Gestão

O que está por vir (2)

Caroline Marino, Cristina Morgato
15 de dezembro de 2011

Confira, a seguir, o que outros executivos de RH esperam para os próximos 12 meses.

CAPACITAR E RETER
DAVIDE APRILE
, diretor de relações humanas do Laboratório Farmacêutico Zambon no Brasil, é formado em economia e está no mercado de RH há sete anos. Antes de atuar no RH do laboratório, foi gerente sênior de RH da Novartis Biociências e gerente de projetos de consultoria da Accenture do Brasil.

Prioridades
Antes de falarmos sobre prioridades, precisamos refletir sobre o cenário atual. A recessão na Europa e o contexto econômico global fazem com que as multinacionais busquem redução de custos. Por outro lado, o Brasil vem crescendo e muitas empresas estão migrando para cá à procura de expansão e enfrentando a falta de talentos e de capacitação técnica da mão de obra. Se isso não bastasse, a multiplicidade de gerações no mercado e o advento da geração Y criam novas necessidades de ambientes e de modelos de trabalho. Neste cenário, a capacitação e o desenvolvimento de competências técnicas e principalmente de liderança são uma clara prioridade: os líderes devem estar preparados para gerenciar a diversidade. Assim, cabe ao RH trazer, desenvolver, mobilizar e reter líderes com visão de negócio e pessoas. Além disso, existe a necessidade de implantação de ações de flexibilização dos ambientes e modelos de trabalho, como benefícios e horários flexíveis, escritórios e reuniões virtuais e outras soluções que venham a simplificar o dia a dia, indo ao encontro de uma necessidade de customização quase individual. Estas ações têm de ser acompanhadas de comunicação e prioridades claras, tudo isso para gerar um ambiente produtivo que possa engajar e reter os talentos nas empresas.

Perspectivas
A área de RH vem vivendo um momento especial. Cada vez mais as empresas e os altos executivos enxergam com clareza a importância e o impacto das pessoas e das relações para a superação dos objetivos e desafios. Com isso, o RH tem sido mais prestigiado e desafiado no desenvolvimento de projetos e na implementação de práticas de gestão. Fica claro que a área vem se tornando um elemento estratégico e determinante para o sucesso e sustentabilidade das empresas. As perspectivas são muito boas e favoráveis, desde que se tenha foco e clareza na direção a ser seguida, sem esquecer que as competências técnicas de RH são a base para um trabalho eficiente.


 

DE VOLTA AO BÁSICO
Com mais de 17 anos de experiência em recursos humanos, ANTONIO SALVADOR está na Hewlett-Packard (HP) desde novembro de 2010, na qual responde pela vice-presidência de RH no Brasil. Antes disso, atuou em organizações como PricewaterhouseCoopers, IBM, Promon Tecnologia e Brahma (AmBev). Salvador é formado em comunicação social (relações públicas) e pós-graduado em administração de negócios, além de possuir cursos de extensão em programa de gerenciamento de jovens (no francês Insead) e liderança em serviços profissionais (na Harvard Business School).

Prioridades
Para o ano que vem, o que chamo de “volta ao básico”, ou seja, realizar ações básicas como recrutar, processar e realizar operações de forma mais eficiente, otimizando custos. Além disso, a área de RH também deve dar a devida atenção à gestão de talentos, isto é, trazer para a empresa profissionais que tenham uma identificação cultural com a companhia e, a partir daí, trabalhar internamente para mover esses talentos para novas oportunidades, para que eles se engajem e tenham a percepção de que suas carreiras estão evoluindo.

Perspectivas
Alguns temas deverão continuar em alta no próximo ano. Falta de talentos, por exemplo, é um problema que tende a crescer em 2012 – e não estou falando só na busca de talentos, mas sim, na procura de profissionais realmente qualificados e que atendam às necessidades das organizações. Pressão por custos também será um desafio. Os profissionais dessa área, mais do que nunca, terão de olhar para as empresas e avaliar qual o melhor modelo de custo para balancear e garantir o engajamento dos profissionais, ao mesmo tempo que se mantenha a competitividade. O tema engajamento também permanecerá no próximo ano como um dos temas-chave. Quanto às expectativas das organizações em relação aos profissionais de RH, certamente elas buscarão pessoas que saibam administrar crises, que sejam flexíveis, ágeis e que tenham grande conhecimento do negócio. 


 

FORMAR LÍDERES
NILSON NASCIMENTO, gerente de recursos humanos da Bematech, é formado em administração de empresas (UEL, 2004), com especialização em gestão estratégica de recursos humanos e formação em dinâmicas do grupo. Possui 10 anos de experiência generalista em RH, sendo responsável pela gestão de RH da Bematech desde 2009.

Prioridades
Continuar focado na construção de equipes de alto desempenho para atender à dinâmica do negócio e sustentar a excelência competitiva. Para isso, a área deve apostar sempre no desenvolvimento dos líderes, capacitando-os para repassar as mensagens corporativas e objetivos estratégicos às equipes, garantindo a transmissão do DNA organizacional da companhia.

Perspectivas
Diante de um cenário de constantes transformações no ambiente das empresas, o RH deve assumir um papel cada vez mais estratégico. São premissas básicas a busca constante da melhoria do clima organizacional e a valorização dos talentos, por meio de ações de reconhecimento, desenvolvimento de competências e oportunidades de crescimento.


 

ALTA PERFORMANCE
MARCOS CUNHA, diretor-geral de recursos humanos da Siemens, é engenheiro eletrônico de formação e possui MBA em administração de empresas. O executivo está na companhia desde 1980, tendo passado pelas áreas de marketing, produtos e sistemas, vendas e comunicação até chegar, em 2006, à área de RH.

Prioridades
As prioridades do RH estão relacionadas com as do negócio. O grande desafio de continuar crescendo em um mercado em que existe escassez de profissionais especializados continua a requerer medidas concretas para garantir a captação desses recursos na quantidade, qualidade, tempo certo e no prazo exigidos. Por outro lado, a retenção desses profissionais traz o desafio de oferecer programas adequados para o seu desenvolvimento, carreira e remuneração,  além de promover um ambiente estimulante para o engajamento  e comprometimento da força de trabalho de diferentes especialidades, experiências, tempo de casa, idade, sexo e outros elementos de diversidade. Não menos prioritário é o trabalho conjunto com os gestores para desenvolver suas capacidades como líderes em suas responsabilidades de desenvolver, engajar e manter equipes de alta performance.

Perspectivas
As empresas valorizarão cada vez mais a área de recursos humanos como estratégica para o desenvolvimento sustentável. Isso exigirá do profissional de RH um profundo conhecimento do negócio em que está inserido, visão estratégica e capacidade adaptativa para enfrentar as constantes mudanças de cenários externos e internos. 


 

EFICIÊNCIA NOS PROCESSOS
MEILING CANIZARES assumiu em junho deste ano a diretoria de recursos humanos da GXS, multinacional que atua na área de soluções para o comércio eletrônico. Formada em psicologia e pós-graduada em administração de empresas, a executiva possui mais de 15 anos de experiência na área, com perfil generalista e conhecimento de todos os subsistemas de RH. Especialista em desenvolvimento humano e organizacional, Meiling passou por empresas como Atacadão, Chubb Seguros e Symrise Aromas.

Prioridades
Acredito que, para 2012, as áreas de recursos humanos terão como prioridade a melhoria da excelência operacional de RH, com processos ágeis e eficientes, para otimizar o trabalho da equipe. Além disso, será preciso continuar investindo em programas que visem à atração, desenvolvimento e retenção de talentos, sem deixar de lado os investimentos em desenvolvimento de lideranças, que sempre foram uma necessidade na maioria das empresas. Isso sem falar no desenvolvimento de programas voltados a atrair e reter os diferentes públicos internos (considerando geração Y, mulheres etc.).

Perspectivas
O RH será visto, cada vez mais, como parceiro estratégico do negócio. Assim, acredito que as equipes de recursos humanos ficarão mais enxutas e haverá mais terceirização para que a área consiga dar conta da demanda de trabalho. Observo, ainda, uma tendência em dar suporte para que os colaboradores façam seu planejamento de carreira – definir as trilhas de carreiras e seus requisitos de acesso, como subsídios para que os colaboradores conheçam o que é importante na hora de uma promoção ou o que será requerido para seu próximo passo na empresa.


 

COMUNICAÇÃO E DIVERSIDADE
VERA SAICALI atua há mais de 20 anos como profissional sênior em RH, tendo passagens por empresas como Arthur Andersen, ABN AMRO e Citibank. Atualmente, é diretora de recursos humanos no HSBC.

Prioridades
Liderança, comunicação e diversidade de gênero. São essas as prioridades no HSBC e acredito que para todo o mercado. É importante estabelecer uma cultura de conversas, em que o gestor é protagonista da comunicação. Dessa maneira, todos são ouvidos constantemente, temas são debatidos, soluções encontradas em conjunto e o gestor se mantém próximo da equipe. A capacitação da liderança deve ser contínua. Diversidade e inclusão também são questões primordiais, especialmente porque grandes empresas precisam ter uma equipe tão diversificada quanto seus clientes.

Perspectivas
Proximidade e maior alinhamento da estrutura às necessidades do negócio para ações mais conectadas, que realmente apoiem a estratégia e sua execução. 


 

FOCO NO FEEDBACK
A vice-presidente de RH da MasterCard Brasil e Cone Sul, KÁTIA BULGARELI, é graduada em psicologia e possui especialização em RH com ênfase em administração, além de certificação em business administration pela Columbia University e MBA em RH. Antes de ingressar na MasterCard, trabalhou no Grupo Santander Brasil e no Citibank Group.
 
Prioridades
Em momentos de expansão, com a economia aquecida, é preciso investir bastante no treinamento e na formação de gestores, dando atenção a questões como técnicas de gestão e foco no feedback. É preciso, ainda, orientar as pessoas a se comunicar melhor, circular mais a informação, manter o grupo atualizado, ouvir e discutir mais. Aculturar os gestores a desempenhar um novo papel, o de ser condutor de direção e de informação, e reforçar com clareza a importância da comunicação também estão nas prioridades.

Perspectivas
A tendência é que a área lidere mais projetos que garantam a melhor integração das pessoas, o preparo da estrutura para o crescimento da empresa e, principalmente, a garantia de que a fluidez da comunicação entre a empresa (leia-se liderança) e as equipes seja mantida. Isso porque o RH funciona como canal condutor de informações que leva para a liderança as necessidades dos funcionários e vice-versa.


 

DIÁLOGO ABERTO
Formada em psicologia e com MBA em RH, ROSE GABAY, diretora de recursos humanos da OdontoPrev, possui cerca de 25 anos de experiência na área e tem no currículo empresas como Grupo Ultra e Banco ABN/Real.

Prioridades
Trabalhar fortemente o engajamento dos colaboradores, visando atrair e reter pessoas. Outra prioridade da área de recursos humanos em 2012 será a capacitação e formação de pessoas. Além disso, acredito ainda que os programas de sugestões e todos os canais para “ouvir” os colaboradores tenham espaço cada mais relevante no próximo ano. Antecipar questões que possam prevenir desmotivação ou perda de equipe será foco da gestão de pessoas em 2012.

Perspectivas
Com o crescimento das empresas no cenário positivo da economia brasileira, acredito no papel fundamental do RH, buscando equilibrar crescimento e investimento com eficiência e melhoria de processos de gestão.


 

NOVAS COMPETÊNCIAS
Formada em psicologia e pós-graduada em administração de recursos humanos, MARIANE GUERRA, diretora de RH da ADP Brasil, é master coach e coach executiva certificada pelo Integrated Coaching Institute. A executiva está na área de RH há mais de 23 anos, com passagem por empresas como Marsh MacLennan, Grupo Santander, GE Capital, AOL, Nortel Networks, Mobil Oil e PepsiCo.

Prioridades
Acredito que no Brasil, não somente em 2012, mas provavelmente nos próximos cinco anos, o RH deverá priorizar capacitação e qualificação dos colaboradores em geral e desenvolvimento de liderança. Uma pesquisa publicada pela CNI recentemente menciona que a falta de mão de obra qualificada já afeta 69% das empresas. Com a tendência de crescimento da economia, essa dificuldade deve se agravar e as empresas, certamente, deverão priorizar formação e qualificação de seus colaboradores para sustentar o crescimento. O desenvolvimento da liderança também deve ser uma prioridade. As mudanças constantes, inovações tecnológicas e crescentes exigências de um mercado cada vez mais competitivo têm exigido da liderança novas competências. O RH certamente terá um papel significativo em ajudar os líderes a desenvolver estas competências, assim como em formar novos líderes que ajudem a sustentar o crescimento dos negócios.

Perspectivas
O RH deverá ser cada vez mais demandado a pensar estrategicamente e a comunicar-se melhor com todos os níveis da organização. Os profissionais que estiverem preparados para corresponder a esta demanda serão disputados no mercado. As competências técnicas deverão gradualmente perder importância, e o papel do profissional de RH como parceiro de negócio deve crescer ainda mais do que nos últimos anos.


 

TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO
Com 22 anos de experiência em RH, ELIANA LUIZA BARBOSA DOS SANTOS, hoje gerente de recursos humanos da Digisystem, consultoria em gestão de negócios e ERP, é graduada em RH e possui pós-graduação em psicologia organizacional. A executiva tem no currículo empresas como Veirano Advogados e Associação Comercial de São Bernardo do Campo.

Prioridades
As prioridades do RH em 2012 serão as áreas de recrutamento e seleção e treinamento. Isso porque com os grandes eventos que o Brasil irá sediar em breve – olimpíadas e copa do mundo – novos postos de trabalhos serão criados, aumentando significativamente a contratação de profissionais. A área deve estar preparada para essa demanda, com processos de R&S simples, porém eficazes, focado na agilidade e assertividade na contratação desses profissionais. Como reflexo, deve aumentar os investimentos em treinamentos, o que exigirá da área novas ferramentas para identificar talentos internos que precisam e merecem ser aproveitados.

Perspectivas
Contribuir de maneira mais efetiva com o crescimento e desenvolvimento mútuo empresa e colaborador, por meio do aprimoramento das áreas de treinamento e desenvolvimento, garantindo assim a capacitação e qualificação dos profissionais e preservando a qualidade e a excelência na prestação dos serviço.


 
GERENCIAMENTO DE TALENTOS
MACARENA OLIVEIRA 
é formada em administração de pessoas e desde 2008 ocupa o cargo de gerente de recursos humanos para South Latam na Amadeus. A executiva atua na companhia desde 2000 e ingressou como analista de RH para América Latina. Também exerceu as funções de gerente e head de RH Latam, antes de ocupar a função atual.

 

Prioridades
Acredito que as prioridades da área para o próximo ano, em diversas empresas pelo mundo, estarão focadas nas estratégias para a retenção e gerenciamento de talentos, pois as pessoas são e continuarão sendo o principal motor para manter os negócios de qualquer companhia. Por isso, vejo que o foco da área de gestão de pessoas estará, cada vez mais, em desenvolver ações e iniciativas que identifiquem profissionais diferenciados e talentosos, garantam a assertividade na seleção e a constante capacitação dessas pessoas, diante de um mercado cada vez mais desafiante e competitivo.

Perspectivas
O RH deve continuar sendo um parceiro de negócios, com o objetivo de satisfazer as necessidades que surgirem e sempre se antecipando para auxiliar as estratégias da companhia.


ENCANTAR PARA RETER TALENTOS
O superintendente de governança, controles internos, processos e pessoas da Brasilprev, CARLOS MADI, chegou à empresa no início de 2008 com o desafio de manter as boas práticas de governança, garantir que as decisões tomadas pelo conselho de administração sejam cumpridas, além de facilitar o acesso ao capital da empresa, contribuindo para a perenidade da companhia. . Formado em física e com MBA em finanças, Madi trabalhava desde 1975 no Banco do Brasil.

Prioridades
Com o mercado aquecido e a entrada de novas companhias de seguros e previdências, acredito que o RH terá de capacitar cada vez mais seus colaboradores, melhorando seus desempenhos, e apostando sempre na retenção. Acredito que oferecer benefícios é a porta de entrada, mas a permanência está nas propostas de projetos e no nível de conhecimento que a empresa irá entregar aos seus colaboradores. O público atual solicita esse tipo de desafio, de encantamento e de sedução, para que aconteça a atração e permanência de talentos. Outra prioridade é o foco nos esforços da equipe de gestão de pessoas numa atuação consultiva. É importante também trabalhar na cultura de gestão do conhecimento e sucessão, assuntos que devem caminhar juntos para a obtenção de sucesso e alta performance.

Perspectivas
A perspectiva é o Rh estar cada vez mais próximos das áreas de negócio, propondo soluções customizadas de forma pró-ativa – a atuação consultiva nos permite conhecer as áreas clientes de maneira mais aprofundada e assertiva, o que gera muito mais valor percebido. Uma tendência clara para o mercado como um todo é a utilização das redes sociais. Mas, apesar de ser um assunto atual, é importante reforçar a todo momento para as equipes o quanto é preciso ter cuidado ao utilizá-las para manter a imagem e reputação da empresa.

 

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