Gestão

Qualidade dentro e fora

Thaís Gebrim
13 de julho de 2012
Gustavo Morita
Mezei, da FedEx: se o ambiente de trabalho é construtivo, há qualidade de vida dentro da vida profissional

Estimular o debate sobre o papel de RH para elevar a competitividade das empresas sem deixar de lado o equilíbrio com o nível de qualidade de vida daqueles que tornam a organização mais produtiva. Este é um dos aspectos do mundo do trabalho que estarão em evidência no CONARH ABRH 2012, maior congresso latino-americano de gestão de pessoas. “Existe uma falsa ideia de que qualidade de vida só se refere ao tempo em que se passa fora do local de trabalho. É um erro”, diz Eduardo Mezei, gerente de RH da Divisão América Latina e Caribe da FedEx Express. Para ele, que é integrante do comitê de criação do congresso, se o ambiente de trabalho é construtivo, onde todos são ouvidos, independentemente do nível hierárquico, e as pessoas são respeitadas, existe qualidade de vida dentro da vida profissional. Confira na entrevista a seguir, concedida à jornalista Thais Gebrim.

MELHOR – Hoje, fala-se demasiadamente na falta de profissionais qualificados e os que estão empregados têm sido mais demandados para suprir esse gap, mas, também, são mais valorizados. Como isso impacta nas empresas?

Eduardo Mezei – O profissional que se sente mais valorizado vai frequentemente sentir uma melhora na sua autoestima e autoconfiança. Esses sentimentos são muito benéficos e podem ser canalizados pelas empresas que têm políticas de retenção e um bom clima organizacional. Nas empresas que são referência, o funcionário usa esses sentimentos para alcançar uma melhor performance e se desenvolver mais rápido. Da mesma forma, o profissional valorizado internamente vai considerar o esforço extra que muitas vezes lhe é exigido como oportunidade para mostrar sua capacidade de superação, esperando ser recompensado por isso – e não apenas no aspecto financeiro.

Quais serão as principais abordagens sobre remuneração e benefícios tratadas no CONARH?
A estratégia eficaz não se resume a aumentar salários, mas desenvolver uma arquitetura de remuneração e programas de recompensas que funcionem para todos os níveis da organização. Essas políticas também devem estar alinhadas com as necessidades da empresa. Para isso, é preciso responder a questões como: que níveis de recompensa total a sua empresa pode assumir? Quais são suas necessidades de negócio? Elas exigem uma estratégia de ação de curto ou longo prazo? Objetivos diferentes requerem abordagens diferentes.

Desde o boom dos processos de reengenharia e downsizing, os profissionais são mais demandados e perderam muito em qualidade de vida. Agora que o Brasil é a bola da vez e há escassez de bons profissionais, as empresas precisam rever a qualidade de vida deles?
Existe uma falsa ideia de que qualidade de vida só se refere ao tempo em que se passa fora do local de trabalho. É um erro. Se o ambiente de trabalho é construtivo, onde todos são ouvidos, independentemente do nível hierárquico, e as pessoas são respeitadas, existe qualidade de vida dentro da vida profissional. Na FedEx, por exemplo, em nossa política, as pessoas têm a oportunidade de se desenvolver de forma saudável sem deixar de lado o compromisso com metas e objetivos. Da mesma forma, estimulamos os funcionários a terem “tempo de qualidade” com suas famílias.

Quais são os principais aspectos da qualidade de vida a serem abordados no CONARH 2012? Mobilidade e flexibilidade estão incluídas?
Vamos discutir formas de garantir a produtividade em equilíbrio com o nível de qualidade de vida no contexto contemporâneo. A mobilidade e a flexibilidade podem ser ferramentas importantes, mas não adequadas a todos os tipos de empresa, devido à natureza de cada uma. O debate será em torno do binômio qualidade de vida-produtividade, de como o departamento de RH pode trabalhar e atingir um equilíbrio entre esses dois expoentes.

 

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