O líder transformador

0
629
Geovana Guimarães / Crédito: Divulgação
Geovana Magalhães responsável pela área de Desenvolvimento de Lideranças & Engajamento da LHH|DBM / Crédito: Divulgação

As grandes reflexões das organizações da atualidade estão voltadas à sobrevivência e à perenidade do negócio, pensando também em possíveis expansões dentro de um quadro mundial de vulnerabilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade.

Tais desafios são enfrentados pelas lideranças muitas vezes de maneira pouco conectada com a realidade. Em outras palavras, muitos acreditam que a situação daquela organização é transitória ou só é ali que as mudanças estão acontecendo, muitas vezes queixando-se do cenário e esperando a tempestade passar.

A novidade é que a tempestade talvez não passe ou isso não ocorra de uma forma simples. Desse modo, o novo cenário exige do líder a capacidade de engajar, de gerir transições, de desenvolver as pessoas e a organização, de garantir a eficácia do trabalho em grupo, além de lidar de uma forma construtiva com a diversidade de ideias e cenários.

Para que se obtenha êxito em situações como essas, é importante exercitar a competência de atuar como um líder transformador, que é capaz de transformar-se e de transformar o outro para que o ambiente seja modificado, tornando-se hábil e flexível.

Atuar de forma transformadora exige muitas vezes abrir mão de dogmas, conceitos e preconceitos, aprendendo a captar o que tem de melhor nele mesmo, na sua equipe, pares e outros, colocando tais potencialidades a serviço de um único propósito, atuando de forma conjunta.

Adam Kahane foi um líder que atuou com foco em cenários transformadores na África do Sul e ele traz em seu livro uma piada por meio da qual a população procurava traduzir o cenário do país antes de sua atuação: “Temos apenas duas opções: a prática e a milagrosa. A prática seria nos ajoelharmos e rezarmos para que os anjos descessem do céu e resolvessem os problemas. A opção milagrosa seria que nós conversássemos e trabalhássemos juntos”.

Adam Kahane, então executivo da Shell,atuou fortemente naquela realidade e em conjunto com lideranças locais divergentes, conseguiu evoluções significativas na sociedade sul africana, até porque compreendia que se esta realidade não se modificasse, dificilmente a empresa que ele representava conseguiria sobreviver por ali.

Ele coloca que o primeiro passo para a transformação de qualquer cenário, é transformar a compreensão, ou seja, a forma como vemos as coisas, uma nova perspectiva, identificando o seu papel e procurando partilhar as percepções. O segundo passo é transformar os relacionamentos, aprendendo a compartilhar, ampliando a empatia e a confiança nos outros atores do processo. Em seguida, deve-se transformar as intenções, ou seja, o compromisso e a vontade fundamental de fazer as coisas acontecerem. E, por fim, transformar as ações, mas isso só é possível se os três passos anteriores forem cumpridos.

O relacionamento com as pessoas, compreendendo e respeitando as diferenças, invocando o melhor delas, abrindo diálogos francos e criando propósitos comuns, pode significar a diferença entre o sucesso ou o fracasso de um líder em sua jornada transformadora.

Na atuação como líder transformador é fundamental inspirar as pessoas, e essa inspiração pode ser conquistada de diversas maneiras, mas em geral ela passa pela forma como este líder constrói e comunica um propósito, pela coerência entre o que fala e como age, pela contribuição no desenvolvimento das pessoas, pelo legado que deixa, entre outras coisas.

Importante ressaltar que a liderança inspiradora se insere em um determinado ambiente, que tem seu cenário, sua cultura e suas crenças. Liderar pessoas neste ambiente exige conhecer em profundidade este ambiente, conhecer a si mesmo e conhecer o outro.

As pessoas têm suas motivações, as suas razões para produzirem e se engajarem. O líder inspirador facilita os caminhos do engajamento, principalmente em momentos de mudança.

[fbcomments]