Para não mandar para uma fria

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Embora mais cidades europeias dominem como locais mais caros do mundo para expatriados, de acordo com a mais recente pesquisa de custo de vida da Mercer, várias cidades da Ásia estão entre as 10 primeiras, enquanto que Luanda ocupa a primeira posição.

O levantamento, que abrange 214 cidades em cinco continentes, mede o custo comparativo de mais de 200 itens em cada local, incluindo moradia, transporte, alimentação, vestuário, utilidades domésticas e entretenimento. A diferença de custo para esses tópicos pode ser dramática. Por exemplo, o custo de uma xícara de café em Manágua, na Nicarágua, é de 1,54 dólar comparado a 8,29 dólares em Moscou; um hambúrguer custa 3,62 dólares em Calcutá, na Índia, contra 13,49 dólares em Caracas; e uma entrada de cinema custa 5,91 dólares em Joanesburgo, na África do Sul, comparados a 20,10 dólares em Londres.

O custo de moradia do expatriado é frequentemente a maior despesa para as empresas e desempenha um papel importante na determinação da posição na classificação das cidades. A capital russa, Moscou, segue Luanda como a segunda cidade mais cara devido aos altos custos do aluguel residencial e produtos e serviços importados normalmente adquiridos por expatriados. O aluguel de um apartamento de luxo de dois quartos sem mobília custa 4,6 mil dólares por mês ou 14 vezes mais do que em Carachi, no Paquistão. Completando as cinco primeiras cidades mais caras para expatriados, que também possuem alto custo com aluguel, estão Tóquio, a cidade de N´Djamena, da República do Chade, e Cingapura.

“Acontecimentos mundiais recentes, incluindo crises econômicas e políticas, que resultaram em flutuações cambiais, inflação do preço de produtos e serviços e volatilidade nos preços de moradia, impactaram essas cidades, tornando-as caras”, comenta Barb Marder, executiva senior partner e líder da área de mobilidade global da Mercer. “Apesar de ser um dos maiores produtores de petróleo do continente africano, Angola é um país relativamente pobre, embora caro para expatriados, uma vez que produtos importados podem ser bem custosos. Além disso, encontrar acomodações seguras que atendem aos padrões de estrangeiros pode ser difícil e muito caro.” As outras cidades que aparecem na lista da Mercer como as 10 primeiras mais caras são Hong Kong, Genebra, Berna e Zurique.

De acordo com a consultora, uma pesquisa recente de mobilidade global mostrou que todos os diferentes tipos de transferências internacionais estão em ascensão. “Dado o número crescente de viajantes a negócios, commuters globais e expatriados de longo prazo, as empresas estão atentas ao custo de vida para transferências internacionais em diferentes cidades ao redor do mundo. As organizações precisam avaliar o impacto das flutuações cambiais, inflação e instabilidade política quando enviam funcionários em transferências internacionais, garantindo que podem facilitar os movimentos necessários para conduzir os resultados do negócio, oferecendo pacotes de remuneração justos e competitivos”, explica. As flutuações cambiais e o impacto da inflação em produtos e serviços afetaram o custo dos programas de expatriados, assim como a classificação das cidades.

São Paulo lidera
Nos continentes americanos, as cidades da América do Sul aparecem como os locais mais caros para expatriados, tendo São Paulo (que ocupa a 19ª posição no ranking geral) como a mais cara. São José, na Costa Rica (na 126ª posição) e a Cidade do México (em 138º lugar entre todas as participantes) são as mais caras da América Central e do México. Vancouver (64ª) é a cidade do Canadá que ocupa a posição mais alta no ranking.

Entre as cidades sul-americanas, algumas caíram no ranking, como resultado do enfraquecimento das moedas locais em relação ao dólar dos EUA, como as brasileiras, ao passo que outras subiram como resultado da alta da inflação em produtos e serviços e aluguel. Nova York, a cidade-base do ranking de custo de vida da Mercer, é a cidade mais cara dos EUA.

“No geral, as cidades norte-americanas permaneceram estáveis no ranking ou caíram ligeiramente, devido ao movimento do dólar americano contra a maioria das moedas em todo o mundo. Embora várias cidades, incluindo Nova York, tenham subido no ranking devido a um aumento no mercado de aluguel residencial”, explica Nathalie Constantin-Métral, diretora da Mercer responsável pela compilação do ranking da pesquisa.

As cidades canadenses, no geral, desceram no ranking este ano, como resultado de uma ligeira queda do dólar canadense em relação ao americano, e também porque os preços de produtos e serviços aumentaram em um ritmo menor do que em Nova York.

Quatro cidades europeias estão entre as 10 mais caras apesar dos aumentos moderados de preço na maioria dos países do velho continente. A Suíça permanece como um dos locais mais caros para expatriados apesar de os preços de moradia terem diminuído ou estabilizado e de um franco suíço forte.

“O custo de vida em cidades de todas as partes da Europa, em geral, subiu no ranking, como resultado do ligeiro fortalecimento das moedas locais em relação ao dólar dos EUA, enquanto que na Ásia cerca de metade das cidades caiu no ranking – Japão especialmente – devido ao enfraquecimento das moedas locais em relação ao dólar americano”, observa Nathalie.

 As 10 mais caras

1 Luanda, Angola

2 Moscou, Rússia

3 Tóquio, Japão

4 N’Djamena, Chade

5 Singapura, Singapura

6 Hong Kong, Hong Kong

7 Genebra, Suíça

8 Zurique, Suíça

9 Berna, Suíça

10 Sydney, Austrália

 

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