Benefícios

Remédios na dose certa

Jacqueline Sobral
8 de Fevereiro de 2012
Reprodução
González, da Vidalink: garantir o tratamento

É cada vez maior a percepção, por parte das organizações, de que oferecer o plano de saúde não é o suficiente para garantir profissionais saudáveis e ativos no trabalho. “Um funcionário, por exemplo, falta para ir ao médico. Para realizar os exames solicitados, ele falta de novo. E para levar os resultados ao consultório, se ausenta mais uma vez. Se ele não tomar os remédios receitados, porque não tem dinheiro para comprá-los, poderá ser internado por conta da doença. Ou seja, não adiantou nada a empresa conceder a esse colaborador o plano de saúde”, diz o diretor executivo da Vidalink, Luís González.

A opinião do executivo justifica o interesse do mundo corporativo no benefício farmácia ou nos programas de PBM (do inglês Pharmacy Benefit Management). Uma pesquisa feita pela Vidalink em 2010, com 120 empresas que, juntas, têm um faturamento equivalente a 8% do PIB brasileiro, concluiu que 68% delas ofereciam desconto em folha para a compra de medicamentos, enquanto 29% ofereciam subsídio – 19% das que ofereciam essa modalidade subsidiavam mais de 70% do custo dos remédios, enquanto o nível médio de subsídio era de 53% sobre o valor do medicamento.

Na prática, nem sempre a empresa tem recursos financeiros para um programa de beneficio que subsidie a aquisição dos remédios ou que englobe todos os seus colaboradores. Ela, contudo, pode buscar alternativas compatíveis com o seu orçamento. “Uma solução criativa é fazer um convênio com farmácias para conseguir descontos nos custos dos medicamentos”, afirma a gerente de placement e pesquisas de benefícios da Aon Hewitt, Renata Freire, lembrando que essa prática foi a opção de 48% das empresas que participaram de uma pesquisa recente feita pela consultoria. “Porém, vale ressaltar que essa ação não garante que o medicamento esteja sendo comprado por pacientes crônicos, o que afeta diretamente a gestão de saúde integrada.”

Outro caminho adotado por algumas companhias é fazer uma seleção dos profissionais que receberão o subsídio ou criar determinadas regras para a concessão do benefício. “Se a organização não tem condições financeiras de prover o benefício farmácia a todos os seus colaboradores, ela pode, por exemplo, subsidiar os funcionários com menor renda, decidir dar subsídios apenas à compra de medicamentos genéricos, ou àqueles que possuem determinadas patologias ou doenças crônicas que mais prejudicam a produtividade no trabalho”, diz González. De acordo com ele, em geral, diabetes, hipertensão, colesterol e doenças pulmonares estão na lista dos principais males que afetam os profissionais e causam prejuízo às companhias. Outra doença cuja incidência vem aumentando ao longo dos últimos anos é a depressão.

Programas para auxiliar
Segundo o gerente executivo de negócios PBM da Orizon, Allan Assumpção, geralmente uma carteira de beneficiários possui, em média, 10% de doentes crônicos que correspondem a mais de 70% dos custos com saúde. “Esses usuários compram mensalmente medicamentos, enquanto os demais 90% compram esporadicamente. A identificação e a criação de programas que permitam a adesão ao tratamento de suas doenças crônicas são ações-foco do PBM.”

O diretor de negócios da ePharma, Marcos Brêda, acrescenta que o mapeamento e o tratamento das doenças crônicas são fundamentais não apenas para aumentar a produtividade no trabalho, mas também para diminuir o custo que as empresas têm com os planos de saúde. “Os relatórios clínicos ajudam muito o RH e os departamentos médicos das empresas. Sabe-se atualmente que as doenças crônicas representam mais de 75% dos custos de sinistralidade dos planos de saúde. O benefício farmácia, de fato, diferencia as empresas no mercado competitivo de hoje.”

Melhor - Gestão de pessoasPara Assumpção, o número de organizações que têm seus benefícios de medicamentos administrados por gestoras especializadas vem crescendo devido a fatores como redução dos custos de administração dos benefícios, facilidade de atendimento em farmácias credenciadas em todo o território nacional e disponibilização de informações epidemiológicas, estatísticas e gerenciais das carteiras de clientes. Quem também percebe o maior interesse das empresas é Luiz Felipe Bay, diretor de negócios corporativos, e-commerce e delivery da Raia Drogasil. “Observamos um crescimento mais elevado e consistente da demanda, especialmente nos últimos três anos, pois as empresas estão cada vez mais interessadas em cuidar da saúde de seus colaboradores por meio de uma gestão em todas as frentes, seja por intermédio de planos de saúde, planos odontológicos, e benefício farmácia”, avalia. Para ele, isso ocorre por dois motivos essenciais: assegurar mais eficiência com colaboradores mais assistidos e reduzir custos graças a uma gestão integrada de saúde.

“Com uma gestão eficiente, a empresa pode entrar em contato com um funcionário que possui uma doença crônica, mas que não vem adquirindo o medicamento que precisa. O RH, então, pode perguntar a ele por que não está tomando o remédio, se parou de tomar por causa de uma reação adversa”, comenta González, da Vidalink. “Isso acontece muito com pessoas que têm asma, por exemplo, que estão acostumadas a tomar remédio para acabar com uma crise, mas que se recusam a manter um tratamento preventivo.”

Humberto Torloni, diretor técnico da Aon Hewitt, conta que existe, de fato, um potencial para melhor controle das doenças quando o acesso a medicamentos é facilitado. “A não aderência aos remédios por parte do paciente é frequente e a principal causa é a falta de recursos”, destaca. “Portanto, um programa que ofereça alguma subvenção pode melhorar a aderência aos medicamentos, evitar a descompensação de doenças crônicas, reduzir consultas em pronto-socorro e internações hospitalares”, completa.

 

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