Obstáculos em comum

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    Não importa o lugar. Companhias que operam em diversas economias ao redor do mundo enfrentam alguns desafios comuns ao proporcionar a seus empregados os benefícios de aposentadoria, saúde e seguro de vida e invalidez, e ressaltam a necessidade de um controle global, sendo o principal deles relacionado à mudança no conceito de aposentadoria e o crescente aumento do custo de assistência médica. É o que mostra pesquisa desenvolvida pela Mercer sobre programas de benefícios em 48 países.

    Segundo Carolina Mazza Wanderley, consultora sênior de previdência da Mercer, no Brasil esses desafios não são diferentes e, cada vez mais, observa-se uma necessidade latente de oferecer educação aos funcionários em relação aos benefícios de previdência privada e assistência médica. “As empresas, aqui, investem pouco nesse quesito, provavelmente em função da dificuldade de avaliar o retorno que essa educação traz para a motivação de seus profissionais no trabalho, bem como para a redução nos custos dos benefícios”, conclui. Veja, a seguir, os principais desafios e as tendências de aposentadoria, assistência médica, seguro de vida e invalidez, de acordo com o estudo da Mercer:

    APOSENTADORIA

    O conceito de aposentadoria está mudando e muitos se sentirão forçados a adiar a aposentadoria integral
    Muitos governos estão ampliando a idade de aposentadoria, já que uma força de trabalho em processo de envelhecimento demonstra que o contingente de aposentados está crescendo mais rápido que o número de trabalhadores produtivos e contribuintes para os programas de aposentadoria patrocinados pelo Estado ou pelo setor privado. Isso demandará que os benefícios concedidos para empregados mais idosos mudem significativamente. Enquanto os grupos anteriores de aposentados, em países com alta renda, viam a aposentadoria como um período de lazer, as gerações atuais esperam continuar trabalhando durante a velhice.

    Giles Archibald, líder da prática internacional de previdência da Mercer, explica que o conceito de aposentadoria está mudando num ritmo sem precedentes, impulsionado por várias tendências relacionadas. “Taxas de nascimento em queda e o aumento na expectativa de vida mostram que as pessoas precisarão permanecer trabalhando por mais tempo e terão de se aposentar mais tarde. Isso sem falar que a mudança para planos de contribuição definida pode tornar mais difícil poupar adequadamente para a aposentadoria, particularmente em tempos de dificuldades financeiras”, completa.

    Planos de contribuição definida (CD) estão se tornando norma
    A maioria das empresas multinacionais tem, explicitamente, declarado preferência pela criação apenas de planos CD no futuro. E embora vários países ainda tenham planos de benefícios definidos (BD) predominantemente patrocinados pelas empresas (em países como Coreia do Sul, Filipinas, Japão, Canadá, México, Bélgica, Israel, Holanda), é raro um empregador estabelecer um novo plano desses em qualquer lugar do mundo. As reduções nos benefícios da previdência social e as guerras por talento vêm aumentando as expectativas dos empregados por melhores benefícios e pela possibilidade de portar recursos constituídos pelas patrocinadoras; porém, as organizações não estão se apressando para atender a essas necessidades.

    À medida que a maior responsabilidade pela aposentadoria é transferida aos indivíduos, ocorre uma preocupante falta de compreensão por parte dos empregados de como assegurar uma aposentadoria segura
    Com a participação opcional e o nível de contribuição definido pelos empregados, muitas empresas descobriram que os indivíduos começam a contribuir mais tarde, investem de forma conservadora e se aposentam cedo demais. As organizações precisam assegurar que os empregados entendam seus planos de aposentadoria por meio de uma comunicação mais eficaz.

    Os benefícios de aposentadoria podem ser inadequados para muitos empregados
    A não ser que sejam complementados por meio de poupanças pessoais, muitos trabalhadores provavelmente descobrirão que seus planos de benefícios não conseguem proporcionar uma renda suficiente para assegurar uma aposentadoria confortável na idade esperada.

    Governança global está em ascensão para assegurar controle e competitividade nos mercados em que a empresa opera
    Há uma acentuada tendência de supervisão corporativa e global dos programas de benefícios. Na visão de Archibald, assistimos a um maior número de empresas que realizam levantamentos e análises de benefícios globais para saber se seus planos estão (ou não) em conformidade com a legislação ou se são competitivos. “Isso também é válido para os benefícios relacionados à saúde”, afirma.

    ASSISTÊNCIA MÉDICA,SEGURO DE VIDA E INVALIDEZ

    A expectativa dos empregados por uma assistência médica de alto nível conflita com as preocupações das empresas com os custos crescentes
    Os custos de assistência médica continuam a ultrapassar a inflação, em muitos países. Populações em processo de envelhecimento, riscos de saúde, novas tecnologias, novos produtos farmacêuticos, demandas dos consumidores e continuidade de ineficiências sistêmicas estão entre as forças que impulsionam esses custos. Exacerbando a situação, os governos procuram transferir os custos dos planos patrocinados pelo Estado para o setor privado. “Os custos de saúde e benefícios, provavelmente, crescerão em consequência dos níveis de estresse acima da média e da elevada utilização de serviços de saúde discricionários pelos empregados que estão sendo demitidos”, acredita Linda Havlin, líder global de pesquisas sobre saúde e benefícios da consultoria. Para ela, isso levará a tentativas por parte das seguradoras de recuperar perdas de investimentos e melhorar a sua rentabilidade.

    Os trabalhadores divergem sobre o valor dos seus benefícios, dependendo da idade e das circunstâncias pessoais
    Benefícios flexíveis e programas de remuneração total são duas formas de lidar com essas diferentes preferências. Muitas vezes, trabalhadores jovens preferem benefícios baseados em seu estilo de vida e em suas necessidades, resultando num rápido crescimento dos programas flexíveis, particularmente em mercados emergentes. No entanto, as empresas continuam a enfatizar o valor dos benefícios como parte da remuneração completa ou pacote de “remuneração total”.

    As enfermidades provenientes do estilo de vida estão aumentando, sobrecarregando os custos de assistência à saúde
    Algumas doenças infecciosas, eliminadas em muitas economias desenvolvidas, ainda são realidade em mercados emergentes e estão reaparecendo em algumas economias desenvolvidas, como a Itália. Isso sem falar das condições crônicas/psicológicas, como diabetes, estresse e obesidade, que estão aumentando. Com esse quadro, mais empresas estão implementando programas para manter seus empregados bem e produtivos, além de reconsiderar planos de saúde que excluem doenças crônicas e implementar medidas para controlar as doenças encobertas, que impulsionam a utilização e o custo dos benefícios de saúde.
     
    Compreender e administrar de que forma os riscos de saúde podem afetar as obrigações da companhia é essencial, porém muitas vezes são tarefas negligenciadas
    A maioria das empresas proporciona benefícios de saúde a seus empregados, mas poucas compreendem os riscos de saúde ou as implicações para os empregados e sua produtividade. As organizações precisam entender melhor as obrigações que existem por trás dessas promessas e dos programas de benefícios.

    Mapear os custos dos benefícios globais de saúde e assegurar boa governança dos programas em todo o mundo
    “Mais empresas estão instituindo orientações globais para o desenho e administração de seus programas de saúde e benefícios”, explica Robyn Cameron, líder da prática internacional da consultoria em saúde e benefícios. Segundo ele, ter tais políticas, bem como processos para apoiá-las, pode assegurar que haja o correto equilíbrio entre as considerações e decisões locais e as globais e mantém o fluxo de informações de forma adequada.”

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