O essencial é invisível aos olhos

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tirinha

Por Felipe Waltrick

São 4h50 da manhã quando Augusto chega à empresa para a troca de turno da segurança na portaria. Ele pega os detalhes com Bruno, o segurança do turno da noite, deseja um bom descanso ao colega e logo assume seu posto. Poucos minutos depois, Beatriz aparece nas câmeras fazendo careta para brincar com seu colega da segurança, seguida de um belo sorriso. Ela entra, pergunta se o filho de Augusto está melhor da gripe enquanto vai em direção ao depósito pegar suas ferramentas de trabalho. Com espanador, pano umedecido e alguns sacos de lixo, Beatriz não perde tempo e começa a limpar as mesas do escritório, os monitores, os mouses, ajeita pastas e guarda alguns itens pessoais nas gavetas.

Depois de algumas viagens com o montante de lixo deixado no dia anterior, ela finalmente consegue deixar o ambiente pronto para mais um dia de expediente. Pouco antes de terminar, lá pelas 5h30, Catarina, a copeira, chega cantarolando uma música de Roberto Carlos que fala de fé. Como Catarina já conhece os colegas, ela logo serve um cafezinho, sem cerimônias. Enquanto fazem essa pausa, Dinei, o responsável pelos serviços gerais, entra na cozinha com um saco de pães, alertando para que alguém pegue a manteiga rapidamente para aproveitar os pães quentinhos.

Contudo, Dinei acaba não aproveitando a pausa do café, pois ele vê no mural de mensagens, um recadinho anônimo dizendo que algumas tomadas estão com problema devido ao mau uso, o que gerou uma sobrecarga. Além disso, ele ainda precisa buscar lâmpadas no almoxarifado para substituir alguns pontos, a tempo da primeira reunião do dia.

Entre essas e tantas outras tarefas, quando os primeiros funcionários começam a chegar por volta das 8h30, a empresa já está prontinha para funcionar. A portaria está recebendo a todos com ‘bom-dia’, muito embora, às vezes, sem retorno. O ambiente está iluminado, as mesas organizadas, os vidros e espelhos sem manchas, piso brilhando, lixeiras vazias, café e chá quentinhos, louça lavada, banheiros limpos e perfumados.

Agora, uma pergunta simples e que não vale trapacear: qual o nome da copeira?

O fato é que, na maioria das vezes, é assim que são vistos esses profissionais, como seres invisíveis, não pertencentes ao corpo da empresa. É comum que essas ocupações sejam menosprezadas, a ponto de virar traje em evento de estudantes para representar seus futuros, caso “nada dê certo”.

Aqui, fica um convite à reflexão sobre o que é gestão de pessoas: se vale para todos ou apenas para aqueles que não são invisíveis na empresa. A tecnologia ampliou as condições para avaliar o humor das organizações, o seu pulso, ritmo e até diagnóstico de produtividade. Independentemente de tudo, para se relacionar bem com as pessoas é preciso ver com o coração.

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