando os objetivos empresariais não ocorrem naturalmente. Os cursos de gestão de pessoas complementam fortemente os processos de mudanças e de qualidade de gestão”, completa.

Conceito de RH 
Essa visão de que as pessoas são o ativo mais importante de uma empresa e que a gestão desse quadro está nas mãos de toda a companhia é recente, segundo Luiz Edmundo Rosa, diretor de educação da ABRH-Nacional. Os motivos dessa mudança de visão já são conhecidos: o aumento da competitividade entre as companhias as obriga a ter e reter os melhores profissionais do mercado – o que hoje não significa mais em “quanto” se deve “gastar” para isso, mas “em que” se deve “investir”. É por esse caminho que a educação corporativa segue.

A ideia é satisfazer as necessidades das empresas e, ao mesmo tempo, formar profissionais capazes de efetuar mudanças dentro das companhias. “A capacidade de conseguir que os outros façam, ou seja, motivar, mobilizar e conseguir a colaboração da equipe, é a virtude mais procurada pelas empresas”, explica Marques, da BSP. A instituição foi uma das que acompanharam as mudanças do cenário corporativo.

O MBA em liderança e gestão de RH da instituição foi criado em 2008. “Na época, havia uma clara lacuna de necessidade de treinamento e aprendizado no tema da liderança e gestão de pessoas, consubstanciada pelo aumento da demanda”, avalia Marques.

De lá para cá muita coisa mudou e o curso já passou por atualizações e até mudou de nome – hoje, é gestão empresarial e de liderança. “No princípio, parecia que somente aqueles envolvidos com grandes equipes ou militantes da área de RH se apresentavam para o curso. Atualmente, há mais pessoas se preparando para enfrentar melhor as questões de liderança e administração de equipes”, afirma. No rol de estudantes da instituição há gestores de diversas áreas como marketing, manufatura, operações e até finanças. “Todos que lidam com colaboradores no dia a dia percebem a necessidade de desenvolver suas habilidades de liderança e gerenciamento de pessoas”, completa o coordenador da BSP.

Ao longo de cada semestre, explica Marques, há atualizações, de acordo com as exigências do mercado. A mudança mais recente foi a inclusão de coaching e career management individual, que estará disponível a todos os alunos a partir das próximas turmas. Apesar das alterações curriculares e no perfil dos executivos matriculados, o objetivo não mudou. “Desde sua criação, o curso tem a finalidade de desenvolver gestores, porém com foco claro no desenvolvimento da capacidade dos profissionais em liderar equipes de forma estratégica e utilizar as modernas ferramentas e técnicas de gestão de pessoas”, resume Marques.

No Ibmec, o MBA gestão estratégica de pessoas foi lançado em 2012 e a procura tem sido crescente, segundo Sardinha, que também é presidente da ABRH-RJ. No primeiro semestre de 2013, uma nova turma foi confirmada com o dobro de alunos. No segundo semestre de 2013, duas novas turmas foram abertas. Já se formaram 115 profissionais nos cursos MBA e CBA em gestão de pessoas e gestão de recursos humanos da instituição e há outros 98 alunos cursando atualmente. Apesar de novo, o curso já terá suas primeiras mudanças em 2014 – tudo para acompanhar o mercado. “O reconhecimento e a valorização do profissional de RH são destaques nas organizações. O interesse pela área cresceu quase que verticalmente”, avalia. “Cada vez mais os cursos agregam assuntos do mundo corporativo que permitam uma formação mais generalista do profissional de RH”, completa Sardinha.

Assim como nas outras instituições, a procura pelo MBA de gestão de pessoas da Fundação Getulio Vargas (FGV) também tem crescido e recebido profissionais de perfis cada vez mais abrangentes. Para acompanhar as mudanças de público e direcionamento, ela realizou pesquisas entre especialistas de mercado e professores e está revendo os objetivos do curso. Agora, há uma linha voltada ao desenvolvimento de competências de gestão e liderança de equipes e outra vertente centrada nos principais subsistemas de RH. As alterações, segundo a instituição, devem ser concluídas em breve. O objetivo do MBA é ajudar os profissionais a desenvolverem skills como a capacidade de negociação e de tomada de decisão, visão sistêmica, flexibilidade e capacidade de liderança – competências buscadas pelo mercado.

A ideia é que eles consigam criar um ambiente de debate e de troca e que saibam discutir, desenvolver e alinhar estratégias. As principais mudanças ocorrem no âmbito de cada disciplina, com renovação constante no conteúdo, metodologias e práticas. Segundo a instituição, serão abordados temas do cotidiano das empresas como a diversidade, ética, estratégia, inovação, gestão de mudança, coaching, liderança, assédio moral.

Ainda não é Harvard 
Apesar da demanda aquecida, os MBAs de gestão de pessoas oferecidos no país ainda não suprem todas as carências do mercado, afirma Luiz Rosa, da ABRH-Nacional. “Os cursos, hoje, fazem diferença para as empresas e para os profissionais, mas, do jeito que estão, os MBAs não se inserem suficientemente nesse cenário de alta competição. Os programas estão em processo de reformulação de conteúdo, mas precisam de renovação na abordagem também”, ressalta. Tradicionalmente, os MBAs em geral adotam a metodologia de estudo de caso, debate em grupo, com comentários de professores com forte experiência de mercado.

“Estudo de caso é insuficiente para formar profissionais de gestão de pessoas”, afirma Rosa. O modelo de estudo de caso foi consagrado por Harvard, universidade norte-americana que criou há mais de um século o conceito de curso MBA (Master Business Administration). “Nessa abordagem, há menor protagonismo do aluno”, resume Rosa. De olho nas mudanças do mundo corporativo e também nas críticas feitas à efetividade dos MBAs após a crise financeira de 2008, Harvard realizou mudanças em seus programas da escola de negócios em 2011 e os MBAs agora priorizam a experiência do aluno. Em vez de ficarem nas salas de aula, os executivos fogem da teoria e visitam países emergentes, criam projetos e até empresas.

“A instituição diminuiu a importância do debate e aumentou a vivência, a criação de projetos inovadores, que de fato provocam mudanças nas empresas”, explica. O conceito é fazer o profissional pensar e não tentar encaixar antigas soluções aplicadas em casos ao novo cenário. “Gestão de pessoas não é receita de bolo”, enfatiza Rosa.

Outra instituição que inovou nesse mesmo sentido foi a suíça IMD. Os executivos do MBA também visitam países e concluem projetos na prática. A ideia é que eles de fato realizem mudanças estratégias na companhia. O intercâmbio tem sido uma prática comum entre os programas de negócios brasileiros. Instituições como a FGV já são consagradas pelas parcerias com universidades estrangeiras, permitindo a troca de experiências de negócios, mas ainda a troca é teórica – não há experiências brasileiras de programas que fazem os executivos colocarem a mão na massa.

Para Rosa, é preciso ir além. “Um MBA tem de apresentar uma visão de futuro e uma revolução seria ter a consciência dos stakeholders. Quem trabalha com RH tem de ter uma visão além dos funcionários e isso precisa ir para um programa de gestão de pessoas.” A ênfase no intangível e na criação de valores é, na avaliação de Rosa, a grande tendência para a área de gestão de pessoas e de visão preventiva. “Criar valor é importante e tem de ser construído na prática em benefício da empresa, das pessoas e da comunidade”, diz.


Linha do tempo

Do Departamento Dessoal à Gestão de Pessoas 
Fonte: ABRH-Nacional

* Década de 60 
Recursos humanos se resumiam ao quanto custavam as contratações e demissões. A preocupação era manter o quadro completo a baixo custo.

A partir de 1975 
Foi criada a Lei 6297-75, que incentivou as empresas a investirem em treinamento. A Lei existiu até o governo Collor, mas provocou impactos na área de RH, que agora era responsável por formatar esses treinamentos. Começa a preocupação com a formação dentro das empresas.

* Anos 80 
Com a abertura econômica e com a chegada de investimentos estrangeiros, a competição entre as empresas aumenta e elas começam a se preocupar em ter os melhores profissionais do mercado para dar conta da demanda e o RH começa a ser tratado também como área de desenvolvimento.

* Anos 90 
Em 94, foi divulgada a Medida Provisória que criou a Lei de Participação de Lucros e Resultados. A medida fez com que o RH passasse a ter papel estratégico dentro das companhias.

* Anos 2000 
O aumento da competição entre as companhias, as mudanças de gerações de profissionais, a falta de mão de obra qualificada e a briga pelos talentos do mercado fizeram com que a preocupação com o quadro ultrapassasse a área de RH. Agora, gerir pessoas é assunto a ser tratado por todos os líderes de uma companhia. O RH se torna estratégico e fator fundamental para a sobrevivência e crescimento de uma empresa.

 

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