Carreira e Educação

Para falar melhor

7 de agosto de 2012






Desenvolver no profissional a habilidade para discutir numa reunião de trabalho é mais importante do que ensiná-lo a fazer uma apresentação formal. Usar o curso de inglês para ensinar não só o idioma, mas conteúdo de formação profissional. Considerar as ferramentas on-line como recursos pedagógicos do curso – e não apenas como atividades complementares. Essas são algumas das tendências apontadas pela pesquisa Inglês no trabalho – uma análise de casos sobre o ensino de inglês para a força de trabalho do século 21, realizada pela The International Research Foundation for English Language Education (TIRF – Fundação Internacional para Pesquisa sobre o Ensino de Língua Inglesa), divulgada em evento promovido em parceria com a Cultura Inglesa, no Centro Brasileiro Britânico, na capital paulista. Realizado durante o período de preparação do Brasil para a Copa do Mundo (2014) e Jogos Olímpicos (2016), o painel Diferentes contextos e desafios para o inglês na força de trabalho reuniu 10 conferencistas de vários países, entre eles representantes da Microsoft, o instituto de pesquisa Euromonitor, Câmara de Comércio Britânica de São Paulo, British Council e Georgia State University, além do embaixador britânico Alan Charlton e o secretário de Educação Herman Jacobus Cornelius. O encontro discutiu como diferentes organizações públicas e privadas lidam com os desafios inerentes Í  crescente necessidade do inglês para profissionais no Brasil, ͍ndia e China.

Tendências
A pesquisa da TIRF foi realizada pelos professores Anthony Fitzpatrick, coordenador de quatro projetos no European Centre for Modern Languages in Graz, na ́ustria, e por Robert O´Dowd, professor da Universidade de León, na Espanha. Eles investigaram mais de cem livros, artigos e relatórios recentes e dados de 20 estudos de casos de ensino de inglês para profissionais de 10 países – Brasil, Abu Dhabi, Alemanha, Austrália, Bulgária, China, EUA, Japão, Líbano, Suíça. Há anos, o inglês é considerado língua franca mundial, tendo assumido papel essencial na vida econômica não só pela globalização e o surgimento de tecnologias de comunicação on-line. Outros fatores contribuíram para essa condição como a interdependência das economias ao redor do mundo, a terceirização internacional dos serviços de manufatura, o aumento da dependência da mão de obra imigrante, a colaboração internacional de vários países para o desenvolvimento de um produto e a colaboração on-line.

Inicialmente, a dupla identificou três tendências sobre o papel do inglês na mão de obra do século 21. A primeira denota que o inglês é visto pelas empresas nacionais como a chave para o acesso ao mercado internacional. No caso das multinacionais, é utilizado também para o contato entre funcionários de nacionalidades diferentes. A segunda tendência é o ensino de inglês para trabalhadores imigrantes em países onde o inglês é língua oficial, como os EUA. Um relatório informa que nesse país mais de 5% dos trabalhadores não falam bem inglês ou simplesmente não falam inglês. A última tendência mostra que os novos trabalhadores diplomados precisam desenvolver as “habilidades do século 21” tanto em suas línguas maternas quanto em inglês, a saber: capacidade de resolver problemas, se comunicar e colaborar com os outros, trabalhar em equipe, usar tecnologias on-line, ter análise crítica. A pesquisa chegou ainda a algumas conclusões interessantes, entre elas:


> A crescente especificação e personalização no ensino de inglês. Num treinamento para executivos japoneses, por exemplo, a coordenadora Anne Delaney criou materiais customizados baseados em e-mails, relatórios e apresentações dos participantes.


> Atualmente, as ferramentas on-line não são vistas como complementares aos cursos, mas como importantes recursos pedagógicos. Num curso para profissionais do setor de não proliferação de armas nucleares, nos EUA, os alunos coletam informações em blogs especializados no assunto. Já no programa de ensino para diplomatas, também naquele país, os alunos usam o Skype para simular contatos telefônicos e ganhar confiança.


Em todos os estudos de casos, a conscientização dos alunos sobre as diferenças culturais e o papel da cultura na comunicação estão muito presentes. O professor Sky Lantz-Wagner, do curso para alunos de Administração na Tongren University, na China, fala sobre o “entendimento das diferenças culturais no mundo dos negócios, nos EUA e na China”. O curso para  imigrantes que trabalham em comunidades de residentes seniores, no território norte-americano, ressalta “o conhecimento das diferenças culturais e das expectativas do comportamento no local de trabalho na cultura americana, com ênfase na comunicação com idosos”.


#Q#


 A elaboração de projetos de ensino e o uso de materiais do mundo real também são muito citados nos casos relatados. No curso na Tongren University, os alunos de administração criam anúncios publicitários para um produto e apresentam para a classe. O curso para dentistas japoneses inclui a participação deles em um congresso de odontologia, na Califórnia.


 Alguns cursos de inglês para trabalhadores ensinam não só o idioma, mas conteúdo de  formação profissional. No curso oferecido para imigrantes recém-chegados Í  Austrália, os alunos têm em 10 semanas cursos que dão em inglês orientação profissional e treinamento em uma série  de ocupações.


 Desenvolver no aluno sua independência linguística é outra preocupação dos cursos. Na Alemanha, o curso para membros da OTAN sobre a terminologia militar em inglês, principalmente a utilizada em radiocomunicação, estimula os alunos a usarem roteiros de estudo para progredirem após o curso. Esses roteiros incluem tarefas como um grupo preparar uma lista de vocabulário para seus colegas.


 O apoio das gerências e diretorias é muito apreciado pelos alunos dos cursos in company. O programa de ensino para trabalhadores imigrantes em comunidades de residentes seniores convidou gerentes e pessoal de RH para tecer seus comentários sobre o programa. O autor do relato, David Kertzner, explica que a mensagem recebida pelos alunos foi que o programa era importante não para apenas para eles, mas para a comunidade.





Com licença garantida


Com a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, é crescente a exigência do mercado brasileiro por profissionais fluentes no inglês. Para a presidente da TIRF, Kathleen Bailey, esse momento é um grande desafio para os educadores. “O Brasil se prepara para, num futuro próximo, realizar eventos de repercussão mundial e nós vemos isso como um importante mercado, cheio de oportunidades”, destaca. Na China, por exemplo, os taxistas tiveram de aprender no mínimo 30 frases em inglês para interagir com os estrangeiros presentes aos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. “Os motoristas que não cumpriram a exigência perderam suas licenças”, revelou o professor Jun Liu, chinês radicado nos EUA, onde leciona linguística aplicada, na Universidade da Geórgia. Hoje, 300 milhões de pessoas estudam inglês na China. O ensino começa no jardim da infância, mas lá também o maior problema é a fluência. Por aqui, mais precisamente em São Paulo, os taxistas atentos a esses  grandes eventos esportivos internacionais já estão estudando inglês com foco no seu cotidiano profissional.  “Quando fiquei sabendo de um curso de inglês especial para taxistas, me interessei na hora. Agora sinto que preciso deste diferencial”, conta Wilson Costa Jr., 53 anos, taxista há um ano na região de Vila Prudente, zona leste da capital. O curso é realizado pela Master Languages. Todos os alunos ganharão um adesivo com a frase English spoken here ao final do módulo. “Não quero saber apenas o básico, quero ter condições de interagir com o passageiro e aprender coisas novas”, afirma.



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