O gerente João-Bobo

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    Quando alguém assume uma posição gerencial, carrega, em sua bagagem, heranças e histórias de vida e experiências obtidas na carreira profissional, aí incluídas suas idiossincrasias. Há muita coisa em que acredita e corre atrás, outras em que não tem posição definida e ainda aquelas em que não acredita e procura evitar.

    E aí vêm os treinamentos gerenciais que o ensinam a transitar entre pelo menos dois vetores: inspirar e fazer acontecer. O soft e o hard. Ele aprende que não há preto no branco e que o exercício de sua função é carregado de incertezas e ambiguidades.  A história do e em vez do ou.

    Mas as ambiguidades têm um limite. Chega um momento em que uma posição precisa ser assumida e uma preferência exercida. Defronta-se com interesses diferentes, valores que não se somam, impactos que levam a resultados nem sempre desejados, pelo menos no íntimo.

    O que fazer? Tornar-se uma variável dependente das circunstâncias? Agir conforme um pensamento que não é o seu? Tornar-se um João-Bobo que é movimentado para lá e para cá sem cair?  Talvez essa seja uma saída mais inteligente, pois não adianta remar contra a maré. Mas, onde ficam os valores que aprendeu desde criança na família? E as experiências anteriores que demonstraram que certos caminhos devem ser evitados? E o seu pessoal que foi motivado pelas excelências do trabalho em equipe e que deve ser informado de uma decisão não desejada?

    As circunstâncias não excluem o eu. Não é possível justificar tudo pela circunstância e deitar a cabeça tranquilamente no travesseiro, Í  noite, sob a justificativa do dever cumprido. Quem julga a circunstância?

    O crescimento e a sobrevivência gerencial têm o seu preço. À medida que novas experiências se acumulam e realidades se reconfiguram, as organizações e seus intérpretes precisam se adaptar para evitar a entropia, mas sempre lembrando que as organizações são espaços e seus líderes são seres voltados para o desenvolvimento da sociedade, visto que uma organização se justifica por atender as necessidades da sociedade.

    Ser gerente não é ser empurrado para frente, para trás ou para os lados por mãos nem sempre invisíveis. É, pelo menos, participar da criação da música e interpretar seu papel com afinação, mesmo que algumas notas sejam dissonantes. Assumir o protagonismo.

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