Carreira e Educação

Pelo uso da Bermuda

Karin Hetschko
14 de Fevereiro de 2014
Equipe do Hotel Urbano - Bermuda
Dress code da equipe do Hotel Urbano

O maçarico está aberto e esqueceram de desligá-lo na região sul e sudeste do Brasil. Essa é a percepção que moradores dessas regiões têm desde o inicio do ano. Isso porque as temperaturas registradas nesse período estão acima dos 30ºC, com sensação térmica ultrapassando os 50ºC, e aquela chuvinha do verão resolveu não dar as caras em 2014. Nesse cenário, o clima esquenta para todos os lados. Para evitar o bate-boca sobre o tema e a baixa produtividade no trabalho, algumas empresas resolveram flexibillizar as regras de dress code e liberaram a bermuda.

Na Radix, empresa de engenharia e de softwares, a liberação da bermuda vai se estender durante todo o período de maior calor. Em outras palavras, até o Carnaval. A ideia da liberação partiu dos próprios funcionários que foram conversar com a diretoria sobre o assunto. A direção atendeu ao pedido dos colaboradores, mas com certas ponderações. Usar a bermuda com consciência é uma delas. “Shorts não é bermuda”, indica a diretoria. Ter uma calça sempre à mão, caso surja uma reunião de última hora, é outra sugestão da direção.

Mandamentos do grupo Bermuda SIM!

1.Bermuda só a partir dos 29,8°C.
2.Tamanho da bermuda:
 dedos acima ou abaixo do joelho.
3.Short de surfe não é bermuda.
4.Uniforme de time não é bermuda.
5.Samba-canção… ah toma vergonha na cara.
6.É proibido usar floral. Proibido! Em qualquer lugar!
7.Dia de reunião, nada de bermuda!
8.Não é porque está de bermuda que pode usar regata.
9.Se mais de 2 pessoas zoaram sua bermuda,é porque ela não é apropriada.
10. Não repetir a bermuda mais de 2 vezes na semana.

A empresa de tecnologia para recrutamento, a Catho, também aderiu ao movimento Bermuda Sim. “A Catho não tem uma cultura de uso de roupas formais, o jeans e camisas polo já fazem parte do dress code, sendo assim, era natural deixarmos nossos colaboradores mais à vontade em dias de 37 graus”, informa Angélica Nogueira, gerente de RH da Catho. Claro, a exemplo da Radix, a liberação vem com certa moderação. “Nada de bermuda de times, calção ou traje de surf. Decretamos a mesma lógica do movimento #BermudaSim: se mais de duas pessoas implicarem com a bermuda, é porque ela é inadequada”, reforça Angélica.

O movimento mencionado por Angélica “Bermuda Sim” é fruto de uma manifestação criado por três colegas cariocas que se perguntavam: moramos num país tropical porque as pessoas são obrigadas a trabalhar de calça? Do questionamento, surgiu a campanha #Bermuda Sim. Com humor, o movimento mostra que a produtividade não está conectada ao tipo de roupa escolhida pelo colaborador, desde que este não ultrapasse os limites do bom senso, descritos nos mandamentos do grupo, os Bermudamentos (sugestão, colocar o box com os Bermudamentos).

Os colaboradores do Hotel Urbano, agência de viagens on-line, já decoraram as regras do Bermudamentos. Por lá, a bermuda é rotina e foi liberada desde a criação da empresa, em janeiro de 2011. “O uso da bermuda não atrapalha em nada no rendimento profissional, pelo contrário, serve de incentivo nos dias de calor”, afirma João Ricardo Mendes, cofundador do Hotel Urbano. “Vendemos qualidade de vida e é essencial que ela faça parte do dia-a-dia da nossa equipe”, ressalta.

E no Hotel Urbano não existe essa de estação, mesmo no inverno os funcionários da agência podem usar o dress code despojado. A empresa de desenvolvimento de softwares de gestão TOTVs também resolveu investir na ideia. Ela acaba de modificar seu código de vestimenta para alinhá-lo ao conceito da nova marca: o novo jeito de se vestir da companhia é mais simples e mais conectado à nova geração. E isso inclui o uso da bermuda de sarja ou jeans e a extinção do casual day. “Antes toda sexta-feira era casual. No entanto, começamos a nos perguntar por que podíamos usar algo mais despojado em apenas um dia da semana”, explica Cristiano Brasil, diretor de Recursos Humanos da TOTVS.

#L# Além disso, a companhia liberou o uso de camisetas polo, legging, rasteirinhas, sneakers e tênis neutros, como sapatênis e All Star para todos os colaboradores. “A mudança de marca trouxe novos direcionamentos e o jeito de vestir TOTVS é reflexo dessa identidade”, diz Alexandre Mafra, vice-presidente executivo e financeiro e de Relações Humanas da TOTVS.

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