O melhor ainda está por vir

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Março de 2032. Estou um pouco mais velho. Continuo com minhas corridas, mas em distâncias menores e em mais tempo. Os netos estão grandes e a família vai bem. Quando analiso nosso país, penso: “Quem diria que um dia teríamos um brasileiro presidindo a ONU e que seríamos a terceira maior potência mundial!” Recuperamos até a hegemonia no futebol!  Vejo que as empresas, como há vinte anos, seguem enfrentando problemas em suas relações internas de poder. Temos a geração O (de ômega), que é muito rápida, sagaz. Por um lado, nos vingaram dos antigos e hoje velhinhos Ys, que se achavam os melhores. Por outro, nos colocaram em uma situação interessante, de volta às relações sólidas e de maior proximidade. Vieram com essa onda de desconnect to connect e buscam mais a presença física, o contato verdadeiro.

Os tempos mudaram, mas continuamos enfrentando problemas organizacionais que datam do outro século. Mas uma coisa melhorou: conseguimos realmente conectar as pessoas à estratégia e vice-versa. Tudo começou lá pelos idos de 2010, quando algumas empresas pararam para refletir o impacto de suas ações nas pessoas, não somente nos seus funcionários. Naquela época, isso foi rotulado como apenas mais uma tendência organizacional, que logo passaria e que seu impacto seria momentâneo. As ações de engajamento e alinhamento das pessoas nas organizações, em todos os seus níveis, fossem funcionários de linha ou os que ocupassem posições de liderança, foram se estruturando, crescendo, solidificando a ponto de terem seus resultados avaliados pelos indicadores socioeconômicos como temos hoje em 2032. Os poucos desbravadores da área de RH que naquela época insistiram que alinhar e conectar pessoas aos resultados era possível devem estar orgulhosos.

A utilização dos testes sobre tipologia dos indivíduos para identificação e preparação dos potenciais, antes mesmo de serem promovidos, programas de alinhamento de líderes em diversos níveis, a gestão integrada de benefícios flexíveis que temos hoje, a remuneração atrelada aos resultados coletivos, enfim, tudo que lá atrás eram tendências se mostraram verdades impactantes e que mudaram a forma com que hoje trabalhamos, lideramos e vivemos dentro das organizações. O texto acima pode até parecer um exercício utópico de futurologia, mas creio que é assim que estaremos em 20 anos e só chegaremos lá pela coragem de alguns desbravadores de recursos humanos em insistir nas ações integradoras de pessoas e organização. Essas ações – promovendo o engajamento dos funcionários por meio de significado e benefícios reais, trazendo transparência para as ações e resultados das lideranças, colocando na mesa a verdadeira responsabilização, colocando a intolerância com os processos falhos, mas ao mesmo tempo o carinho com a “gente que traz” o sucesso para as empresas – são as engrenagens que, juntas e azeitadas à luz de muito respeito pelas diferenças, irão gerar o maior impacto já visto no mundo organizacional nos últimos tempos! Parece simples, e é! Só não confunda simplicidade com facilidade. Será difícil, mas não impossível.

 

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