Gestão

O que será o amanhã?

Marcos Nascimento*
11 de Janeiro de 2011

Nunca fui muito fã de previsões sobre dimensões políticas, econômicas e sociais. Sempre julguei que o exercício de futurologia passa por uma certa vaidade, alicerçada  normalmente no domínio de um conhecimento específico. Ou seja, são opiniões fortes, de pessoas que se julgam fortes em seus campos de atuação, o suficiente para moldar e dar diretrizes de como o mundo será, de acordo com seus conhecimentos e às vezes suas próprias vontades. Portanto, não farei aqui nenhuma apologia de descrição do futuro. Prefiro contar como foi 2010 e que questões não resolvidas necessitarão ser revisitadas em breve.

Alinhamento e efetividade dos chamados top teams foi meu grande foco de atuação em 2010, chegando a tomar 90% de meu tempo de trabalho. Em um típico projeto dessa natureza, três dimensões são abordadas, em um processo razoavelmente longo. Em uma jornada dessas, as dimensões “alinhamento”, “execução” e “renovação” são abordadas considerando sempre questões de direção, estrutura, qualidade das interações, clareza e interface dos papéis.

Toda essa abordagem pressupõe um belo diagnóstico em que os lados hard e soft do funcionamento de uma equipe são identificados, por meio de pesquisas específicas. Somente depois é que os passos dessa jornada são preparados, e o primeiro se dá em um encontro de pelo menos dois dias (chamado de fórum) para nivelar “o que somos, o que queremos ser e como queremos ser” como equipe.

Depois disso, as decisões sobre os “quês” e “comos” são testadas no que chamamos de field, ou trabalho de campo. É, de fato, a aplicação prática das mudanças que acordamos no primeiro fórum, por meio de processos simples para que avaliações e medições possam ser feitas. Após algumas semanas de aplicação prática, temos um segundo encontro, em que avaliamos o que foi feito e nos damos a licença poética para ajustar ferramentas e comportamentos que façam sentido. Outro field se dá e o processo continua até estar interiorizado e funcionando como algo natural. Leva tempo, necessita de disciplina e vontade, mas, principalmente, tem de ter significado para quem está dentro dessa jornada.

Quando analiso o ano que passou sob a ótica dessa abordagem, no número de clientes em que trabalhei, ainda vejo questões não resolvidas que necessitarão de um investimento de tempo, esforço e dinheiro bastante grande para esse ano de 2011. Alinhar os top teams ainda será um grande desafio. E a razão para fazer isso é que o impacto e o desdobramento que um time desse nível causa nas organizações é binário: motivador ou aniquilador. O desdobramento de um top team alinhado é ter os demais times da organização entrando em um processo natural de trabalhar juntos, pensar em crescimento sustentável, ter na pauta o conceito de “nossa empresa” e não o de “nossa área” e, claro, resultados efetivos não só no conteúdo, mas na qualidade e forma em que as relações se manifestam.

Esse ano será de maiores e melhores conversas, estruturadas, com significado e resultados tangíveis, para organizações, times e pessoas. Colocar isso na pauta é, e ainda será, o grande desafio para 2011. Mas isso não é uma previsão. É somente a opinião de um inconformado e esperançoso consultor.

*Marcos Nascimento é consulto organizacional da Mckinsey e educador

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