Benefícios

Pais cobertos

Natália Leão
5 de Março de 2013
Reprodução

Em época de crise econômica mundial, a ordem que rege o universo empresarial é clara: cortar custos. Em um período como o que o mundo atravessa, projetos de gestão de pessoas que visam estender os benefícios oferecidos aos funcionários para os seus familiares podem parecer uma medida equivocada. E o que dizer de estender o plano de saúde empresarial aos pais dos colaboradores? A rede varejista Magazine Luiza apostou nessa medida. Aliás, como conta Telma Rodrigues, diretora de gestão de pessoas da rede, tal benefício foi implantado na década de 80, pois já naquela época a empresa se preocupava em dar suporte aos pais de seus colaboradores.

Naquele tempo, oferecer plano de saúde para os funcionários era um grande diferencial. Rapidamente, os gestores perceberam que colaboradores ausentes por conta de problemas de saúde geravam mais gargalos para a corporação do que se podia imaginar. Afinal, a falta de apenas um funcionário poderia significar diminuição de produtividade, sobrecarga em outro funcionário ou setor, gasto extra com substitutos e até atraso em prazos e entregas contratados. Diante desse cenário, os gestores passaram a incorporar a assistência médica em seus pacotes básicos de benefícios.

Qual é o plano?
Hoje, a oferta de planos de saúde empresarial é quase unânime entre as empresas. Uma pesquisa realizada pela Aon Hewitt, em 2011, com 291 companhias, mostrou que 99% oferecem esse benefício. “Atualmente, em uma entrevista de emprego, a pessoa já não pergunta se a empresa oferece plano de saúde. Isso já é trivial. O futuro funcionário, agora, pergunta qual é o plano”, afirma Humberto Torloni, vice-presidente de saúde e benefícios da Aon Hewitt. “Procuramos dar suporte para a melhoria da qualidade de vida de nossos colaboradores”, explica Telma. A equipe de gestão de pessoas da rede não tinha como prever na época, mas de uma certa forma ela antecipou uma tendência que hoje começa a bater à porta das grandes empresas: o envelhecimento do brasileiro. Dados dos censos demográficos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre os anos 1960 e 2010 mostram que, de lá para cá, a quantidade de idosos no país subiu de 3,3 milhões para 20,5 milhões. Já não é possível negar: o envelhecimento da população é uma realidade evidente e em franca ascensão. E como isso pode afetar a gestão empresarial? De duas formas. A primeira, bastante óbvia: mais funcionários com idade avançada e se aposentando. A segunda maneira é indireta, mas nem por isso menos relevante: os funcionários – mesmo os jovens – terão de cuidar (e garantir) da saúde e do bem-estar de seus filhos e de seus progenitores. “A receptividade dessa iniciativa por parte dos colaboradores foi e continua sendo excelente. Esse é um benefício muito valorizado pela equipe que, apesar de jovem, geralmente é arrimo de família”, afirma Telma. A satisfação é regularmente constatada por meio de pesquisas de clima realizadas na empresa.

Custo alto
Medidas como a do Magazine Luiza podem agradar os colaboradores, ajudar a reter talentos na empresa e até reduzir a quantidade de faltas dos deles, mas o custo para implementá-la não é baixo. A pesquisa da Aon Hewitt revelou que o gasto médio mensal de uma companhia para oferecer plano de saúde apenas para os funcionários é de 8% a 12% da folha de pagamento. Essa média cresceu 9,11% entre 2010 e 2011. O plano que a rede varejista oferece para os pais dos colaboradores é o mesmo que os funcionários têm: regulamentado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) com coparticipação para consultas e exames. “A maior dificuldade que vivenciamos para continuar oferecendo esse benefício é o elevado índice de sinistralidade do plano de agregados”, diz Telma. A conta é simples: quanto maior é a idade do assegurado, mais ele usará o benefício – e este quanto mais usado, mais encarece. “Sentimos o impacto principalmente quando temos de negociar o reajuste da mensalidade. Há uma grande preocupação em manter o benefício sem que seu custo mensal se torne inviável”, diz.

Para reforçar junto ao funcionário o uso consciente do plano, a empresa varejista realiza reuniões presenciais e utiliza os meios de comunicação internos para divulgar campanhas, orientações e esclarecimentos.

Avaliar se vale ou não a pena investir em benefícios como esse cabe aos gestores de cada empresa, mas se fizermos a mesma pergunta aos colaboradores e aos seus progenitores, certamente a resposta será positiva. Como isso pode beneficiar a corporação como um todo? A diretora de gestão de pessoas do Magazine Luiza responde: “Quando começamos esse projeto, esperávamos dar suporte aos nossos colaboradores para que pudessem oferecer uma assistência médica de qualidade a seus pais. Hoje, vemos que esse tipo de benefício traz muita tranquilidade à equipe. Consequentemente, temos pessoas mais comprometidas trabalhando conosco.”

 

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