Para evitar o erro

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    Grandes profissionais perdem oportunidades ao desistirem de concorrer a vagas em razão de listas intermináveis de requisitos. Enquanto isso, as empresas deixam de contar com um potencial talento para preencher uma posição. Isso poderia ser evitado  as reais necessidades de suas vagas e as comparassem aos perfis dos candidatos.

    Parece simples, mas não é. Muitas empresas costumam elencar uma série de exigências para traçar o perfil de uma vaga e acreditar que aquele que atender a todas ou à maior parte delas será a melhor escolha. Na prática não é bem assim e raramente se encontram pessoas que preencham todos os critérios estabelecidos.
    “Para avaliar o potencial do futuro contratado, o processo seletivo deve ser mais criterioso. É necessário ser bem sensato ao compor o perfil para recrutar o melhor talento que cumprirá as funções que a empresa necessita que sejam cumpridas”, explica Juliana Constantino, gerente de RH da Luandre, empresa especializada em recrutamento e seleção.

    Sempre haverá características, conhecimento técnico ou formações fundamentais para cada função, mas a avaliação deve considerar o candidato por completo e tudo o que ele tem a oferecer e não apenas pré-requisitos avaliados separadamente. “Muitas vezes, o profissional não possui todas as exigências, mas há uma ou duas características até mais importantes que farão a real diferença no desempenho dele para a função determinada. E é aí que se faz a inteligência do processo seletivo para aproximar essas empresas desses profissionais e as vagas ideais para cada um”, completa Juliana. A seguir, confira os mitos que devem ser esclarecidos para candidatos e empresas terem sucesso nos seus processos seletivos, de acordo com ela.

    1. Conhecer idiomas é essencial para preencher uma vaga
    “Claro que ele é um diferencial no currículo, mas nem sempre é algo que será usado com frequência no dia a dia do profissional. Ter um colaborador mais capacitado para desenvolver o essencial daquele cargo é o mais importante”, diz. Assim, explica a consultora, o candidato não deve desanimar, mas seguir em busca da vaga se vê em si próprio a maior parte dos pré-requisitos exigidos. E as empresas, por sua vez, devem avaliar com mais cautela ou auxílio de um consultor profissional seus critérios de avaliação.

    2. Diploma fundamental
    Sim, o diploma contribui sempre, e muito, para preencher boas vagas do mercado, avalia Juliana. Mas para quem ele ainda não foi uma opção viável, há diversos cursos técnicos profissionalizantes que agregam muito aos currículos e abrem oportunidades. “Eles formam profissionais que podem desempenhar determinadas funções com excelência, como é o caso daqueles formados como técnico de enfermagem, técnico eletromecânico, técnico eletrônico, coordenador de manutenção predial, programador de manutenção.”

    3. O superprofissional qualificado
    Nem sempre ter qualificação demais é algo bem-vindo. Há casos em que o profissional experiente se dispõe a aceitar um trabalho por conta de falta de opções. Cabe à empresa, no entanto, explicar que em pouco tempo ele se sentirá frustrado com o trabalho, e a remuneração e a contratação atenderão superficialmente a ambos, não sendo produtivas para nenhum. “É preciso uma substancial avaliação para ver o quanto aquele profissional suporta e está disposto a recomeçar e se desenvolver novamente em médio e longo prazo”, diz.

    4. Distante do local de trabalho
    Há muitos profissionais gabaritados que moram em cidades periféricas e podem levar mais de uma hora para chegar ao local de trabalho. Isso, no entanto, não deve ser um fator de desclassificação automática. Disposição, garra e comprometimento devem contar mais na hora do desempate. “Diariamente, milhares de brasileiros se deslocam horas e horas no trânsito e isso não os impede de serem pontuais, comprometidos e eficientes. O importante é deixar claro na entrevista as alternativas de acesso e que deseja manter a pontualidade.”

    5. O introvertido
    Existe uma supervalorização do indivíduo extrovertido, que fala com desinibição. Obviamente essa é uma característica importante para vendedores ou funções que lidam diretamente com o público, mas uma pessoa introvertida pode ser um ótimo profissional em diversas áreas, muitas vezes apresentando até melhor concentração para tarefas que exigem foco no detalhe. “Características pessoais ou de comportamento não podem ser generalizadas.”

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