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20 de Abril de 2010

Quando se fala em Geração Y e de sua relação com o mundo corporativo, a impressão que se tem é de uma tendência para o futuro. No entanto, esse porvir está bem mais próximo que se imagina. É o que revela uma recente pesquisa feita pelo Hay Group junto a 5.568 representantes desse grupo que trabalham em companhias de grande porte, com atuação no Brasil. O levantamento aponta para a Geração Y como uma realidade, e bem diferente das análises que se faziam dela até agora: além de já fazerem parte das empresas, quase 20% dos entrevistados ocupam cargos de gestão. E, ao contrário do que se pensava, estagiários e trainees correspondem a apenas 10% da amostra pesquisada.

Esse dado mostra que a ascensão profissional desses jovens tende a ser mais rápida e, em pouco tempo, poderão vir a assumir postos ainda mais elevados. Nos EUA, a estimativa é de que, atualmente, eles já representem 20% do mercado de trabalho e de que nos próximos quatro anos este percentual chegue a 45%.

Até hoje, eles são conhecidos como jovens vorazes por um rápido sucesso financeiro, com elevado grau de autoconfiança e que se comportam diferente dos Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964) com relação à hierarquia e formalidades. A pesquisa mostra que realmente há diferenças, mas que elas não representam necessariamente um problema. O levantamento indica que 63% deles pensam em permanecer no atual emprego por um período de cinco anos ou mais e apenas 5% pretendem deixar a empresa no próximo ano. Para 93%, quanto mais a empresa investe em desenvolvimento profissional, mais querem ficar.

Embora alguns líderes ainda não se sintam confortáveis com a maneira menos formal com que a Geração Y lida com seus superiores, 74% afirmam ter boa relação com a chefia, 75% confiam no seu superior e 35% alegam ter autonomia para realizar seu trabalho. Como uma típica geração que faz o que fala, 71% dizem que os valores da empresa estão alinhados com os seus valores pessoais.

Esses dados servem de alerta para os líderes que ainda não estão suficientemente sensíveis às vantagens e desafios trazidos por esta geração. Para a consultora do Hay Group, Flávia Leão Fernandes, que integra a Geração Y, pensar nesse grupo é fundamental. “Ele já está inserido nas grandes corporações, por isso conhecê-lo e compreendê-lo tornou-se estratégico.”
 
Trainees
Um dos grupos de profissionais mais discutidos atualmente quanto ao retorno do investimento realizado, os trainees possuem alguns resultados interessantes, de acordo com o levantamento. As oportunidades de desenvolvimento proporcionadas a eles mostram que estão bastante satisfeitos em relação a fatores relacionados à carreira e também à remuneração. Quase metade (53%) afirma ter uma ideia clara dos resultados que a companhia espera deles e do seu trabalho. Ou seja, para a outra metade a situação não é tão evidente. “Esses dados revelam uma contradição. Justamente o grupo que recebe os maiores investimentos e que está sendo preparado para assumir futuras posições de liderança se coloca como o que menos percebe como o papel desempenhado pode contribuir para o futuro do negócio. Talvez seja o momento de rever esses programas”, observa Flávia.

Outro contrassenso apresentado diz respeito a uma das características mais elogiadas dos jovens nascidos a partir da década de 1980: capacidade de se conectar a diferentes mídias e de obter informações rapidamente. Entre os participantes, apenas 25% têm liberdade para acessar blogs e redes sociais. Como destaca Flávia, novamente aqui podemos observar uma contradição, já que o bloqueio ao acesso a diferentes mídias impede os jovens de trazerem para a empresa informações atuais e que poderiam ser úteis para a execução de seu trabalho.

Informais e amigáveis

E ainda acreditam que os valores da empresa estão alinhados com os deles

Boa parte dos integrantes da Geração Y mantém uma boa relação com seus chefes, apesar de esses jovens adotarem uma postura menos formal no ambiente de trabalho – e em especial no dia a dia com seus superiores. De acordo com a pesquisa do Hay Group…

74%
Afirmam ter boa telação com a chefia
75%
Confiam no seu superior
35%
Alegam ter autonomia para realizar seu trabalho
71%
Dizem que os valores da empresa estão alinhados com os seus valores pessoais

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