O pêndulo da comunicação

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Vem aí o segundo grande desafio para os profissionais de recursos humanos.  O primeiro foi quando, no início da década passada, a área de RH – que um dia já foi DP – deixou de ser suporte e passou a ser estratégica na política corporativa das empresas no Brasil, ganhando o status de “gestão de pessoas”.

Agora esta área se prepara para um desafio que é, na verdade, um déjà vu: receber no colo a gestão de comunicação interna e externa. Isso já aconteceu no passado, na gênese da comunicação empresarial, quando as estruturas das empresas eram mais simples e havia menos “caixinhas” para preencher. Por afinidade, a área de comunicação – principalmente a interna – cresceu e floresceu dentro de recursos humanos entre as décadas de 70 e 90. 

Esse processo só foi interrompido quando as corporações perceberam que a gestão de sua imagem e reputação precisava ter caminho próprio, e aí foram estabelecidas as áreas de comunicação corporativa, institucional, empresarial ou qualquer outro dos diversos nomes que ganharam ao longo dos anos. Necessário dizer que esse é um fenômeno tipicamente brasileiro, já que o quadro é bastante diferente em países como os EUA, onde a área de relações públicas possui um espectro muito mais abrangente, que engloba todas as atividades de comunicação e não divide nada com recursos humanos. Aqui, dificuldades impostas pela legislação que regula a profissão de RP obrigou o mercado a seguir outros caminhos, mais tortuosos e menos eficientes.

De qualquer maneira, a análise de alguns movimentos recentes indica que a comunicação e a gestão de pessoas estão iniciando uma nova convergência. E aí vem a questão: os profissionais de recursos humanos estão preparados para lidar com essa nova realidade? Possuem as habilidades e a visão multidimensional que o exercício diário da comunicação exige? Fazer gestão de pessoas presume se comunicar bem com elas, e prover a organização de ferramentas e métodos que permitam que aquelas que estão do lado de fora sejam impactadas positiva e proativamente também faz parte do jogo. Considerando as deficiências na formação acadêmica das áreas humanas no país, vem a preocupação com o choque de método e de cultura que pode surgir desta reaproximação.

É preciso buscar o conhecimento e a sensibilidade para a comunicação em sua prática diária e, acima de tudo, nos relacionamentos com todos os públicos de interesse da empresa, os chamados stakeholders. 

Somente essa troca permanente de impressões e informações pode dotar o gestor de pessoas de um senso comunicativo mais apurado que certamente o levará a aperfeiçoar o entendimento de todo o processo.

Esta volta – ainda que pontual – da comunicação à gestão de pessoas pode, entretanto, ser passageira, mas é muito difícil prever o desenho organizacional que as empresas terão em um futuro próximo, em face de novos desafios como a gestão de imagem nas mídias sociais e o advento da geração Y no mercado de trabalho. Por enquanto, o certo é que quem entender e decifrar esse fenômeno largará na frente.

Daniel Bruin é sócio da SPGA Consultoria de Comunicação

 

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