O agente de mudança

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Como realizar mudanças organizacionais com atenção às reações naturais das pessoas, como o medo e a insegurança? Há um modo de tratar as resistências para conseguir adesão a uma nova prática? Com apenas duas questões podemos constatar como é grande o desafio de lidar com o fator humano quando se implementam mudanças nas empresas. Tirar pessoas de sua zona de conforto implica lidar com emoções, superar dificuldades, dirimir incertezas e conduzir as pessoas a um “estado futuro” que elas receiam por ser ainda algo desconhecido. Os gestores sabem como é importante o capital humano, mas perguntam se é possível lidar com reações em meio a cenários complexos de mudança, que normalmente exigem alta capacidade técnica e resultados em curto prazo.

Acredito que é possível sim, podemos e devemos lidar com as questões humanas ao longo das transformações corporativas, e quem deve ficar responsável por isso são os líderes nos vários níveis organizacionais, além dos agentes de mudança. É válido lembrar que, primeiramente, os líderes precisam lidar com seus próprios desafios de mudança, avaliar sua resiliência pessoal e superar possíveis dificuldades para poderem, de forma efetiva, empoderar os agentes de mudança. Juntos, poderão ser bem-sucedidos na valiosa missão de ajudar as pessoas a trabalharem de uma nova maneira.

E quem são os agentes de mudança? Não se trata de um cargo, nem de uma nova função, afinal esse profissional vem atuando nas empresas há bastante tempo. O que vem mudando ao longo dos anos é o seu papel diante da mudança, exigindo um novo perfil. Para essa função, o departamento de recursos humanos tem buscado pessoas que possuem um nível de confiança e credibilidade na empresa, que sejam observadoras, que consigam lançar desafios e levar o discurso da mudança até as pontas. Além disso, deve entender as dificuldades ali encontradas para poder tratar as resistências – trilhando um caminho de mão dupla. Suas percepções, conhecimento e experiência ajudarão a definir ações capazes de mitigar riscos e resistências. Se, antes, o agente de mudança atuava mais no vai e vem de informações e reporte de situações e problemas, agora ele se torna uma peça-chave, com habilidade de influência, capaz de criar relações de confiança em todos os níveis e dar feedbacks, mesmo para os sponsors.

Podemos encontrar legítimos agentes de mudança entre os vários níveis hierárquicos – eles podem ser gestores, líderes de áreas ou qualquer funcionário que tenha internalizado as características acima. Agentes de mudança podem ser desenvolvidos, capacitados, instrumentalizados, com metodologias e ferramentas que os auxiliem no dia a dia, e devem, sempre, ter o apoio da liderança. Preparado, o agente de mudança terá condições de atuar com ampla capilaridade, alcançando todos os níveis organizacionais, visando não só a mudança em si, mas a sua sustentação.

Simone Costa é fundadora e diretora-geral da Dextera Consultoria

 

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