Gestão

O Sul na Nacional

Gumae Carvalho
14 de Abril de 2014
Cassio Mattos
Cassio Mattos: nenhum presidente faz nada de forma individual 

Foi por acaso que Pedro Fagherazzi começou sua carreira em RH. Depois de não ser escolhido para uma vaga de assistente da área de suprimentos de uma empresa de distribuição de medicamentos, acabou ganhando uma oportunidade na área de cargos e salários. Era o ano de 1981 e, de lá para cá, uma certeza se consolidou: “Hoje, não consigo me imaginar em outra área que não seja essa”, afirma.
Um ano antes, desta vez na companhia de bebidas Brahma, o jovem Cassio Mattos cumpria a rotina do programa de trainees do qual participava, conhecendo todas as áreas da empresa, até encontrar aquela com a qual mais se identificava: RH. “Naquela época, era normal os programas de desenvolvimento de novas lideranças alcançarem 24 ou 30 meses, hoje é muito diferente”, compara Mattos.

De jovem assistente e trainee, os dois, hoje, representam o Rio Grande do Sul na Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional). Fagherazzi ocupa a presidência do Conselho Deliberativo da entidade e Mattos é o vice-presidente financeiro. Antes de ocuparem esses postos, ambos trilharam uma profícua carreira associativa – a começar pela ABRH-RS. Coordenador de um grupo informal de RH em Porto Alegre, Mattos sequer imaginava fazer parte da seccional gaúcha da ABRH. Alguns colegas que eram membros da diretoria e do conselho da ABRH-RS convidaram-no para ser presidente, em 1991. “No primeiro momento não aceitei, até porque eu nem era sócio da entidade. Mas, aos poucos, fui entendendo os propósitos do convite e vi que parecia ser uma oportunidade e uma atenção aos meus colegas pela confiança e expectativas depositadas em mim”, lembra. Foi, nas palavras dele, a melhor decisão profissional que ele tomou, pois esse percurso transformou-se em uma fonte inesgotável de aprendizagem e um local para conhecer pessoas brilhantes.

Mais do que brilhantes, pessoas livres. Isso é o que se pode concluir dos aprendizados de Fagherazzi ao longo de sua trajetória na ABRH-RS. “A vida associativa difere da vida profissional empresarial especialmente nos aspectos relacionados aos vínculos entre as pessoas, que não são regidos por contratos formais. E isso exige outra forma de liderança, mais participativa e política. Como assumi várias posições de liderança na ABRH-RS, sendo seis anos como presidente (2007-2012), o maior desafio e aprendizado foi o de liderar pessoas livres.”

Voluntariado

Pedro Fagherazzi
Pedro Fagherazzi: objetividade, assertividade e cooperativismo

Fagherazzi iniciou na ABRH-RS em 1998 como vice-presidente de marketing, compondo uma chapa liderada pelo então presidente Helmuth Berndt. “Aceitei o convite por entender que eu deveria, de forma voluntária, devolver à sociedade um pouco daquilo que recebi na vida profissional”, diz. O voluntariado sempre foi uma questão presente na vida dele: “Nasci numa comunidade rural em Farroupilha, interior do estado, e lá todos se voluntariam para desenvolver a comunidade”, lembra Fagherazzi.

Da presidência da seccional gaúcha (1992-1993) até a vice-presidência financeira, Mattos ocupou a presidência da ABRH-Nacional (entre 1998-2003) e da Federación Interamericana de Gestión Humana (Fidagh), entre 2003 e 2005, da qual também é presidente do Conselho Consultivo. Ao longo desse período, os desafios e lições foram muitos. Alguns Mattos destaca, como: ser voluntário não é ser amador, mas sim profissional o tempo todo, pois é fundamental entender que a sua reputação está sendo posta à prova constantemente; e saber que nenhum presidente faz nada de forma individual. “Colegas de diretoria, membros dos conselhos e equipe de profissionais da entidade são parte essencial na construção de um legado. Assim, e antes de tudo, é necessário reconhecer esse verdadeiro exército, sem o qual nenhum presidente faz nada”, diz.

#L# Cooperativismo
Fagherazzi concorda. Ele conta que nos 15 anos em que ficou vinculado à ABRH-RS tem orgulho de ter contribuído para o crescimento da entidade que, em 1998, tinha quatro funcionários e ao final do mandato dele já somava 55. “Isso é fruto de um trabalho coletivo e comprometido com a criação de novos produtos e serviços, que tornou a seccional uma das entidades mais reconhecidas no estado pelo empresariado e pela mídia”, diz. Dessa experiência, ele conta que leva para a ABRH-Nacional todo o aprendizado na condução de grandes times de voluntários, governança e da gestão administrativa. “E da cultura gaúcha, levo a objetividade, a assertividade e o cooperativismo, tão presentes no nosso estado.”

Ações para todos os níveis
Qual a avaliação do RH hoje no país? Para Cassio Mattos, existem vários níveis de RH. “Mas, sem dúvida nenhuma, podemos mostrar ao mundo inúmeros exemplos de práticas avançadas na gestão de pessoas com evidências de valor agregado ao desenvolvimento de pessoas e organizações”, acrescenta. Os desafios para o gestor dessa área são muitos e passam do investimento na capacitação de seus próprios profissionais até o gerenciamento de mudanças em ambientes cada dia mais voláteis.

Nesse sentido, a ABRH-Nacional vem oferecendo inúmeras ações direcionadas para elevar a competência dos profissionais da área. “Somos uma entidade respeitada e reconhecida no Brasil e no exterior, pois os nossos feitos servem de exemplo para muitas outras entidades, inclusive aquelas não de RH”, lembra Mattos.

Exemplos dessas ações são os congressos, fóruns e cursos promovidos nos 22 estados em que a entidade está presente. E, desses, destaca-se o Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (CONARH). “Nele, os participantes têm acesso a palestras e cases sobre o que há de mais novo no mundo do trabalho, além de uma excelente feira de produtos e serviços para a área de RH”, diz Pedro Fagherazzi. “Participar de pelo menos um congresso ou fórum relacionados à gestão de pessoas deve ser agenda obrigatória anual para todos os gestores de pessoas e profissionais de recursos humanos.”

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