Gestão

Objetivo Esperto

Eugenio Mussak
10 de julho de 2014
Eugenio Mussak
Eugenio Mussak é professor da FIA, consultor e autor

Chama-se de acrônimo uma palavra que é formada pelas iniciais ou por sílabas de outras palavras. Serve para facilitar a memorização e o entendimento de algum conceito, ou denominação. Um dos acrônimos mais utilizados nas empresas é o SMART, palavra que em inglês significa inteligente, ou esperto. Um objetivo SMART, entretanto, não é traduzido por objetivo inteligente, e sim por ser um objetivo que levou em consideração cinco variáveis, cujas iniciais formam o acrônimo. Observando as cinco você terá muito mais segurança de que o objetivo será alcançado.

O que as letras significam varia um pouco entre os autores. A interpretação mais utilizada é a seguinte: o S lembra que o objetivo tem de ser eSpecífico (Specific), tem de ser focado e claro, não pode ser genérico ou abrangente demais. A letra M vem de Mensurável, pois é mais fácil lidar com dados quantitativos, até para avaliar a evolução do projeto. A letra R diz que o objetivo tem de ser Realista, alcançável, e não um mero sonho, um desejo sem base na realidade. A letra T insiste que o objetivo tem de ser Temporal, ou seja, tem de ter prazo, não pode ficar no “algum dia”, quem sabe.

A maior discussão é sobre a letra A. Alguns dizem que no inglês ela significa Achievable – alcançável. Mas isso seria o mesmo que Realista, possível. Fala-se ainda em Attainable, Action-oriented, Adjustable, Ambitious e outros. Mas a versão mais utilizada é Appropriate – apropriado, ou adequado.

Isso mesmo, adequado. Temos um objetivo que é claro, foi colocado no tempo, pode ser verificado numericamente, e é perfeitamente factível. Mas… será adequado? Se o projeto for considerado adequado é porque ele é necessário, bom, útil, ético, belo. E, não menos importante, está em consonância com o tempo ou, em outras palavras, agora é mesmo o melhor momento para ser executado.

Essa é, possivelmente, a maior discussão entre as várias que envolvem, acaloradamente, a realização do Campeonato Mundial de Futebol da Fifa no Brasil em 2014, a Copa do Mundo, como preferimos chamar por aqui. Acertada com antecedência de sete anos entre o governo brasileiro e as duas entidades envolvidas, a CBF e a Fifa, o projeto era bem específico, tinha prazo muito claro, foi quantitativamente equacionado e se chegou à conclusão que era factível. Maravilha. Mas, foi mesmo adequado nesse momento para acontecer em um país com tantas prioridades? Não teria sido mais adequado primeiro “arrumar a casa” para então trazer o evento em vez de usar a festa como motivo para os tantos ajustes estruturais que não são necessários apenas para os jogos de um mês e sim para o Brasil de sempre?

#L# O SMART é uma ferramenta de fácil entendimento e de aplicação bastante eficiente. Está na companhia do SWOT e do PDCA em aplicabilidade e resolubilidade. Sua origem é atribuída ao princípio de Gestão por Objetivos, uma das bandeiras de Peter Drucker, e com o mestre não se discute. A emoção dos jogos, a bola rolando, a performance de tantos craques, a paixão pelo esporte das multidões formam, em conjunto, sem a menor dúvida, um espetáculo grandioso. Mas talvez não fosse, neste momento, smart enough…

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