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Muito se fala em sustentabilidade no ambiente corporativo, porém, muitas empresas se perdem no real sentido da palavra e pecam tanto na comunicação interna quanto na divulgação externa de seus ideais e valores sustentáveis. A sustentabilidade não pode se tornar uma palavra esvaziada de sentido, banalizada, alardeada aos quatro ventos. É preciso comungar com tais valores para que a comunicação sustentável tenha efeito, poder e veracidade. Mas quais são, realmente, os valores da sustentabilidade? A sustentabilidade humana é a garantia de sobrevivência das futuras gerações, depende de uma relação harmônica entre natureza, sociedade e a humanidade, e apoia-se em novos valores contemporâneos: diversidade, transparência, interdependência e respeito humano e à vida, que devem ser incorporados à comunicação pessoal e corporativa.

Dessa forma, empresas, pessoas e profissionais encontram-se interligados e são corresponsáveis nesse processo. Do ponto de vista das companhias, é essencial motivar os colaboradores e disponibilizar a eles programas de desenvolvimento de competências comportamentais, relacionada aos valores atuais da empresa, dando ênfase à transparência, ética, prevenção, preservação, engajamento, credibilidade e reputação. E a melhor maneira de disseminar esses valores é por meio dos líderes – eles são fortes aliados da comunicação interna e podem ser os agentes disseminadores das informações, conceitos e políticas de sustentabilidade. Assim, as companhias devem treiná-los para atuar como “personalidades comunicacionais” na sua representação perante a sociedade, a mídia e o mundo globalizado. Os líderes precisam, além do conhecimento, de habilidade e atitude para disseminar tais valores.

O fato é que o conhecimento técnico e o desenvolvimento econômico de nada adiantarão se as pessoas, por trás das máquinas ou das mesas dos escritórios, não tiverem espaço e atitudes comportamentais relacionadas à humanidade, sensibilidade e espiritualidade para a gestão de negócios com resultados. Atualmente, as empresas mais bem-sucedidas evoluem do conhecimento informal para o gerenciamento e disseminação da gestão. Isso aprimora a capacidade inovadora por meio da incorporação do conhecimento. Essa gestão articula a renovação dos conhecimentos estratégicos para a vivência e, sobretudo, a sobrevivência da sustentabilidade humana e corporativa. Mas como estimular esses valores?

1 Realize reuniões periódicas, planejadas dentro das pautas e com didática pedagógica motivacional para manter a equipe informada sobre os assuntos relacionados à empresa.

2 Se, no decorrer da semana, surgir alguma informação relevante, repasse aos colaboradores imediatamente. É aconselhável uma reunião “extra” além da comunicação escrita via e-mail.

3 A comunicação pede um fluxo de informações; por isso, não é suficiente apenas repassar um acontecimento. Abra espaço para que os colaboradores possam tirar dúvidas e apresentar sugestões. Um representante da alta direção dever estar engajado nesse processo comunicacional.

4 Durante a reunião com a equipe, é fundamental que a troca de opiniões e as conclusões sejam anotadas e depois distribuídas no mural das áreas ou por e-mail.

5 Caso alguma questão seja apresentada por um colaborador e o gestor não tenha a resposta naquele momento, averigue e dê um feedback posteriormente.

6 A prática da escuta ativa e atenta, no caso de dúvidas, ou mesmo troca de ideias sobre novidades e conflito deve ser incorporada à comunicação interpessoal.

7 Os líderes são responsáveis por estimular a leitura, bem como dirimir dúvidas sobre os conteúdos divulgados pelos meios de comunicação.

Fique longe deles
Veja a seguir os pecados capitais que devem ser evitados na comunicação:
Irritação
Tem como sinônimo a raiva. O que está por trás da irritação? A contrariedade, o orgulho ferido, a falta de poder etc.
Excesso
Tem como correspondente a gula. A característica da gula é engolir tudo o que vem pela frente e não digerir. A prática da assertividade e da comunicação do equilíbrio permite o diálogo em que os nossos pontos e os do outro são considerados em sintonia com a ética e os objetivos organizacionais.
Sombra
É a inveja causada pelo bem do outro, a dificuldade de admirar e respeitar a luz de cada um para o brilho organizacional. Este pecado impede a sustentabilidade.
Orgulho
É a altivez, a soberba. Surge, com isso, a necessidade de aparecer, passando inclusive
por cima de padrões éticos.
Apego
Define-se como ser avarento por medo da perda ou escassez. Em termos de gestão de pessoas, podemos apontar o receio na formação de multiplicadores do conhecimento e a tendência à centralização.
Preguiça
Definida como aversão ao trabalho. A crença básica da preguiça é “Não necessito aprender nada”.
Sensação
É definida como luxúria, busca desenfreada do prazer em excesso. Nas empresas, é identificada pelo assédio moral e sexual: em nome da posição hierárquica “desfruto do poder de dominar e humilhar”.

* Nancy Alberto Assad é especialista em comunicação estratégica, marketing e responsabilidade social e autora do livro As cinco fases da comunicação na gestão de mudanças, da editora Saraiva

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