Para ser mais eficaz

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Gestores que ainda passam pela fase crítica de compreensão de que pessoas são muito mais importantes e complexas de gerenciar do que processos para o sucesso de qualquer organização, acabam por enxergar o RH como a única fonte mágica para desenvolver talentos, como se essa atribuição não fosse parte de seus objetivos profissionais como gestores, o que, convenhamos, muitas vezes não é mesmo. Consequência de uma cultura corporativa distorcida que só resulta em atraso para todos.

Cabem ao RH, portanto, nesses ambientes, os desafios do desenvolvimento do capital humano e intelectual da organização. Sistemas de gerenciamento de estratégia como o Balanced Scorecard, por exemplo, são excelentes metodologias para que se confirme se  o crescimento e o desenvolvimento humano estão balanceados com os resultados financeiros, comerciais e sociais das empresas, pois existe aí uma relação intrínseca positiva. Mas, se uma dessas pontas falhar, os problemas virão a médio e a longo  prazos.

Fator Humano
Para essa habilidade é preciso ter um olhar mais lapidado. Ter disposição para dedicar algum tempo ao outro é um começo. Mas há metodologias para conduzir bem um processo nesse sentido. Os gestores de RH deveriam, a princípio, ser profissionais com enorme interesse pelo fator humano e com profundo conhecimento das ferramentas de desenvolvimento de pessoas e times, o que diversas vezes também não é a realidade que encontramos no mercado. Os gestores de RH, apoiados por ferramentas e  metodologias como a do coaching, por exemplo, teriam um grande aliado na missão de apoiar seus colegas na exploração da autoconsciência, conseguindo ajudá-los a definir objetivos e metas e a desenhar planos de ação concretos, visando uma melhoria em suas respectivas carreiras.

Coaching virou um daqueles termos de que muita gente já ouviu falar, mas poucos sabem exatamente o que significa. Em primeiro lugar, não podemos confundir coaching com mentoring. O coaching é um processo estruturado, com base científica forte e ferramentas direcionadas para cada caso. No coaching, não se deve dar opiniões ou direcionamento baseados em hierarquia: usa-se a estrutura e o conhecimento do coachee para que ele mesmo possa se avaliar e tirar suas próprias conclusões. No coaching, não existe hierarquia – um coach bem treinado pode muito bem gerar excelente valor agregado para altos executivos, mesmo nunca tendo tido uma experiência executiva em sua vida, o contrário do mentoring. Nesse caso, espera-se do mentor experiência passada comprovada na “cadeira” do seu protegido. Por fim, o coaching não é uma terapia, ou seja, a expectativa de resolver problemas mais complexos do passado não é tratada em sessões de coaching. Tomamos a pessoa na sua situação atual e buscamos uma melhoria, nunca voltamos no passado para explorar temas que possam estar impedindo o seu sucesso, focamos no objetivo futuro e como chegar lá com as ferramentas que temos nas mãos. Em um processo de coaching o foco está no hoje e no amanhã.

Desenvolvimento
Entendendo melhor o que é coaching, como o RH, conhecendo melhor esses mecanismos, pode ajudar os outros gestores? A primeira recomendação é que os gestores de RH tenham por maior interesse essa metodologia, buscando certificação em coaching, para melhor conhecer o processo. Também é altamente recomendável que esses profissionais passem por um processo de coaching, o que acaba sendo um  “ganha-ganha” importante, pois ao mesmo tempo que se desenvolvem, aprendem como o processo funciona e como poderia ser melhor utilizado nas empresas. 

A metodologia do coaching ajuda os gestores a estruturarem discussões de feedback, aumenta a confiança entre pares e também entre gestor e subordinado, aprofunda potenciais problemas escondidos atrás de crenças limitantes e direciona as pessoas para a ação. Em um nível mais aprofundado, essa ferramenta provoca uma mudança de comportamento, desperta em cada um o interesse de conduzir com mais objetividade seus propósitos.

Times formados por pessoas que têm melhor nível de autoconhecimento e autoconfiança são mais produtivos, contribuem para um ambiente mais positivo, respondem melhor aos desafios, enfrentam melhor os momentos de adversidades. Vale ressaltar que um processo de coaching também leva a um crescimento pessoal. E o RH poderá cumprir um papel mais amplo ao levar essa possibilidade às equipes, gerando um caminho de troca e de integração, até de cumplicidade em alguns casos, entre gestores e colaboradores que compartilharem um caminho de crescimento na mesma empresa.

#L# Gestores de RH que usam a metodologia do coaching em suas empresas, tanto diretamente quanto com o apoio de consultores externos, acabam verificando um significativo aumento de performance, melhoria no clima organizacional, melhor inter-relação entre as pessoas e, consequentemente, melhor resultado.

Muitas vezes, temos dificuldade de medir o retorno financeiro das atividades de RH, mas o coaching tem se mostrado uma ferramenta de rápido retorno, em que a performance daqueles que passam pelo processo é visivelmente melhorada em curto prazo.

O gestor líder de RH deve ter a consciência de que se espera que ele carregue a bandeira do desenvolvimento humano e deveria sentir-se orgulhoso dessa responsabilidade, que seguramente deve ser compartilhada com os outros gestores. Acredito muito que o coaching pode ser um grande aliado do RH nesta jornada.

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