Para diminuir a dor de cabeça

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Cesar Lopes / Crédito: Divulgação
Lopes, da Towers Watson: observar o risco do aumento do prêmio / Crédito: Divulgação

O benefício farmácia começou a ser difundido no Brasil há 12 anos, baseado no conceito desenvolvido nos Estados Unidos em 1980, o Pharmacy Benefit Management (PBM). De lá para cá, os EUA acumulam 215 milhões de beneficiários, cerca de 68% da população local. No Brasil, dados da Associação Brasileira das Empresas Operadoras de PBM apontam para um índice bem menor. Em um pouco mais de uma década, atingimos apenas 1% da nossa população, em outras palavras, temos apenas dois milhões de pessoas que usufruem do benefício.

Dados abissais à parte, o objetivo principal da terceirização do benefício farmácia, dizem os fornecedores do setor, é o acesso à informação, de modo que as organizações possam ter uma visão melhor da saúde da sua população. Isto porque, segundo especialistas, os relatórios do PBM permitem o cruzamento das informações médicas, mapeando, assim, os riscos da população e garantindo um controle sobre eventuais fraudes. Ademais, do ponto de vista da operação, há uma redução na carga de trabalho do RH no controle dos recibos entregues pelos funcionários.

Segundo a 30ª Pesquisa Benefícios da Towers Watson, publicada em 2012, 54% das empresas pesquisadas no Brasil oferecem o benefício farmácia aos colaboradores em três modalidades: reembolso, convênio com redes de farmácias sem subsídio mediante desconto em folha e o PBM sem ou com subsídio do empregador.

O PMB na prática
Cesar Lopes, líder de Saúde e Benefícios em Grupo da Towers Watson, explica que o benefício corresponde a 1,5% da folha salarial das empresas que oferecem a modalidade com subsídio. “Quando se fala em reembolso de medicamentos, a empresa pode fazer a devolução pura e simples do dinheiro ou trabalhar com uma rede credenciada como na assistência médica”, indica.

Já no caso do subsídio, a organização custeia apenas parte do valor do medicamento. “Por exemplo, o funcionário vai até a farmácia, apresenta o cartão da operadora de PBM e paga 50%, enquanto a empresa assume a outra metade”, ilustra. Outra opção, informa Lopes, é a compra do medicamento em uma farmácia não credenciada. “Neste caso ele paga o valor total do medicamento e é reembolsado em 50%. Claro que tudo depende da política definida pelo RH”, observa.

Helder Valério, gerente de Gestão de Promoção de Saúde Mercer Marsh Benefícios, informa que o tíquete médio mensal gira em torno de 140 reais, independentemente do subsídio ou não. “Esse valor pode corresponder a 100% do subsídio ou um valor fixo estabelecido pela empresa”, explica.
A pesquisa da Towers também apontou que o benefício é oferecido para 88% dos funcionários de nível operacional, 95% dos administrativos e 35% dos estagiários. No que versa à extensão do benefício aos dependentes, 63% seguem a mesma elegibilidade do plano de saúde, 31% não estendem aos dependentes e 6% seguem elegibilidade específica.

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Helder Valério /  Crédito: Divulgação
Valério, da Mercer Marsh: aumento de 60% nas cotações de PBM / Crédito: Divulgação

Simplificação de processos
A Nestlé é um exemplo de corporação que oferece o benefício e terceiriza a operação com uma operadora de PBM. O modelo adotado pela multinacional alimentícia é o de subsídio parcial. Neste caso, os funcionários têm um cartão para fazer suas compras na farmácia e, ao final do mês, a operadora envia um relatório único sobre o consumo do benefício no Brasil à companhia, que, por sua vez, realiza a distribuição na folha de pagamento aplicando o subsídio concedido.

Segundo informações da assessoria de imprensa da Nestlé, para a empresa, ter um sistema único de gestão que concentra a movimentação de todas as farmácias simplifica o processo. Dessa forma, todos os controles são centralizados em uma única empresa, em vez de ter de trabalhar individualmente com dezenas de redes de farmácias. Além disso, a partir do relatório compilado de consumo, a companhia consegue agir efetivamente na construção de seus programas de qualidade de vida.

Mercado
A Pesquisa de Benefícios Towers Watson também apontou que 40% das empresas pesquisadas terceirizam o benefício, o que indica uma oportunidade de expansão para as operadoras. Helder Valério, da Mercer Marsh, informa que em 2014 houve um aumento de 60% nas cotações de PBM e estima-se no mercado que houve uma migração de 30% das organizações que praticavam a modalidade de reembolso para o PBM. “É um mercado em ascensão não só para as operadoras, mas também para as corretoras de benefícios, pois já vem sendo oferecida uma modalidade de pré-pagamento semelhante aos planos de saúde”, destaca.

Entretanto, Cesar Lopes, da Towers Watson, alerta para a necessidade de se fazer um controle estreito da utilização do benefício ao adotar o modelo de pré-pagamento, porque a operadora oferece um prêmio mensal ao cliente e assume o risco. “O problema dessa modalidade é semelhante ao do plano de saúde; se o grau de utilização for muito alto, no ano seguinte a PBM vai efetuar um reajuste no prêmio”, adverte.
Essa preocupação deve ser redobrada no caso das empresas que têm um número grande de pacientes crônicos e estendem o benefício para aposentados, já que esse público consome medicamentos com frequência. Lopes comenta que, de forma geral, as organizações têm procurado evitar qualquer tipo de custo com ex-empregado, exceto em casos envolvendo questões judiciais.

Por outro lado, para os pacientes crônicos o PMB é uma boa saída, indica Lopes. Ele explica que o paciente que faz o tratamento de forma correta, tomando o medicamento de acordo com a prescrição médica, tende a ter menos problemas de saúde ao longo da vida e, consequentemente, procurar menos o sistema de saúde. “Por esse motivo, empresas que não têm condição de oferecer um benefício mais abrangente concentram o investimento nessa população. Essa é uma tendência do mercado”, finaliza.

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