Gestão

Papel de relevância

Elizabeth Amaral
11 de agosto de 2011

Vivemos grandes transformações em todas as dimensões e, sempre que isto acontece, a sociedade passa a enfrentar novos problemas. Portanto, deve pensar também em novas soluções. Não podemos mais utilizar velhas respostas para responder às novas perguntas. A educação corporativa tem um papel fundamental quando o ponto é não deixar a organização envelhecer. Sim, porque quem envelhece são as pessoas, não as empresas. Nesse sentido, a educação precisa assumir seu real papel para influenciar a competitividade das empresas. Ela deve ajudar os profissionais a quebrar premissas, renovar o conhecimento, inovar e pensar considerando novas perspectivas de um mesmo problema.

A educação deve levantar perguntas que reflitam as necessidades do mundo em que vivemos, trabalhamos, competimos e no qual queremos ter sucesso: o mundo do século 21. A maioria dos profissionais das áreas de educação corporativa vive um grande dilema para construir a ponte entre as estratégias dos negócios e o desenvolvimento das pessoas. Esse dilema faz parte da rotina de muitos profissionais da área de educação porque ainda existem gargalos importantes no sistema de desenvolvimento integrado de pessoas.

É o caso, por exemplo, da dificuldade em traduzir as competências essenciais da empresa, da pouca integração entre as áreas, do baixo envolvimento das lideranças na identificação e no desenho das soluções educacionais. Enfim, estes são alguns fatores que podem levar à falta de alinhamento entre os objetivos estratégicos e os conteúdos dos programas educacionais. Quando esse alinhamento não acontece, as ações de desenvolvimento de pessoas ficam desconexas da estratégia, contribuindo para que os conteúdos dos programas muitas vezes não tenham aplicabilidade, porque não respondem às questões mais críticas e imediatas do negócio.

O impacto destas ações é crítico e cria-se o rótulo de que treinamento não ajuda a empresa a se tornar mais competitiva. E isso é em parte uma verdade porque se os conteúdos não estiverem atualizados, se não forem úteis e relevantes, a educação não agregará valor às empresas. Ao contrário, ela também estará contribuindo para o envelhecimento do conhecimento da empresa, que fica sem serventia. A globalização criou uma nova realidade social e as empresas precisam entender como ter sucesso nesse novo cenário e quais os comportamentos do novo consumidor, senão correm o risco de desenvolverem produtos e serviços para pessoas que não existem mais.

Nesse contexto, a educação precisa apoiar as empresas no processo de mudança de atitude e esta tarefa não é das mais fáceis. As pessoas ainda têm receio do novo, resistem a sair da zona de conforto e têm uma dificuldade grande de se livrar da carga inútil de conhecimento que foi incorporada por anos a fio. Sem esse desprendimento fica difícil fazer a leitura do cenário e entregar produtos e serviços que o consumidor deseja.

Para garantir que não exista este descompasso entre o que o mercado quer e o que as empresas produzem é preciso flexibilidade para inovar o conhecimento e humildade para aprender de novo. E a área de educação tem o dever de orquestrar este processo continuamente para gerar renovação e transformação.

*Elizabeth Amaral é diretora-superintendente da UniAlgar, Universidade Corporativa do Grupo Algar

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