O CONARH através dos tempos

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Eric Hobsbawn / Crédito: Getty Images
Eric Hobsbawn: época de transições / Crédito: Getty Images

Em meio às transformações econômicas, políticas e sociais do mundo, o Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (CONARH) chega à 40ª edição, realizada entre 18 e 21 de agosto, no Transamerica Expo Center, na capital paulista. Consolidado como maior do gênero na América Latina e segundo do mundo, o evento reflete a evolução de recursos humanos através dos anos. Confira, a seguir, um pouco dessa história.

1965 – No ano que marca a transição da década de 60, segundo o historiador Eric Hobsbawn (a ele é atribuída a frase “Se a década de 60 foi a década da transição do século 20, 1965 foi o ano da transição da década de 60”), mais precisamente no dia 13 de novembro, profissionais de RH realizam a 1ª Convenção Nacional de Administração de Pessoal (CONAP). Assim se chamava o CONARH, que fez sua estreia em Campinas (SP). Articulado pela Associação Paulista de Administração de Pessoal (APAPE, hoje ABRH-SP, criada em maio daquele ano), o evento foi organizado pelo Centro de Estudos de Administração de Pessoal (CEAP) de Campinas. A primeira edição também foi palco da fundação da ABRH-Nacional, então Associação Brasileira de Administração de Pessoal (ABAPE).

1966 – A ABRH-Nacional assume a realização e promoção da CONAP, que, na segunda edição, acontece no Rio de Janeiro.

1973 – Dada a relevância e abrangência conquistadas, o evento ganha novo status, passando de convenção para congresso: a Conap passa a ser o Conap.

1983 – Antecipando-se à mudança da figura austera do administrador de pessoal para o profissional humanista, que enxerga os colaboradores como seres holísticos e vitais para as organizações, o evento passa a se chamar Congresso Nacional de Administração de Recursos Humanos, ou, como ficou mais conhecido, CONARH.

1988 – Depois de quase duas décadas –1969 a 1987 – sendo realizado bienalmente, o CONARH volta a ser anual.

Até então, o evento havia cumprido o seguinte itinerário: 
1965|Campinas
1966|Rio de Janeiro
1967|Belo Horizonte
1969|Curitiba
1971|Blumenau
1973|Salvador
1975|Recife
1977|Porto Alegre
1979|Brasília
1981|São Paulo
1983|Rio de Janeiro
1985|Foz do Iguaçu
1987|Belo Horizonte
1988|Recife
1989|São Paulo
1990|Salvador
1991|Porto Alegre
1992|Rio de Janeiro
1993|Fortaleza
1994|São Paulo
1995|Blumenau

1989 – A 15ª edição prepara o público para a nova década com o tema RH 90 – Perspectivas e desafios. O país enfrenta uma inflação da ordem de 30% ao mês. No ano da queda do Muro de Berlim e em que o Brasil volta a ter eleições diretas para presidente da República, a democratização da educação e a inovação tecnológica começam a fazer parte dos debates de RH.

1994 – As primeiras inscrições do 20º CONARH foram pagas em URV, unidade de referência monetária usada na transição da moeda brasileira do cruzeiro real para o real. Em agosto, com o real já em circulação, o congresso acontece com o tema O ser humano. Uma sondagem mostra que os participantes do evento apostam na volta do crescimento econômico do Brasil.

1996 – Depois de rodar pelo país, o CONARH se fixa em São Paulo, passando a ter o Palácio das Convenções do Anhembi como sede e a ABRH-SP como parceira.

1999 – Com os olhos no terceiro milênio, o CONARH é realizado sob o tema Construindo com as pessoas um modelo brasileiro de gestão para o século 21. Nomes de expressão do mundo empresarial passam pelo palco do congresso, como Alain Belda, que, quatro meses depois, assumiu a presidência mundial da Alcoa; Maria Sílvia Bastos Marques, presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN); e Dante Iacovone, presidente da Motorola.

2000 – O avanço tecnológico e seus impactos nas empresas tiveram reflexos no CONARH 2000, realizado sob o tema Do átomo ao byte: Travessia para a nova era. Nesse ano, a ABRH-Nacional integrou ao congresso um evento inédito, o Fórum Internacional de Tecnologia para RH, para debater a integração de pessoas e tecnologias nas organizações. O tema ganhou tal relevância nas empresas que, três anos depois, foi incorporado à grade do CONARH e passou a ter espaço garantido para reflexões e debates.

2001 – Antecedendo o CONARH, o 1º Fórum dos Presidentes passa a integrar o calendário da ABRH-Nacional. Com o apoio de um comitê peso-pesado – Firmin António, Gulherme Peirão Leal e Maurício Botelho, então presidentes do Grupo Accor, da Natura e Embraer, respectivamente –, dirigentes empresariais debatem o RH nos negócios. As conclusões são apresentadas na abertura do 27º CONARH, para 2.700 congressistas. O Palácio das Convenções do Anhembi começa a ficar pequeno para o evento.

2004 – Desta vez, junto com o 30º CONARH, o Brasil realiza o principal evento de RH do planeta: o Congresso Mundial de Recursos Humanos, bienal e promovido pela World Federation of People Management Associations (WFPMA). A 10ª edição deveria acontecer em Cingapura e a 11ª seria no Brasil, em 2006, mas uma epidemia da gripe asiática antecipa sua vinda. Organizado pela ABRH-Nacional em tempo recorde, o mundial acontece no Riocentro (RJ) para 4.200 congressistas e supera todas as edições realizadas até hoje. O sucesso eleva definitivamente o CONARH para um novo patamar; na edição seguinte, congresso e feira de negócios acontecem em casa nova – o Transamerica Expo Center, também na capital paulista.

2010 – O tema Uma janela para o novo sinaliza mudanças expressivas para o Brasil do pré-sal, para a gestão de pessoas e para o próprio congresso, que ganha um layout mais leve e interativo. Em sintonia fina com o cenário político, social e econômico, o evento torna-se palco de um debate entre os então candidatos à presidência da República José Serra e Marina Silva; Dilma Rousseff declinou do convite.

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