O RH e o BRICS

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    Educação é a palavra-chave para o crescimento sustentável dos países emergentes, mas, nesse quesito, ainda falta uma forte mobilização do governo, das empresas e da ociedade para garantir um futuro sólido ao Brasil. Essa foi uma das conclusões do I Seminário de Recursos Humanos dos Países do Bric, evento pioneiro realizado, em maio, ela ABRH-Nacional e a Fundação Getulio Vargas (FGV), na capital paulista. “Se queremos um país forte, precisamos focar nossas atenções para que os trabalhadores sejam mais bem preparados e inclusos no mercado de trabalho”, frisou a presidente a associação, Leyla Nascimento, na abertura.

    Carlos Aldao-Zapiola, consultor da Organização Internacional do Trabalho (OIT), lembrou que o Brics deverá somar, em 2050, mais de 37% da população mundial, um enorme potencial de consumo, mas que, para seguir avançando, será necessário aprofundar os investimentos em educação e geração de emprego. Uma demonstração dessa necessidade aparece em uma pesquisa realizada, em 2010, pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), em parceria com o jornal Valor Econômico . Ao falar da internacionalização das empresas brasileiras na nova ordem mundial, Luis Afonso Lima, presidente da Sobeet, comentou os resultados do estudo, no qual a falta de pessoal com as competências necessárias aparece como uma das cinco principais barreiras internas.

    Na contramão dessa realidade, o diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Kevin Tang, citou os fortes investimentos da China em educação para justificar os números excepcionais que o país apresenta hoje, como o recorde de US$ 105,7 bilhões atraídos em investimentos estrangeiros diretos em 2010.

    Competências
    Ozires Silva, reitor da Unimonte, destacou a área de RH como grande força transformadora das organizações para uma mudança de patamar do Brasil. “Em certa ocasião, conversando com o então presidente da General Electric, Jack Welch, perguntei qual era a atividade a que ele dedicava mais tempo. A resposta foi: ´´a de me cercar de talentos e contribuir para que eles possam existir´´”, contou. Mudanças substanciais também devem acontecer na Índia. O país foi foco do CEO global do Great Place to Work Institute, José Tolovi Jr, que comentou os resultados da pesquisa As Melhores Empresas para Trabalhar da Índia, na qual aparecem as preferências da nova força de trabalho do país, como autonomia e liberdade, flexibilidade e equilíbrio entre a vida profissional e pessoal e transparência nas relações. Para os gestores, disse Tolovi, isso se traduz no desafio de facilitar uma mudança no modelo patriarcal de gestão vigente no país.

    A Rússia foi representada por Antônio Rosset, presidente da Câmara Oficial de Comércio e Indústria Brasil-Rússia. Apesar do alto nível de escolaridade da população, o país enfrenta restrições para se conectar com o mundo, como a barreira do idioma e os resquícios do período de autoritarismo. Apesar delas, frisou, a Rússia surpreende em sua caminhada rumo à modernização. O diretor de Pesquisa da ABRH-Nacional, Eugenio Mussak, acrescentou que, além de competências técnicas, práticas e éticas, para gerar riqueza é preciso desenvolver a competência estética, que reúne beleza, limpeza (infraestrutura) e gentileza (prestação de serviços).

    Cases
    O seminário também mostrou práticas corporativas bem-sucedidas, como o projeto Gestão de Talentos Estratégicos da TV Globo, apresentado pelo diretor de Pesquisa e RH Érico Magalhães, que envolve a participação de profissionais seniores da empresa, inclusive do elenco artístico e da área de jornalismo. Já o diretor global de RH e Governança da Vale, Luciano Siani, contou que a companhia fez um mapeamento dos municípios brasileiros em que não há mais profissionais para serem recrutados e os busca em estados cuja oferta de talentos pode suprir a demanda da empresa.

    Ao final, Luiz Edmundo Rosa, diretor de Educação da ABRH-Nacional; Nelson Savioli, diretor de Relações Corporativas Internacionais da associação; e Bianor Cavalcanti e Luiz Estevan Lopes Gonçalves, respectivamente diretor internacional e gerente de programas internacionais da FGV, debateram os principais pontos do seminário que deverão ser revertidos em um documento a ser encaminhado aos poderes públicos, instituições educacionais e entidades empresariais dos países do Brics.

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