Gestão

O ser competitivo<br />

Marcos Nascimento*
12 de agosto de 2010

A palavra competitividade acompanha o mundo corporativo há tempos. Seu conceito tem um quê de empirismo, pois mesmo grandes teóricos da administração não oferecem uma definição cristalina sobre ele. Daí surgirem termos correlatos, como vantagem competitiva, estratégia competitiva, diferencial competitivo, sem uma conexão conceitual e metodológica muito rigorosa.

De forma geral, os estudos sobre o tema reconhecem a existência de três dimensões que o determinam: sistêmica (relacionada à estrutura produtiva, social e cultural); estrutural (relacionada a características específicas de ramos de atividade específicos); e empresarial (relacionada aos recursos específicos de cada empresa e/ou unidade de negócio).

Pois bem, quando analiso algumas empresas, surpreendo-me com a falta de algumas questões básicas sobre competitividade. O que existe, na verdade, é uma busca frenética por ela por meio de investimentos em tecnologia de ponta, “ter os melhores talentos”, redução de custos a qualquer custo etc. Mas permitam-me fazer uma analogia diferente.

Escrevo este artigo minutos depois de a seleção brasileira vencer, pela 9ª vez, a Liga Mundial de Vôlei. O fato traz uma bela estatística, daquelas de dar inveja para muitos: o técnico Bernardinho completou mais de 320 jogos liderando a seleção brasileira com 91% de efetividade. Ou seja, a cada 10 jogos, ele sai vitorioso em nove. Minha filha mais nova estava comigo assistindo ao jogo, chegou até a me perguntar por que a equipe de vôlei ganha tudo, joga bonito, tem raça e mostra felicidade quando joga e a do futebol não é a mesma coisa.

Como bom consultor, minha primeira resposta foi “Excelente pergunta, minha filha!”, mas confesso que isso me tocou. Como manter-se competitivo nesse nível. Foi então que algumas perguntas surgiram. De que valem os investimentos em tecnologia se as pessoas que irão utilizá-la não têm a preparação suficiente? E buscar os “melhores talentos” se os líderes estão abaixo da mediocridade? De que vale tentar reter esses profissionais se as políticas de RH não atendem às expectativas deles?

Ao olhar para a seleção de vôlei, não vejo nada disso. Vejo um grupo de profissionais extremamente talentosos, que recebe a capacitação adequada, que tem estrutura e investimentos sustentáveis, que tem líderes em diversas áreas, mas que não querem brilhar mais que o conjunto da obra. E, principalmente, tem um guardião para que possíveis desvios nessa jornada sejam corrigidos a tempo.

Não quero, aqui, fazer apologia ao líder perfeito, pois conheci apenas um. Quero é provocar uma reflexão: se nossa seleção de vôlei consegue, temos grandes chances de conseguir isso em nossas organizações. Precisamos é de alguém com coragem para assumir o papel de guardião desse processo. O mais qualificado para isso é você, meu querido profissional de RH. Se você conseguir colocar isso em prática, a chamada competitividade virá como consequência. Duvida? Eu não, pois vi um time ser nove vezes campeão do mundo fazendo exatamente isso.

*Marcos Nascimento é consultor organizacional da MCKinsey e educador

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