No ritmo de negócios

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Silvestre Machado /Opção Brasil imagens

A economia do Rio de Janeiro está aquecida e essa é uma boa notícia não apenas para as empresas dos setores de construção civil, turismo, petróleo e gás, logística e infraestrutura que atuam no Estado. Os preparativos para a exploração do pré-sal e para eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos também estão mexendo com o mercado das fornecedoras de serviços e produtos para RH. Entre as empresas que já constataram aumento de demanda e que estão se preparando para um crescimento ainda maior, estão principalmente as consultorias ligadas à seleção e recrutamento de profissionais e as operadoras de planos de saúde.

O presidente da Gelre, Jan Wiegerinck, afirma que o mercado vem percebendo um aumento na procura por profissionais com perfis operacionais e técnicos, tanto para preencher vagas em organizações ligadas à ampliação de aeroportos, rodovias e ferrovias, quanto em empresas de alimentação, vestuário, entretenimento e serviços em geral. A próxima etapa será de contratação de profissionais mais especializados e de realização de intensivos programas de treinamento e capacitação. “Podemos afirmar que existe um movimento, agora mais evidenciado, de vários profissionais contratados em São Paulo para desenvolverem projetos no Rio de Janeiro”, conta. “A expectativa é de que o aquecimento será mantido, porém não teremos ocasiões de grandes picos. Tudo acontecerá de forma linear, sendo possível acompanhar a evolução do volume de contratação sem preocupações.”

Segundo um levantamento realizado pela Adecco, o mercado fluminense apresenta um crescimento de 50% de novas oportunidades de emprego principalmente nas áreas de engenharia, manufatura e serviços, devido à necessidade de modernização de toda a sua infraestrutura. “Por isso, estamos segmentando e especializando a nossa equipe de consultores para atender a essa crescente demanda, com qualidade e agilidade que o mercado exige”, ressalta a gerente de recrutamento e seleção da filial do Rio de Janeiro da Adecco, Ana Nonato. 

O Hay Group é outra empresa que já prevê aumento da sua demanda no Estado fluminense, principalmente nas áreas de gestão de negócios, efetividade organizacional e desenvolvimento de lideranças. “Temos uma área de novos negócios que, entre seus focos, mantém uma estratégia de regionalização e uma atenção especial ao Rio. Temos observado um aumento de demanda, por exemplo, a região de Macaé, que busca gente inclusive fora do país”, comenta o diretor do Hay Group, Nestor Azcune. Para a gerente regional da Doers Consultoria, Leila Barbosa, o aumento por serviços especializados de recrutamento e seleção não é reflexo apenas do atual momento positivo da economia fluminense.  “A razão para esse aumento na procura é que o Rio de Janeiro ficou por um tempo ´descuidado´ em relação à qualificação de pessoal dentro das empresas e, agora, com o aumento na demanda de contratos [Copa e Olimpíadas] e com a chegada de empresas estrangeiras [óleo & gás], subiu a régua no que se refere ao perfil esperado para seus times. O up grade local é necessário para que as empresas sejam competitivas”, avalia. De acordo com a gestora, cerca de 70% das companhias que a consultoria prospectou recentemente solicitaram uma proposta técnica após a visita, o que é um indicador do aquecimento do mercado. 

Leila sinaliza, no entanto, que as empresas precisam ter mais cuidado em seus processos de seleção. “A pressa por novas contratações faz com que os processos sejam superficiais e pouco efetivos. Com a entrada de grandes investimentos financeiros nas empresas, os gestores tendem a ´comprar cérebros´ da concorrência deixando para um segundo momento a preocupação com um processo organizado e estruturado de retenção”, afirma a gerente regional da Doers Consultoria. “Um dos desafios do mercado fluminense é vencer a inércia de anos de baixo investimento em seus recursos humanos, criar mecanismos de atração de bons talentos e identificar processos e modelos de gestão que viabilizem a retenção de bons profissionais.”

Saúde é fundamental
Enquanto as empresas que atuam no Rio estão ocupadas selecionando e contratando profissionais para as novas vagas que estão surgindo, as operadoras de saúde já estão investindo na ampliação e na reforma de sua rede de hospitais justamente para aumentar a qualidade e a diversidade dos serviços oferecidos no Estado. A Amil, que hoje mantém a liderança no Rio de Janeiro, onde tem 1,7 milhão de clientes e 25% de market share, investirá 640 milhões de reais até 2014 no Estado. Os projetos incluem a construção do Complexo do Hospital das Américas, que será o maior do Estado, com cerca de 450 leitos e 285 consultórios, na Barra da Tijuca, a inauguração  de mais um centro médico, e a reforma de hospitais tradicionais da Zona Sul do Rio de Janeiro, como o Hospital Pró-Cardíaco e o Hospital Samaritano. “Todas essas iniciativas permitirão, entre outros avanços, a realização de procedimentos de alta complexidade, que dependem de alta tecnologia e de equipes bem formadas e treinadas. Com isso, a expectativa é que esses pacientes deixem de procurar esse tipo de assistência em São Paulo ou fora do país”, afirma o superintendente da Amil no Rio de Janeiro, Cássio Zandoná.  

A ampliação de hospitais no Estado é necessária, pois, segundo Rodolfo Milani, médico e consultor da Aon Hewitt, a atual oferta de leitos está aquém da demanda – nos últimos cinco anos, o número de beneficiários de planos de saúde aumentou em 24%, enquanto o número de leitos hospitalares privados sofreu uma redução de 15%.”Estão ocorrendo muitas fusões de fornecedores de serviços e uma diminuição de operadoras de saúde. Com a consolidação dos serviços do setor, as empresas terão de enfrentar negociações mais difíceis no mercado”, avalia.

A Unimed-Rio é outra empresa do setor cujo número de clientes já aumentou por conta do “boom” fluminense – sua carteira do setor de petróleo e gás mais que triplicou nos últimos quatro anos. Para acompanhar esse aquecimento, a empresa lançará este ano um hospital próprio para procedimentos de alta complexidade, com 200 leitos, na Barra da Tijuca, e continuará aperfeiçoando a gestão de saúde da cooperativa, que oferece a grupos empresariais mapeamento de perfis de risco entre seus quadros, programas de gerenciamento de doenças crônicas, entre outros. “O Rio de Janeiro pertence ao eixo econômico mais importante do país, se coloca apenas atrás de São Paulo, e o mercado fluminense também cresce no segmento voltado para o pequeno e médio empreendedor”, afirma a gerente executiva comercial corporativa da Unimed-Rio, Adriana Abrantes. “Para nós, é uma grande oportunidade alavancar negócios também para este perfil de cliente.”

Já a estratégia da Assim Saúde, que funciona exclusivamente naquele Estado, é se aproximar e criar estratégias de atendimento segmentadas para as novas empresas que estão se estabelecendo no Rio, Grande Rio e municípios vizinhos, como o Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj). De 2010 para 2011, a demanda por planos de saúde corporativos da operadora cresceu em torno de 10% e a expectativa é que esse aumento continue. “A Assim está em ritmo acelerado de revisão de todos os processos internos, buscando automatizá-los e otimizá-los, para estar plenamente preparada para este aumento de demanda”, explica o diretor administrativo da Assim, José Barros.

Investimento crescente
De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o Rio vai receber investimentos superiores a 181 milhões de reais de 2011 a 2013, o que representa um aumento de 44% em relação ao anunciado para o período 2010-2012. Entre os projetos que se destacam, estão o Comperj, maior obra em andamento no país, a construção da Siderúrgica da Ternium, dentro do Complexo Industrial do Porto de Açu (cujo investimento é da ordem de 3,6 bilhões de reais), e a construção de dois estaleiros – um da Marinha Brasileira e outro da OXS, que correspondem a um investimento de 6,2 bilhões de reais. Dos 36,3 bilhões de reais previstos para infraestrutura, quase a metade será para investimentos em energia, que inclui projetos como a construção da terceira usina nuclear brasileira, já em andamento, e uma usina termoelétrica a carvão.

 

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