Novos problemas, velhas posturas

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Ao olhar para os dados da pesquisa, podemos avaliar que o Brasil não parece estar tão mal na foto quando o assunto é comprometimento dos jovens. Essa é a análise de Luiz Edmundo Rosa, vice-presidente de Desenvolvimento Humano e Sustentabilidade do Grupo Anima Educação. No entanto, ele levanta dois pontos importantes. Rosa, que também é diretor de Educação da ABRH-Nacional, assinala que, além de observar o engajamento dos jovens em relação a uma empresa, é preciso verificar o mesmo nível de comprometimento dessas organizações em relação a esse público.

De acordo com o executivo, muitas companhias ainda insistem em adotar políticas e programas de recursos humanos sem a flexibilização pertinente que possa atender às necessidades diferentes dos vários públicos que compõem seus quadros de funcionários. “Por exemplo, um funcionário jovem pode estar mais interessado em programas de treinamento”, comenta. Da mesma forma, quem é mais velho pode ter mais interesse em receber orientações sobre o período pós-carreira. Outro item que demanda atenção (e reflexão) refere-se ao desequilíbrio na qualidade de vida. Rosa lembra que a pesquisa foi feita em 12 regiões metropolitanas no país. Nessas áreas, a qualidade de vida teve uma queda por uma série de fatores, como o crescimento do trânsito, por exemplo. O aumento expressivo e crescente do número de carros segue na razão inversa das soluções propostas para resolver os problemas nas ruas e avenidas das grandes cidades. Em função disso, perde-se tempo, paciência e produtividade nos engarrafamentos. “Mais uma vez, vale questionar o que as empresas estão fazendo em relação a isso. Como elas estão ajudando seus colaboradores a enfrentar esses problemas? Quantas estão oferecendo horários mais flexíveis de trabalho para permitir que seus colaboradores fujam da hora do rush?”

De uma certa forma, segundo Rosa, as empresas acabam dando respostas antigas para questões novas. Quando se fala em apagão de talentos, falta de mão de obra, por exemplo, as ações colocadas para enfrentar esses e outros desafios são antigas ou se resumem a lamentações. Problemas novos exigem soluções novas. Vale a reflexão.

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