Para evitar incêndios

Leyla Nascimento
23 de setembro de 2013

As atividades globais de fusão e aquisição (F&A) registraram um aumento de 22% no último trimestre do ano passado em comparação ao mesmo período de 2010. No Brasil, o volume de negócios recuperou-se após leve redução no terceiro trimestre de 2011, terminando com alta de 9% no quarto trimestre. Os dados fazem parte do IntraLinks Deal Flow Indicator (Indicador de fluxo de negócios da IntraLinks, uma empresa de soluções software-as-a-service para gestão de conteúdo, troca de informações empresariais críticas e colaboração de âmbito interno e entre organizações).

Para corroborar essa tendência, outra pesquisa, a qual faz parte de nossa principal matéria deste mês, mostra que as multinacionais brasileiras, que já vêm promovendo aquisições fora do país, pretendem continuar com esse processo: praticamente metade das 30 maiores múltis brasileiras, que estiveram envolvidas em operações de F&A com valor mínimo de 50 milhões de dólares nos últimos três anos, vão adquirir alvos fora do Brasil nos próximos 12 a 24 meses.

O estudo, feito pela Mercer, revela, porém, outro lado dessa moeda: a maioria das empresas pesquisadas (80% delas) ainda não desenvolveu uma abordagem estruturada para efetivamente diagnosticar, gerir e integrar a cultura organizacional. Trata-se de um ponto que pode, sem dúvida, ter um forte impacto no sucesso (ou não) de uma fusão ou aquisição.

Não há como negar que na hora de fechar um negócio dessa natureza, as atenções das companhias se voltam mais para aspectos legais, financeiros e comerciais. A área de RH fica relegada a um segundo plano, sendo chamada apenas para tentar apagar um incêndio, muitas vezes de grandes proporções (quando o choque cultural já está instalado). E nessa fogueira são consumidas algumas das boas práticas de uma companhia que é adquirida ou alguns talentos, que somem em busca de outras oportunidades em outras empresas.

Se o mesmo cuidado e esmero com que é feita a due diligence de ativos financeiros, por exemplo, fosse aplicado a uma espécie de due diligence de capital humano, teríamos, com certeza, resultados muito melhores dos processos a que assistimos em nosso mercado e fora dele. Esperamos, neste mês, ajudar os principais líderes e gestores, de RH ou não, a pensar seriamente sobre isso!

 

 

 

Leyla Nascimento
Presidente da ABRH – Nacional

Reprodução

 

Compartilhe nas redes sociais!

Enviar por e-mail